DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Não é a primeira vez que refiro aqui o céu de Jerusalém, uma das mais impressionantes cidades em que estive. Junto agora um vídeo que pode ilustrar o que então tentei descrever. E se acomodo este vídeo na série ‘modo de vida’ é porque há muito me deixei fascinar por Israel.»

 

Ivone Mendes da Silva: «É a distância ainda quente, / é a distância incompleta, / é o caule de Setembro / a emergir da terra.»

 

Luís M. Jorge: «Se eu também for esperto obediente atilado / não muito impaciente nem muito apressado / Hei-de encontrar padrinho hei-de ter um aliado / e mais tarde ou mais cedo, mamã, chegarei a algum lado.»

 

Rui Rocha: «Ontem anunciaram que o aumento do número de crianças por sala permitirá criar 20 mil novas vagas nas creches. É, claro, uma má medida. Todos sabemos que as crianças precisam de espaço e vistas largas. Para estreitezas bem basta o pouco tempo que passam em casa, confinados à cadeirinha, enquanto o pai vê o Benfica, assim o nevoeiro o permita, a mãe actualiza conhecimentos no Facebook e o irmão de seis anos estuda com a profundidade necessária todas as potencialidades da Wii.»

 

Teresa Ribeiro: «Foi Margaret Thatcher que disse que a sociedade não existe, só existem indivíduos e famílias. A frase, muito citada, reflecte um pensamento em que a direita se revê: culpar a sociedade é desculpabilizar os indivíduos, os únicos cuja existência pode ser comprovada pelas leis da física, logo os únicos que podem ser responsabilizados por tudo o que de bom ou mau acontece na praça pública.»

 

Eu: «Assinala-se hoje o centenário da primeira mulher que recebeu carteira profissional de jornalista em Portugal. E é um aniversário felizmente celebrado com esta particularidade: Manuela de Azevedo está viva. Num meio que durante gerações esteve interdito a mulheres, ela arregaçou as mangas e soube mostrar quanto valia. Como repórter talentosa, entrevistadora de mérito, crítica que deixou rasto e também dramaturga e escritora – o seu livro de estreia, em poesia, teve prefácio de Aquilino Ribeiro.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. há muito me deixei fascinar por Israel

    Eu não conheço Adolfo Mesquita Nunes, mas creio que, se ele é do CDS e não da IL, isso se deverá precisamente a ser uma pessoa religiosa, que por isso não consegue engolir completamente o liberalismo. O que explica também o seu fascínio por Israel (fascínio que é partilhado por muitos cristãos norte-americanos).

  2. a sociedade não existe, só existem indivíduos e famílias

    Vá lá que se reconhece a existência de famílias… já é um avanço em relação a somente se reconhecer indivíduos.

    Mas, da mesma forma que a relação familiar é fluida, pois que estamos dispostos a apoiar como se fossem familiares indivíduos que apenas longinquamente pertencem à nossa família, também existem relações fluidas entre famílias, as quais acabam por constituir a base para uma sociedade.

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