Mulher com Altifalante


#$&%#,

fr.jpg

(Mulher com Altifalante, Escola de Vermeer, c. 2010-2020)

Sobre estes anti-vacinas já aqui botei o que me é suficiente, resmungando a histeria ignorante que os imobiliza, seja nisto do Covid-19 seja nas restantes doenças. E  muito me indignei quando antes do processo de vacinação surgiram alguns patetas a propagandearem contra a participação nesse passo sanitário – a primeira pessoa que vi nesse disparate foi Maria José Morgado na tv. Mas, mesmo considerando estes anti-vacinas um coro de coirões, entendo que é muito diferente discutir a vacinação da população em geral ou a das crianças, o que não significa que acredite eu que a Pfizer e congéneres sejam os Herodes actuais.

 

Dito isto, leio muita gente muito ofendida porque 30 ou 40 desses maluquinhos anti-vacinas, em estado de histeria aguda, foram ontem à porta do restaurante onde comia Ferro Rodrigues. E ali se fartaram de emitir perdigotos e de gritar impropérios, com altifalante ou a plenos pulmões, ao actual Presidente da A.R.

 

 

 

(Pedro Passos Coelho, protestos na Feira do Livro em 2012)

 

Face a isso as pessoas “bem-pensantes” ofendem-se, clamam a inadmissibilidade desta “arruada”, dos insultos e da agressividade. E a partir dela reafirmam o perigo iminente do fascismo. Porventura detectam a insidiosa mão do prof. Ventura. E presumo que até reconhecerão o espírito de Steve Bannon, conluiado com o de Farage, já para não falar do halo magiar, e mais demónios que haja.

 

Enfim, eu lembro-me destes agora ofendidos a saudarem outras pequenas arruadas “espontâneas”, dos seus perdigotos e insultos, perfeitamente descabidos. Como esta, na simpática Feira do Livro lisboeta. Nesses momentos os tais aos quais agora doem os joanetes encontravam virtuosas aquelas acções genuinamente populares, denotativas do sentir das boas e sofridas gentes. E já nem falo de ver centenas ou milhares de manifestantes carregarem sobre a Assembleia da República, em pancadaria com a polícia ali convocada para defender a sede da democracia. Com as gentes da “esquerda” saudando o vigor e rigor democráticos que brotavam daquelas “acções populares”.

 

Ou seja, toda esta hipócrita incoerência dos patetas que por andam a clamar a inadmissibilidade de se incomodar o presidente da AR é muito mais grave do uma velha gorda aos gritos num alto-falante. Ou então tudo se resume a ser virtuosa a gritaria contra o PSD (o Demónio) e malévola a contra o PS (o Espírito Santo). 

41 comentários em “Mulher com Altifalante”

  1. “… E presumo que até reconhecerão o espírito de Steve Bannon, conluiado com o de Farage, já para não falar do halo magiar, e mais demónios que haja….”. Gostei deste lanço.
    Mas olhe, JPT, olhe que isso é chinês para aquele pessoal. Quer queimar-lhes o fusível?.

  2. Basta recordar quão épico foi o corte da ponte 25 de Abril, grande demonstração de fulgor democrático.

  3. Também ficámos a saber que só nas manifestações de “negacionistas” há insultos. É engraçado ver esta manipulação… oops! notável descoberta do jornalismo. Nunca se insultou o Poder em manifestações até hoje em Portugal. Começou no ano 2021 do Século XXI.

    PS: Eu estou contra manifestações que afectem a vida privada de pessoas e que atinjam um grau de assédio que destrua a Ágora liberal.
    Isso é tão válido para o Passos, como para o Ferro Rodrigues, o Costa, o Ventura, o Louçã ou qualquer outro. Não se pode ter uma manifestação que insulte o Ventura e a notícia seja censurada e uma onde se insulte o Ferro e tal não é só notícia como ainda a PSP faz participação ao Ministério Publico. E onde ficam as mães dos árbitros?

    1. Uma notícia sobre o Ventura é censurada? Como é que sabe isso?
      Se é censurada não houve conhecimento dela. O mesmo acontece aqui no blog: só o próprio é que sabe se é ou não censurado, o próprio e quem aplica o lápis azul.
      Mas há certas notícias, calhando do Ventura, não serão verdadeiramente censuradas, antes não publicadas por não verdadeiras ou por se adivinhar gerar polémica propositada.

  4. Este ataque fachista à liberdade do Dr. Ferro nada mais é que uma demonstração de indivíduos influenciados pelos símbolo do Estado Novo ainda existentes na sociedade. Por esta e outras razões é urgente retirar das paredes quadros sem enquadramento histórico e mandar abaixo o Padrão dos Descobrimentos. Pronto, neste caso pode fazer-se uma concessão e apenas tapar o facho edifício com um daqueles naperons gigantes da autoria da artista Joana Vasconcelos.

    1. O naperonismo é uma boa proposta para o necessário enquadramento ideológico da nação. Realço que exigirá o expurgar das bibliotecas públicas (e nisso convoco a atenção da nossa co-bloguista bibliotecária Zélia Parreira) de várias obras de Lobo Antunes, figadal inimigo dos tão necessários naperons.

  5. Acham que chamam negacionistas a estas pessoas —por muito errada que estejam— para ocultar o facto de que há muita gente descontente com o regime e que está a tomar uma atitude. isto não tem nada a ver com vacinas. Se calhar perderam alguma coisa ou foram prejudicados pelo socialismo tentacular e cada vez mais fascistóide. Por que razão não se podem manifestar e chamar nomes aos políticos como faz a esquerda? Só porque não são de esquerda?

    E porque carga de água iriam chatear o FR se isto fosse sobre vacinas? Ele não tem nada a ver com as vacinas. Ele próprio foi “negacionista”. Acho que era mesmo sobre o FR, por ser um dos senadores desta merda: arrogante, gordo e estúpido.

    1. V. percebo que não se está a referir explicitamente ao teor do postal mas quero sublinhar isso para quem aqui passe: eu não usei o termo “negacionistas” mas sim “anti-vacinas”, o que é algo diferente. Quanto ao que diz sobre Ferro Rodrigues: várias vezes aqui (ou no meu blog) o critiquei devido às suas posições face ao Covid. Mas os termos que V. usa para o definir são – e digo-o por experiência própria – passíveis de processos criminais. Ou seja, aceitei o seu comentário mas não me venham por mais um processo em tribunal acusando-me de difamar um político atentando-lhe contra a ilustre reputação.

      1. O Público, recordo-me, retirou da sua edição digital um texto crítico da vacinação das crianças (seguramente de mais um negacionista, sendo que cada vez mais “negacionista” é aquele que nega a infalibilidade do governo e da senhora das orquídeas e não aquele que nega a pandemia) com vários argumentos, sendo um deles “o tom desprimoroso e supérfluo usado pelo autor em relação a várias personalidades da nossa vida pública”.

      2. Chamar arrogante e as outras evidências a alguém agora é crime? Juro que não sabia. Não quero de forma alguma colocá-lo numa situação difícil, caro JPT.

        Mas se utilizar epítetos que estão no dicionário para definir alguém que nem sequer está presente agora é crime, então reforça o que eu estou a dizer: o regime está a ficar persecutório e facho como o regime que finge que derrubou (no fundo todos sabemos que foi o outro que caíu de podre)

        Um abraço

    1. Deixe-se de coisas, acha que se fosse um pateta masculino e esquálido eu não teria descrito o emissor de perdigotos no mesmo registo?

  6. Não é bonito ver este tipo de manifestações contra pessoas.
    Meu caro, estes coirões como lhes chama, podem muito bem ter razão no que defendem.
    O meu negativismo é a cautela pelo que observo e sei.
    Que há muitos mesmo muitos vacinados que têm certos problemas graves, há! Que são escondidos, São!
    Duvido muito das estatísticas apregoadas. Aguardemos o que o futuro nos ensina.
    Dir-lhe-ei apenas que não há dados sobre o grau (%) de imunizição.
    Pelo que sei, é muito baixo, daí as cautelas com os contactos.

    1. Eu acho que são coirões. Posso estar enganado, claro. Mas tenho a certeza de que podem berrar patetices na rua tal e qual os coirões do BE e quejandos. É só isso…

  7. Mas então já não temos o direito à indignação?

    Aquilo por que passou ontem a segunda figurinha do nosso Estado é uma pálida amostra do que passou Passos Coelho durante anos. Em 2013, quando Passos Coelho foi à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, um grupo de estudantes recebeu-o com um coelho pendurado numa forca. Profissionais do protesto grandolavam para abafar membros do governo, bloqueavam carros de comitivas ministeriais e agrediam os responsáveis pela segurança sem que me recorde de ouvir, uma vez que seja, Ferro Rodrigues apelar à PGR para que fizesse o seu trabalho.

    1. Ao ministro das finanças de Passos Coelho até escarradelas atiraram num supermercado, quando estava nas compras com a mulher, mas eram escarradelas da esquerda…

    2. Não era preciso o Ferro Rodrigues apelar à PGR, nessa altura estava lá o Zeca Mendonça que com duas sarrafadas resolvia o assunto.

    3. Nesse tempo do Passos com certeza que haveria muita gente com pouca vontade de lhe chamar queridinho.
      Contou um português que foi preso pela policia militar brasileira que durante o interrogatório chamava ‘seus filhos da puta’ aos policias. Então queriam que lhes disse-se não me apertem os colhões queridinhos, explicou o preso.

  8. Para haver uma certa lógica seria esta contra Ferro Rodrigues e outra contra a Dra. Maria Assunção Esteves, e para a contra Passos Coelho bastava a que apareceu, a seguir, em frente da AR. ‘Tá bem que uma foi de negacionistas contra vacinas e a outra foi contra o não sei quê e a comparação da gritaria foi o que se pode arranjar.

  9. Se mal que pergunte, que tem o Ferro Rodrigues, que é presidente da AR a ver com as medidas anticovid?
    As leis da AR são votadas pelo parlamento não são ditadas pelo presidente, e o presidente da AR nunca teve poderes executivos.

    O que tem a covid a ver com insultos do género pedófilo e assassino?
    Quando não gostamos das pessoas é permitido insultá-las, porque sim?

    Que quem tem a pancada das antivacinas se manifeste é o seu direito, defender que perseguir políticos que estão a jantar no restaurante é uma forma de protestar parece-me ligeiramente pateta. Não me lembro de Passos ter sido perseguido por manifestantes quando jantava, o que não é bem o mesmo do que protestar durante acções políticas do executivo.

    A direita tradicional tem o problema de, tirando os lunáticos, não conseguir que a sigam na rua em ações de protesto, mas chamar a si os doidinhos não é processo de corrigir essa falha.

    1. Só estiveram em casa do Passos, escarraram num supermercado ao ministro das Finanças, ataques ao restaurante do chef Avillez chamados de “protestos” porque tinha relações com Israel. Ameças de violência que impediram liberdade expressão e associação com a cumplicidade da administração da Universidade Nova de Lisboa a Jaime Nogueira Pinto. etc…

      No meu já longo diccionário da narrativa jornalista adicionei esta:
      -as pessoas de esquerda são insultadas pelas manifestações
      -as pessoas de direita são apupadas pelas manifestações.

      1. Vejo que concorda com o que fizeram a Passos Coelho, visto que acha que é o se deve fazer a mais políticos.
        Sendo assim não percebo muito bem qual a sua queixa.

  10. a inadmissibilidade de se incomodar o presidente da AR

    Se fosse somente o presidente da AR a ser incomodado, não faria mal nenhum.

    Mas, pelo que leio neste post (não vi alhures o que se passou), parece que incomodaram também pessoas que jantavam no restaurante, causando prejuízos a essas pessoas e ao próprio restaurante (e aos seus trabalhadores). E isso parece-me já deveras inadmissível.

    1. Tem razão. Ainda se fossem incomodar pessoas que iam assistir a uma tourada, e causar prejuízos à Praça de Touros (e aos seus trabalhadores) aceitava-se. Assim não.

    2. o que julgo mesmo inadmissível é aplaudir quem chama de não-sei-o-quê aos gritos, enquanto incomoda uma actividade económica e a vida pessoal dos circundantes, se este for do PSD. E vir depois guinchar como uma prostituta de rua histérica porque alguém insulta de não-sei-o-quê aos gritos, enquanto incomoda uma actividade económica e a vida pessol dos circunstantes, se este for do PS. Julguei que isso, a minha abjecção por prostitutas de rua histéricas aos gritos, estava patente no postal.

  11. Por acaso considero uma estupidez que os apologistas das vacinas covid.19, prejudiciais em muitos casos, ineficazes, sem provas de efeitos a longo prazo e sem estudos credíveis que comprovem o que propagandeiam sobre uma imaginária diminuição da gravidade da doença eventualmente causada pelo bichinho, queiram que outros dêem o couro que não lhes pertence.
    Este esquema de bandarilhamento em massa é a diversão do momento; e os amigos dos touros não vêm em seu socorro.

    Quanto ao senhor Rodrigues, é estúpido o que lhe foi feito. Como também foi estúpido o que o senhor Rodrigues, um valentão contra os bichos covids, argumentava para a existência de umas festas programadas, e não só.

  12. Manchete de hoje

    “DIAP de Lisboa investiga ataque contra Ferro Rodrigues “

    Ataque… ignóbil…

    “O DIAP de Lisboa está a investigar o cerco a Ferro Rodrigues no passado sábado junto a um restaurante em frente ao Parlamento.”

    Será que o Ferro teve de recorrer às tripas, para suportar o cerco?

    1. “Ataque” e “Cerco”. Onde já vai o jornalismo na manipulação.

      Mas pessoas assassinadas e propriedades incendiadas por BLM já são “protestos” para o mesmo jornalismo.

    2. Ele é o Presidente da Assembleia da República, a terceira figura do Estado.
      Quer se goste ou não se goste.

      1. Em termos de hierarquia do Estado por acaso é a segunda.. Mas em termos de Senhor dos Anéis é o mais orc deles todos.

  13. A sorte dos manifestantes é que não estava lá o ciberdeputado, ele exorcisava o negacionismo daquela gente à cacetada.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *