Nuno Santos foi atropelado mortalmente no dia 18 de Junho por uma viatura ministerial. Quarenta dias depois, subsistem várias questões por explicar. Continuamos sem saber, por exemplo, a que velocidade seguia o automóvel e se a GNR fez – como se impunha – um teste de alcoolemia ao motorista. Questiono-me se haveria tanto silêncio em torno deste caso se o atropelado tivesse sido um turista norte-americano em vez de um trabalhador português.
Entretanto o Governo, instado uma vez e outra acerca da perigosa velocidade a que seguia o automóvel, continua firme na recusa em responder – tal como guarda silêncio sobre a autorização dada por Eduardo Cabrita à celebração do título do Sporting em Lisboa, a 11 de Maio. Ao ponto de o primeiro-ministro ter ordenado ao grupo parlamentar do PS para chumbar a audição do titular da Administração Interna na Assembleia da República – comportamento próprio de regimes proto-ditatoriais.
Como se estivessem em causa segredos de Estado. Como se o Governo não devesse prestar contas ao Parlamento.

Bom dia Pedro Correia
A transparência é coisa complicada.
Ocorre-me sempre – transparente = traz parente!
Certamente reparou na informação da GNR noticiada há dois dias sobre uma tragédia rodoviária de há oito meses, em que ainda não conseguiram concluir qual teria sido a velocidade do Range Rover acidentado. Há noticias “plantadas” muito convenientemente.
Se o acidente de há oito meses não tem ainda conclusões definitivas…………os mais recentes ficarão a aguardar…………….
António Cabral
Essa notícia é tudo menos inocente, caro António Cabral. Como é óbvio.
Quem alguma vez duvidou dos herdeiros da longa tradição de opressores ‘democratas’….
a autorização dada por Eduardo Cabrita à celebração do título do Sporting em Lisboa, a 11 de Maio
Eduardo Cabrita não deu nem deixou de dar autorização, porque não tinha nada que a dar. Tal como Fernando Medina muito bem disse, em Portugal há o direito constitucional de reunião – as reuniões não são sujeitas a autorização ministerial. Os adeptos do Sporting reuniram-se, e é tudo. O ministro não tinha prego nem estopa a meter nessas reuniões.
Cabrita teria sempre que dar ou negar autorização – como deu, facto comprovado no relatório elaborado pela IGAI – tratando-se da tutela máxima sobre a PSP. A polícia não toma uma decisão final em matéria tão relevante, envolvendo milhares de pessoas num acontecimento mais que previsível, sem estar devidamente salvaguardada por um despacho assumido no topo da hierarquia.
A parte institucional dos festejos do Sporting, que envolveu a caravana em autocarro aberto entre o estádio José Alvalade e o Marquês de Pombal, ida e volta, foi decidida a três: Sporting, Câmara de Lisboa e Ministério da Administração Interna. Com o ministro a ter a última palavra, como lhe cabia.
O “direito de manifestação” nada tem a ver com isto.
Esperemos que as coisas corram melhor com os festejos do Braga no próximo sábado.
A BMW tem forma de conhecer a velocidade a que seguia o carro. Falta é saber se está disponível para revelar a verdade, no caso de ter de chibar o ministro. Os governos portugueses têm sido tão bons clientes…
Mas mais difícil do que apurar a velocidade, vai ser definir de quem era a propriedade do veículo à altura do acidente. A sogra do mânfio a quem confiscaram a viatura ainda está a pagá-la ao banco…
Entretanto, do bolso dos contribuintes já sairam uns patacos para calar a mulher do finado, de forma que vai tudo dar em nada.
O drama, a tragédia, o horror, sempre fizeram parte da cultura informativa dos portugueses.
Tal como num “reality show ” a comunicação social só sobrevive se tiver audiências. Quantos jornais de referência não desapareceram porque nunca quiseram abdicar de uma informação séria e isenta?
Qual é o canal televisivo que não tem uma linha de orientação partidária?
Quando nós; espectadores, eleitores, contribuintes, mas no fundo portugueses, olhamos para este caso concreto do ministro, é sempre através dum filtro partidário. Que para uns a informação tem de ser transparente, para outros a informação pode ser translúcida.
Mas na minha óptica, a informação nem transparente nem translúcida, mas sim honesta e verdadeira.