Liberdade sim, mas só para nós


Pedro Correia,

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Quarenta e sete anos depois do 25 de Abril, chegámos a isto: queremos a democracia para nós enquanto toleramos e até aplaudimos a implantação de ditaduras noutros quadrantes. Tenho pensado nisto enquanto escuto à minha volta várias vozes mostrando indiferença ou até um discreto regozijo pela queda do regime de Cabul, substituído pela sinistra turba talibã.

Ao ouvir isto concluo, uma vez mais, que pecamos por falta de apego à liberdade. Tenho a convicção de que muitos portugueses não se importariam de voltar a ver por cá um regime “musculado”. Só isso explica a defesa que fazem, nas redes sociais, dos regimes autoritários ou ditatoriais implantados além-fronteiras.

O mais contraditório é que muitas das pessoas que emitem opiniões deste género estão sempre a enaltecer o “nosso” 25 de Abril. Enquanto negam que outros povos tenham o seu próprio 25 de Abril. Democracia aqui, tudo bem; ditadura noutros países, tudo bem também.

«Não me venham falar em direitos humanos», vou lendo e escutando demasiadas vezes. Frase que poderia ter sido proferida por Salazar, reeditada neste Portugal do século XXI. Como se a atracção pelos regimes de “pulso forte” estivesse inscrita no nosso código genético. E se calhar está mesmo.

42 comentários em “Liberdade sim, mas só para nós”

  1. O desejo de “pulso forte” acentua-se sempre que a democracia se transforma numa fachada, a corrupção circula de forma descarada e impunemente, a justiça fica refém dos interesses dos próprios operadores.
    Como dizia o Sousa Tavares numa das últimas crónicas: o nosso país nunca deveu tanto como hoje, nunca gastou tanto como hoje, e os contribuintes nunca pagaram tanto como hoje. Estamos a passar o limite.

    1. Querermos uma democracia é uma coisa. Tê-la… é que já é outra história!!!
      Tem toda a razão o Sousa Tavares. Como se explica tudo quanto ele refere? Vive-se da fachada.
      “Há quase cinco anos estive em Salvador, na Bahía, onde fui companheiro durante um par de horas de um taxista… Tinha visto há pouco tempo um documentário numa televisão brasileira sobre nós e apanhou-me ali a jeito … Queria saber, porque não tinha percebido no tal documentário, qual era o nosso motor económico. Engasguei-me. Ignorância minha, mas eu nem sabia que Portugal tinha um motor económico. Tentei mudar o rumo da conversa, depois de me ter ocorrido dizer-lhe, para acabar com o assunto, que Portugal se limitava a viver de empréstimos e impostos, mas decidi fazer com que o ponto da vergonha fosse o Brasil corrupto. …
      Como vive a economia portuguesa?, insistia. A pergunta era honesta. Enchi-me de coragem e disse-lhe que o turismo naquela altura estava em expansão, … Que os têxteis isto, o horto-frutícola aquilo, … Depois apercebi-me do quão ridículo estava a ser e fui directo. Sabe o que é Portugal, senhor? É igual ao Brasil, mas mais pequeno e com menos crime. Rimos.
      «Eles falam que somos irmãos, mas o portuga é que é o pai, viu? O filho não podia dar certo», finalizou ele “.

      Um artigo certeiro de Nuno Gonçalo Poças, in Observador.

  2. Que é que se pode esperar quando um militar mostra mais competência que todo um governo e oposição juntas?!

    1. Nem mais.
      Quando governos e oposições, embarcaram, particularmente com Costa MAI e reforma da GNR 2007, sem qq reparo nas Ops, a duplicar generais e oficiais superiores, e tentar economizar com os agentes,
      tal como agora com um governo de Setenta para repasto da tribo PS e sem qq crítica das Ops,
      prestes a materializar o desígnio António Costa,
      hay que terminar con la mili.
      «Modernização en marche» -Restelo 2020 dC
      O Nó Górdio militar e o 11º Mandamento
      «Plano Setorial Defesa Nacional para a Igualdade 2019-2021» Produção Cravinho MDN.
      «Vasco Lourenço escreve carta arrasadora para Cravinho» -Sol (27Jul)
      O colapso das Forças Armadas” – André Pardal no Público (26Jul19)
      «Querem isso, Exército sem soldados?» -Nuno Rogeiro, na Sábado (4Jul19)
      «Uma reforma que define um novo modelo para a DN» -Aguiar Branco (2013)
      «O reforço da tendência de militarização» da GNR-MGen Monteiro Valente (2007)
      «A reforma da instituição militar estará concluída em 2007» – Severiano Teixeira (2006)
      «O ministro está a fazer uma revolução tranquila no MDN» – Luís Amado (2005)
      «O Exército marcha para a mudança» – General Viegas CEME (2002)
      «FA -o caminho do futuro, que tropa queremos?» – General Alvarenga CEMGFA (2002)
      «Reforma das FA -uma reflexão» – Jorge Sampaio PR (1999)
      «O Exército não pode fechar mais quartéis» – General Barrento (CEME)
      «Desafios das FA no virar do século» – Veiga Simão (2Abr98)
      «Racionalização dos efetivos, um imperativo de modernidade» – Fernando Nogueira (1992)
      «Vamos combater a nossa inércia» – General Loureiro dos Santos CEME (1991)
      PS: como afirmado há muito pelo Joaquim Aguiar, para descanso dos arrivistas jotas no poder:
      Já não há padres nem militares (com ameaças ao poder)

  3. Só não estamos a assistir à rebaldaria de rotação de governos da Primeira República por estarmos nas mãos da União Europeia, que nos vai embalando com as suas chupetas em forma de bazuca e distraindo das cólicas que nos atormentam.

  4. Direitos humanos? Actualmente só têm direitos as minorias e os funcionários públicos. Para os outros é só deveres: paga e não bufes.
    Se nascemos para ser prostitutas, ao menos dêem-nos o cartão do PS!!

  5. Pedro: muitas das pessoas que defendem esses regimes “musculados” enaltecem o nosso 25 de Abril porque, como se percebeu pelos meses seguintes, o regime pensado por muitos dos responsáveis pelo 25 de Abril era, ele próprio, um regime “musculado”. O 25 de Abril é festejado como o dia da liberdade mas nesse dia só terminou a ditadura do Estado Novo: a liberdade foi garantida, isso sim, no 25 de Novembro.

    1. O 25 de Abril é uma data desdobrada por três, João: o dia do derrube do regime (1974), o dia da primeira eleição verdadeiramente livre em Portugal, para a Assembleia Constituinte (1975), e o dia da entrada em vigor da Constituição da República, também o da eleição da primeira legislatura em democracia (1976).
      Alguns, por cá, festejam a data ocultando o seu significado mais amplo. Como se as partes não integrassem um todo.
      Ainda por cima, monopolizam-na e nacionalizam-na, fazendo tábua rasa do alegado “internacionalismo” que por vezes apregoam. Como se o 25 de Abril tivesse donos – o que seria a negação do seu espírito mais genuíno.
      E monopolizam-na de tal maneira que sentem-se horrorizados perante a perspectiva de haver outros “25 de Abril”, fora de Portugal. Em países onde vigoram ferozes ditaduras. Países como o Irão, a Síria, a Bielorrússia, Cuba ou a Coreia do Norte.

  6. Também temos o direito de usar o dizer do “não governam nem se deixam governar”, pelo menos uma vez. Não são muitas vezes que nos podemos colocar como país do 1º mundo com a postura de superioridade tão grada à Velha Europa.
    Uns acham graça aos “afigões” mandarem para casa os “amaricanos” com o rabinho entre as pernas (para alguns, mais vetustos, servirá de consolo para quando aconteceu o mesmo aos camaradas sovietes), outros estão-se literalmente borrifando para o território, eles que se matem e esfolem por lá.
    Também os há, os que acreditam na democracia orgânica, que é deixá-los sossegados, daqui a meia dúzia de anos o povo sai à rua para colocar papoilas nos canos das espingardas, e fica tudo bem.

  7. a actual democracia m-l é herdeira da que implodiu na urss.
    europa e gringo sleep joe discursos de impotentes a gritar eternamente «é agora !!!!»

  8. Mas o Afeganistão era uma democracia?
    Eu diria que era um regime parecido com outros da região, como o Irão ou a Palestina, digamos assim, que de democracia só têm uma fachada.

    1. A Palestina é tanto da região como a Arábia Saudita, que é uma monarquia e nunca ouvi falar de eleições, como p.ex.no Irão.
      Agora no Afeganistão vamos ter um Emirado, estava tudo combinado por mais que nos queiram atirar areia aos olhos. Não é por acaso que o Qatar, lá há eleições que até chateia, andou sempre metido no assunto com os EUA e os sauditas, são os sunitas derem todo o apoio a grupos terroristas.

  9. Estou em crer que existem várias arestas da escravidão. A liberdade, tal como a felicidade, é a cultura do desapego. Eu não dependo da liberdade para ser livre. A liberdade não é um dom, mas uma conquista.
    Todavia, no caso em apreço, não há pássaro de gaiola que não fique no “ninho” mesmo com a porta aberta.

  10. É absurda a legitimação destes regimes facínoras. E o regozijo com a desastrada retirada dos EUA do Afeganistão, paga em vidas humanas. É não só absurda, como imoral e desumana.
    A tragédia é real.

    1. É absurda a legitimação destes regimes facínoras.

      Os regimes não se legitimam. Eles existem porque controlam o território. Os talibans controlam (mais ou menos) a totalidade do território afegão. Temos que os aceitar por esse facto, quer gostemos deles quer não.

      o regozijo com a desastrada retirada dos EUA do Afeganistão

      É o regozijo por haver mais um país que passa a ser controlado pelos seus habitantes e não por estrangeiros. É mais um país que é descolonizado. Note-se que o facto de um país ser descolonizado não implica que passe a ser uma democracia nem a ter um regime paradisíaco; a maior parte das antigas colónias não são democracias nem têm bons regimes.

      paga em vidas humanas

      A vida humana no Afeganistão sempre foi barata. Um ex-colega meu que conviveu com paquistaneses da região próxima do Afeganistão descreveu-me a mentalidade de lá: “eu e a minha família contra a família vizinha; a minha família e a família vizinha contra a aldeia vizinha; a minha aldeia e a aldeia vizinha contra a outra tribo; a minha tribo e a outra tribo contra os estrangeiros”. É assim no Afeganistão. A vida é dura, lá. Mas um ex-colaborador meu que visitou (há muitas décadas) o país disse-me que era extraordinariamente belo.

  11. Mas também já vimos quão errado foi querer exportar a democracia para países cuja população se identifica mais com a respectiva etnia ou facção religiosa do que com a respectiva bandeira. A democracia como a conhecemos não se tornou hegemónica no ocidente de forma instantânea, mas apenas após um longo processo muitas vezes violento. Querer saltar etapas nesse percurso é querer acelerar a história, o que causa sempre mais violência.

    1. “. A democracia como a conhecemos não se tornou hegemónica no ocidente de forma instantânea, mas apenas após um longo processo muitas vezes violento. Querer saltar etapas nesse percurso é querer acelerar a história, o que causa sempre mais violência.”
      Eis uma posição que me parece prudente e ajuizada e que vem ao encontro do que eu penso e exprimo noutros comentário.

    2. Tem razão Paulo. Mas depois de intervir não se pode sair assim e deixar as pessoas que trabalharam para as forças estrangeiras completamente desamparadas. A retirada dos EUA foi totalmente irresponsável.
      Fosse outro o presidente e tinha caído o Carmo e a Trindade.

      1. Sim Susana, o que está a acontecer no Afeganistão é terrível, assim como é terrível o que se passa nos campos de concentração onde a China coloca os uigures, e não menos do que será sobreviver em Caracas. Exigimos padrões morais aos EUA, ao mesmo tempo que encolhemos os ombros perante as invasões russas da Ucrânia e da Ossétia, apenas porque sabermos que eles não são sensíveis a qualquer apelo de decência ou de humanidade.
        Se um traficante mexicano assassinar um autocarro cheio de gente junto à fronteira dos EUA, isso nem merece ser noticiado, mas se o mesmo acontecer no lado americano, o mundo irá revoltar-se de indignação.
        A nossa comoção resulta da nossa normal e humana sensibilidade mas segue a reboque dos frenesins muito seletivos dos media.

      2. não se pode sair assim e deixar as pessoas que trabalharam para as forças estrangeiras completamente desamparadas

        Há que ter em conta que manter lá os soldados americanos a proteger essas pessoas custava um ror de massa. Cada dia que passava, era uma conta monumental a ser paga pelos contribuintes americanos.

        Os americanos resolveram o seu problema, indo-se embora o mais cedo que puderam. Fizeram eles muitíssimo bem.

        As tais pessoas, os americanos (e os outros países, Portugal inclusivé) tentaram e continuam a tentar resgatá-las. Estão a ajudá-las, na medida do possível.

        De qualquer forma, não é de forma nenhuma claro, até agora, que os talibans tencionem de alguma forma fazer mal a essas pessoas. Até agora, os talibans têm-se portado corretamente.

        O Vietname e os EUA também se combateram ferozmente durante uma década. Finda a guerra, não houve vinganças e atualmente os dois países são bons amigos.

    3. A democracia como a conhecemos não se tornou hegemónica no ocidente de forma instantânea, mas apenas após um longo processo muitas vezes violento.

      Excelente e muito correta observação.

      A “construção de nações” (nation building) na Europa foi feita à custa de uma imensidão de guerras e de mortes. Só americanos estúpidos podem imaginar que o nation building noutro sítio qualquer se possa fazer de um ano para o outro e de forma pacífica.

    4. É incerto até que o Afeganistão seja um país. Não falta quem considere que constitui mera soma de tribos muito diferentes entre si e que se digladiam há gerações em conflitos insanáveis.

      Inquestionável é que, nos últimos 20 anos, a esmagadora maioria da população afegã viveu muito mais livre do que em praticamente todo o tempo anterior. Designadamente a população do sexo feminino, que em larguíssima medida só neste período pôde aceder aos estudos e ao mercado de trabalho.

      Por mais incompleta e rudimentar que fosse a democracia por lá, ninguém duvida que houve ali um progresso gigantesco em matéria de liberdades. Excepto, claro, aqueles que festejam o 25 de Abril por cá e tudo fazem para que outros povos vivam num perpétuo 24 de Abril.

      1. Por mais incompleta e rudimentar que fosse a democracia por lá, ninguém duvida que houve ali um progresso gigantesco em matéria de liberdades.

        Certíssimo. Mas, precisamente, convém não confundir liberdades com democracia. São coisas muito distintas. Convém escrever com exatidão e distinguir muito bem entre mais liberdades e mais democracia.

        1. Sim. Liberdades, no plural. Concretas, não a liberdade singular, no plano abstracto.
          E há democracia formal em países onde as liberdades estão ameaçadas. Países como a Rússia ou a Turquia.

    5. A democracia não pega de estaca.
      A democracia precisa de um caldo feito de escolaridade, actividade cultural e bem-estar social para vicejar. Que por sua vez dependem do ultrapassar de barreiras geográficas, linguísticas e até meteorológicas. Uma história do ovo e da galinha, ou da criação de um círculo virtuoso.
      Outros dirão que a democracia só medra em períodos entre guerras. Como se fosse um rito de passagem para a próxima ditadura.

  12. Democracias e Ditaduras há muitas, apoiadas por outras tantas variadas Constituições.
    Por cá, nesta como na anterior, lá isso de votar vota-se sim, mas pouco mais.
    Luta-se só dentro dos partidos. Família e o Colectivo encarregam-se de ditar as regras. O demos sancionou, depois obedece.

  13. Compreendo o que diz e aceito tudo ou quase. Mas tenho uma dúvida profunda. Cada povo em cada época (há excepções) acredita que o que têm ou querem é o melhor para todos. Para nós (eu incluido) a democracia parece o melhor mas …. parece que a queremos impor aos outros porque é coisa boa. O mesmo pensam os crentes em Alá. Se Deus existe e o Alcorão representa vontade divina então todo o mundo deverá ser uma República islâmica (tem lógica embora eu não goste). Quem não for como nós … está errado. Por que razão se elogiou a Primavera Árabe? Porque parecia que eles se iam tornar idênticos a nós no que respeita à democracia.
    Mas a democracia é assim o melhor para todos? Então podemos ir a uma tribo de índios do Amazonas onde exista um chefe absoluta e dizer-lhes: vocês estão errados, têm de constituir Partidos Políticos, Sindicatos, associações, Parlamento etc etc. Resultará?
    E a Europa antes da Democracia como hoje a entendemos? Andava tudo enganado e só tão tardiamente descobriram a verdade? E a verdade de hoje como será avaliada daqui 1.000 anos?
    Agradeço opiniões (não sendo necessário, mas aceito, chamar nomes como se está a tornar comum nas redes sociais). Obrigado.

  14. Pensava que a democracia acontecia quando as pessoas escolhiam o próprio governo. O governo apoiado pelos EUA mantinha-se graças a um exército estrangeiro. Nem com muita imaginação se pode considerar esse tipo de governo um governo democrático.
    Imagine que os talibãs vinham a Portugal e impunham pela força das armas um governo, considerar-se-ia representado por esse governo?
    Quanto a Portugal e o 25 de Abril, foi prometida liberdade de expressão, de reunião libertação dos presos políticos de imediato, o que foi cumprido. Foi prometida uma constituição democrática e eleições livres o que foi cumprido. Não foi a nossa direita, que tinha prosperado à sombra da censura, da PIDE e da repressão que fez isso. Direita essa que por ter sido perdoada por ter alimentado o Estado Novo e os seus crimes, se considera impoluta e democrática, como se perdoar um crime apagasse a natureza desses crimes.

    1. “Pensava que a democracia acontecia quando as pessoas escolhiam o próprio governo.”
      É aí que está o problema. É que se não escolhem como nós, ocidentais, gostamos …. não presta! Será?

  15. Não diga isso, nós até podemos ser chamados os talibans da liberdade, tal é o nosso fundamentalismo.
    O português tem liberdade de casar só com uma mulher.
    A portuguesa tem liberdade para escolher a máscara obrigatória.
    O filho do português tem liberdade para escolher as alfaces e os brócolos que quer para o almoço.
    Até para levar uma simples vacina o português escreve que é de livre vontade.
    Ainda querem mais liberdade que esta? Aonde?

  16. Por todo o tempo se vêm sopesados os valores da liberdade e os da segurança e bem-estar que a todos aos governos compete promover.
    Os valores da liberdade integram toda uma moralidade que, caso os governos a desmintam pela acção dos seus agentes ou das suas leis, todo o equilíbrio de valores resulta perturbado.
    As virtudes que integram a moralidade são os temas mais desprezados em toda a avaliação corrente, do que resulta que tanto se enaltecem sistemas políticos corruptos onde se diz existir a liberdade individual, como se louvam regimes ditatoriais que se diz garantirem a segurança e o bem-estar.

  17. Lá por os EUA terem levada um baile, não quer dizer que haja por cá gente contente por isso.
    Quando muito há gente contente com a mesma boa disposição quando foram corridos os soviéticos.
    Mas, hoje nas notícias aparece: EUA admite a possibilidade de conceder ajuda aos talibãs a longo prazo.
    Este longo prazo o quer dizer: ah e tal estes já não são os mesmo talibãs de há vinte anos?
    Ou é já os EU a marcar terreno no ‘nós também queremos’

  18. O 25 de Abril não passa hoje de um velho chapéu, onde com os sérios defensores de uma democracia honesta e adulta se acoitam falsetes trituradores de toda a ordem e para todo o serviço abjeto, a quem basta ostentar um carimbo selado sempre à vista na testa, para que lhe seja conferida a condição de lutador faminto pela liberdade, enquanto a vai cuspindo em cada ato ou palavra que lhe sai do intimo.

  19. É impressionante que palavras como “laicismo” e ” humanismo” actualmente têm o mesmo significado… Islamismo!! Em nome do humanismo islamizou-se o Líbano é se pretende fazer o mesmo em Portugal… O Líbano com 4 milhões de habitantes, sendo metade cristãos, em nome do humanismo aconheu 2 milhões de refugiados de Meca… O Laicismo, em França, ao mesmo tempo que perseguia a cultura católica promovia a expansão dos mohameds no seu território…

  20. “O mais contraditório é que muitas das pessoas que emitem opiniões deste género estão sempre a enaltecer o “nosso” 25 de Abril.”

    Não é contraditório. Boa parte das pessoas que fizeram o 25 de Abril não combatiam as ditaduras. Queriam outras ditaduras.
    Como resultado dessas pessoas a Constituição de Abril “Caminha para o Socialismo”, logo fica claro que a Liberdade está a prazo.

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