
José António Abreu: «Partido Comunista e Bloco garantem-nos que a austeridade não resulta; que é indispensável relegar défice e dívida para segundo plano e (vá-se lá saber com que dinheiro) continuar a apostar no investimento público e nas transferências sociais. Ou seja, fazer exactamente o que [Alberto João] Jardim tem feito. Ainda que atacando estilo e métodos (mas são assim tão diferentes dos de Hugo Chávez, por exemplo?), PC e Bloco deviam antes elogiar a obra de Alberto João Jardim. Ele não faz mais do que aplicar as “soluções” que preconizam. Jardim devia ser um símbolo para a esquerda e não um embaraço para a direita.»
Laura Ramos: «Nomes deliciosos: Cruz. Celeirós. Um rio, Labriosque. Passos. Martim. Um pouco mais e pronto: eis-me chegada a estas paragens onde tudo é verde, tudo é granito escuro, a fazer brilhar hortênsias e glicínias, onde tudo é água e em suma, profusão. Agora, sim, apetece-me andar a 40. Quero sentir o cheiro forte a eucalipto, ouvir os cigarrais, gozar a noite fresca e perder-me a olhar o céu despudoradamente transparente, exibindo aquele disco branco, enorme, que me confirma a entrada num outro reino de grandezas.»
