DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «[Releria] Imensos [livros]. Em prosa e assim de repente: “Ficções”, do Borges. “Memórias de Adriano”, da Yourcenar. “O amor nos tempos de Cólera”, do Garcia Marquez. “As velas ardem até ao fim”, do Marai. O Eça de ponta a ponta, que me faz sempre rir. “A louca da casa”, da Rosa Montero. “Os capitães da areia”, do Jorge Amado. “O sol dos Scorta”, do Laurent Gaudé. “Don Quixote de La Mancha”, do Cervantes. “Memorial do Convento”, do Saramago. “A Paixão”, do Almeida Faria. “Teoria da Viagem”, do Michel Onfray. “Cartas a um jovem poeta”, do Rilke.»

 

José António Abreu: «Caminho pela cidade e percebo que estou a falhar. Que não pareço conseguir apreciar devidamente o que vejo e que, em consequência disso, sou incapaz de encontrar a tal qualidade que me seria endémica. Pergunto-me se a culpa será exclusivamente minha ou se a devo partilhar com os milhares de outros turistas. Destruiremos mutuamente a hipótese de atingir a plenitude? Mas então penso que Leavitt também classificou Florença como a cidade dos suicidas (e dos homossexuais) e que a propensão para o suicídio se pode dever precisamente ao facto de, com ou sem turistas, Florença mostrar ao visitante que este dificilmente estará à altura do desafio que lhe coloca. Certos locais – como certas pessoas – atraem mas expõem insuficiências. Magnífica, Florença consegue ser uma cidade cruel.»

 

José Maria Gui Pimentel: «Parece que a privatização da RTP 1 vai ser adiada. A minha esperança ingénua começa a desvanecer-se. Este é um caso prático – claro como poucos – de que, ao contrário do que defende muita Esquerda, Portugal não é vítima do liberalismo (neo ou não), mas sim de uma promiscuidade público/privado enraizada, consequência do excesso de peso do Estado num país latino. Esta protecção de determinados agentes não é liberalismo, mas sim a antítese deste, pois não é de livre concorrência que falamos.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Lutou por causas, preocupou-se com os outros, com o mundo onde vivia, e lutou para que ele fosse melhor da forma que considerava mais acertada. Ainda há dias a vi na televisão, mais magra, com a tenacidade de sempre. Sendo uma mulher à direita, e às direitas, marcou pela ousadia, pela coragem, pela inteligência e acerto das suas intervenções. Habituei-me a ouvi-la e a respeitá-la. E sei que vai fazer falta num País onde continuam a faltar mulheres na política. E gente civilizada. Como ela.»

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