Meias consequências


oanonimoanonimo,

O Conselho Superior do Ministério Público concluiu que o procurador Lopes da Mota pressionou os seus colegas que tutelam o caso Freeport para que fosse arquivado. Primeira consequência: foi-lhe aplicada uma pena de 30 dias de suspensão; segunda consequência: Lopes da Mota decidiu – e bem, mas com atraso – demitir-se do cargo que ocupa no Eurojust. Problema resolvido? Sim. Pela metade. Entendamo-nos: eu não conheço o procurador em causa, a decisão de o suspender ainda não transitou em julgado e já ouvi dele coisas boas e coisas más. E também não sei se o procurador fez as coisas feias que lhe atribuem. Mas parece-me óbvio que se Lopes da Mota entendeu que a punicão do CSMP foi bastante para se demitir do Eurojust, também deveria entender que era o bastante para deixar de ser magistrado. É que os factos que lhe são imputados não caem no domínio da mera negligência, a que todos estamos expostos. Pelo contrário, tais factos abalam o cerne do que deve ser um magistrado ou, pelo menos, um magistrado como eu entendo que deve ser. E, certamente, a Lopes da Mota não seria difícil encontrar um lugar na política. Onde, aliás, já esteve.

3 comentários em “Meias consequências”

  1. Clamar por um justiça célere, especialmente quando está em causa um PM, é sinónimo de pressão!? E uma pressão assim, é ilegítima? Dá direito a uma sanção!?

    Não admira o estado calamitoso da justiça portuguesa. E o mais grave é que começa a ficar claro que ela é irreformável: quando alguém dentro do sistema a questiona, é logo trucidado pelos seus pares. Uma vergonha, que ainda por cima merece o aplauso de alguns bloguistas.

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