DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Lima: «Quando ouvi falar desta iniciativa pareceu-me bastante interessante. Agora, que sabemos que um dos responsáveis tem tanta dificuldade em conjugar o verbo dar, sobretudo na primeira pessoa do singular, fiquei com algumas dúvidas. Parece que a grande contribuição do senhor para a plataforma nacional de doação de objectos reutilizáveis não são bem objectos. Ou as dívidas também entram nessa categoria?»

 

João Carvalho: «Só temos de nos congratular perante a nova atitude de Jorge Coelho, que passa a ter de aplicar rendimentos próprios nas iniciativas pessoais de solidariedade. É mais um bom exemplo para os que conservam — sem que precisem — as subvenções vitalícias que andamos todos a pagar injustamente. Melhor exemplo ainda por demonstrar que socialista não pode ser uma palavra vã.»

 

Luís M. Jorge: «Angustiado com o alerta do jaa para o preocupante anti-germanismo alimentado de ressentimentos que prolifera entre nós, resolvi ficar atento às suas manifestações durante o fim de semana. Fiquei logo a saber que o nosso blog ainda é um reduto virginal de tolerância ecuménica. Hoje, certamente com intenções profilácticas, o Rui Rocha denunciou a Grécia por fazer um censo dos beneficiários de pensões (de facto, é um comportamento inaceitável), enquanto o Pedro nos revelava a eloquente história da ilha turística (ou seja, de calaceiros) em o Ministério da Saúde grego descobriu e investiga a atribuição de 700 pensões aparentemente fraudulentas: estranho país este, em que o Estado faz alguma coisa para detectar abusos e corrigir os abusos que detecta. Também eu estou chocado — chocado!— com o anti-germanismo que prolifera.»

 

Patrícia Reis: «Cada vez tenho menos paciência para a sapiência dos iluminados teóricos. Gosto dos práticos. Comovo-me com o livro de José Luís Peixoto, um diário de dez anos de vida, textos soltos, textos da infância no Alentejo, sobre os filhos. Sim, é preciso pensar para ler, já sei. E vou pensando como ele dava a volta maior para não ser roubado e conseguir ir ao cinema ambulante, como tomava banho numa tina no pátio, como tinha medo da freira da catequese mas mentia pelos amigos. Adoro os nomes que enumera, os nomes do Alentejo. É preciso conhecer o Alentejo. Uma parte da minha família é alentejana, logo há ali, naquelas páginas, coisas que reconheço com enorme facilidade. Isso é bom.»

 

Rui Rocha: «Um destes dias seria muito interessante testar os que defendem a solidariedade europeia relativamente à Grécia colocando-os perante a possibilidade de aplicar o mesmo conceito na relação entre o continente e a Madeira.»

 

Eu: «Agora, devido à mais que provável pressão dos tenebrosos fiscais alemães, o Ministério da Saúde ateniense lembrou-se de pôr em prática aquilo que há muito se impunha: cada “invisual” terá de fazer prova prévia de invalidez antes de continuar a empochar a pensão. Uma maçada para aqueles que alegam serem cegos de nascença enquanto passeiam alegremente pela ilha sem necessidade de cão-guia nem bengala.»

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