
José António Abreu: «Quem discorda sempre de mim não pode estar bom da cabeça. Quem concorda sempre comigo também não.»
Laura Ramos: «A verdade é que as fronteiras entre a política e o topo da administração pública são movediças. E neste tema das nomeações dos altos dirigentes tudo se resume, afinal, ao agudizar de um dilema congénito: – Um director-geral, por exemplo, é ou não um comissário político? Questão candente, desde que me lembro. O que significa que a resposta esteve sempre longe de reunir consenso.»
Rui Rocha: «A Inglaterra tem actualmente uma taxa de desemprego de 7.7%. É uma taxa historicamente elevada mas, ainda assim, bem mais amigável do que a de certos países do sul da Europa que conhecemos demasiado bem. Por outro lado, os Jogos Olímpicos de 2012 darão origem a uma oferta maciça de empregos naquele país. Neste contexto, os que justificam os actos de vandalismo que ocorreram nos últimos dias com a falta de perspectivas de futuro e outras profundezas sociológicas falam exactamente de quê?»
Sérgio de Almeida Correia: «Agora o ministro das Finanças, como quem não quer a coisa, enquanto estuda onde vai cortar a despesa (até 5 de Junho quem tivesse ouvisse a troika de sábios do PSD – Leite Campos/Catroga/Moedas – não teria dúvidas de que estava tudo estudado), pelo sim pelo não tratou já de recuperar, com “juros”, por via das contas da electricidade e do gás, os onze euros de Mota Soares cuja distribuição foi anunciada. Isto começa a ter muito pouco de científico e demasiado de bruxas.»
Eu: «Enquanto na Europa uns destroem tudo à sua volta em busca de aparelhagem electrónica e vestuário desportivo de marca, milhões de habitantes do continente africano querem simplesmente um pão ou uma tijela de arroz. Desesperadamente. Não nos enganemos de perspectiva: é na direcção destes que devemos olhar.»
