Patriarcado


Cristina Torrão,

A propósito da dominância dos homens sobre os outros seres humanos e sua consequente impunidade, lembrei-me de algumas histórias passadas na aldeia de origem do meu pai, perdida nos montes transmontanos, no concelho de Macedo de Cavaleiros. Das que conheço, escolhi quatro, todas passadas durante a primeira metade, ou meados, do século XX. Achei interessante apresentar testemunhos deste contexto especial, porque, devido ao isolamento da aldeia até aos anos 1970, a justiça raramente lá chegava. Era um mundo fechado. E este acaba por ser um retrato da nossa província, pois em todo o lado haveria casos semelhantes. 

1 – Um pastor passava o Verão com o rebanho no monte, não ia dormir a casa meses a fio. Uma sua filha costumava ir levar-lhe a comida, todos os dias, começou a fazê-lo com cerca de dez anos, uma caminhada de várias horas, tanto a ida, como a volta. Quando tinha 12 ou 13 anos, engravidou do pai. Aquele era um tempo cheio de superstições, o fruto resultante de uma relação incestuosa era considerada diabólica, ou coisa parecida, e a miúda foi escondida/isolada durante toda a gravidez. Não consta que o pai dela sofresse restrições ou censuras. O meu pai, que me contou esta história, também não faz ideia do que foi feito ao bebé. Só sabe que desapareceu.

2 – Uma mulher, à volta de quarenta anos, acabou por morrer devido aos maus tratos infligidos pelo marido e deixou seis filhos entre os dois e os dezasseis anos. O homem ficou impune e tornou a casar. A sua segunda mulher não quis os filhos do primeiro casamento, só ficou com a mais pequena, de dois ou três anos. Os outros foram simplesmente abandonados. Os padrinhos dos dois meninos levaram-nos para as suas casas. Das meninas ninguém quis saber. O pai das crianças ficou impune também por este crime, ninguém o denunciou às autoridades. A filha mais velha, de dezasseis anos, tinha um namorado, com quem ficou a viver, e levou consigo uma das irmãs. Mas eram muito pobres, não podiam ter mais ninguém a cargo deles. Outra irmã, de doze anos, foi trabalhar numa pensão, em Macedo de Cavaleiros. Acabou por casar aos quinze com um cliente dessa pensão. A mais nova, que ficou em casa do pai e da madrasta, era sujeita a muitos maus tratos por esta. Uma vez, deu-lhe tal tareia e deixou-a tão pisada (a menina tinha três anos!), que duas senhoras da aldeia, ricas e moradoras em Lisboa, tiveram pena dela e levaram-na consigo (foi assim que me contaram, não sei mais pormenores). Pelos vistos, não se deram com ela e acabaram por a entregar à Santa Casa. A miúda fugiu, em adolescente, e terá enveredado por uma vida de prostituição.

3 – Numa casa rica da aldeia, faziam-se serões de fado, a que assistiam várias famílias, também a do meu pai, criança, à altura. Cantavam e dançavam. Um dos cantores/tocadores de guitarra fugiu para Angola com uma das mulheres que costumavam participar nesses serões. Ela era casada e deixou duas filhas de seis e oito anos com o pai. Poucos dias depois de a mãe desaparecer, a mais velha surgiu morta. Estranhou-se muito este caso, pois não se conheciam doenças à miúda. Passados mais alguns dias, surgiu morta a mais nova. Desconfiou-se do pai. Mas ninguém o denunciou às autoridades, não foi aberto nenhum inquérito. As meninas foram enterradas e o pai continuou a sua vida. Tornou a casar e a formar família.

4 – Um homem de outra aldeia foi trabalhar para a do meu pai como sapateiro. Deixou a mulher e os filhos na sua aldeia de origem e engraçou com outra, na localidade de acolhimento. Começou a assediá-la, mas ela recusou-o sempre. Até que a paciência dele se esgotou. Um dia de manhã, foi a casa dela munido de um machado e começou a agredi-la. A vizinha deu conta e foi ajudar a amiga. Acabou por morrer com uma machadada. Entretanto, surgiu mais gente, o homem acabou por ser controlado e a mulher que ele tencionara matar sobreviveu, apesar dos muitos ferimentos infligidos. O assassino cumpriu pena, não havia como ignorar o seu ato. A mulher que ele matou deixou seis ou sete filhos, o mais novo tinha quatro anos.

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Freguesia do Lombo, concelho de Macedo de Cavaleiros, anos 1960

 

Camilo Castelo Branco também nos fala da violência que, no seu tempo, imperava nas relações humanas. Da leitura de Amor de Perdição, não foi o caso amoroso que retive, mas sim, a violência extrema no seio das famílias e a forma vergonhosa como as filhas eram tratadas:

«- Vais hoje dar a mão de esposa a teu primo Baltasar, minha filha. É preciso que te deixes cegamente levar pela mão de teu pai. Logo que deres este passo difícil, conhecerás que a tua felicidade é daquelas que precisam ser impostas pela violência. Mas repara, minha querida filha, que a violência de um pai é sempre amor (p.33)».

«Não sofras com paciência», diz Simão numa das suas cartas a Teresa, «luta com heroísmo. A submissão é uma ignomínia, quando o poder paternal é uma afronta» (p. 67).

«Que a não desejava morta, mas, se Deus a levasse, morreria mais tranquilo, e com a sua honra sem mancha»  (p. 103).

 

Nota: a paginação diz respeito à edição ebook disponível no Projecto Adamastor.

56 comentários em “Patriarcado”

  1. Cristina anda numa obsessão, que raio de perseguição ao homens ! Nos parecemos uma peste.
    Até já me pergunto se não era melhor ter nascido mulher, por este andar não falta muito para nos homens sermos escravos e tratados a lei do chicote por mulheres musculadas e de farta cabeleira.

    1. Não persigo homens, estou casada com um. E citei um dos nossos maiores escritores (homem).
      De resto, limitei-me a apresentar casos verídicos.

      Se alguém tem exemplos de crueldade da parte de mulheres (que eu não nego que exista; veja só o que a madrasta referida fez à enteada de três anos), também é livre de o denunciar.

      1. Acredito que sim!
        E com todo o respeito!
        Penso que era bom que o seu marido escrevesse um texto aqui para o DO a dizer que é bem tratado pela Cristina para ficarmos todos mais descansados.

        Obrigado!

  2. 28-05-2021

    “O Tribunal da Relação de Coimbra (TRC) considerou que atos como pontapés, palmadas e puxões de cabelo não constituem crimes de violência doméstica, de acordo com o ‘Jornal de Notícias’ (JN)”

    Justiça ???

    Carla Santos

  3. Nesses tempos a vida humana era barata. Produziam-se muitos filhos, mas muitos deles morriam na infância. Havia também muitos acidentes de trabalho, e doenças fatais. Morrer mais uma mulher ou menos uma mulher, mais uma criança ou menos uma criança, fazia pouca diferença. A vida humana tinha pouco valor.
    Na sociedade atual tudo isto é muito diferente. A vida humana cresceu imensamente de valor. Nascem muito poucos bebés, e também não se aceita facilmente que pessoas morram. Morrer uma mulher ou uma criança é uma tragédia que se procura a todo o custo evitar.

    1. O meu pai conta-me que um lavrador da sua aldeia ficava mais incomodado com a morte de uma vaca do que da mulher (já nem falo em crianças, os pais só olhavam para os filhos a partir dos três ou quatro anos). As vacas eram caras. Por seu lado, não faltava quem soubesse lavar e cozinhar e estivesse em condições de parir. Os pais das moças até agradeciam que as levassem.

      1. Os pais das moças até agradeciam que as levassem.

        Pois, e isso era em Portugal (e na Europa), onde ainda era atribuído algum valor positivo às mulheres. Noutras civilizações, como a indiana e a chinesa, os pais das moças até pagavam (e muito!) para que lhas levasem. Aquando do casamento os pais das noivas tinham que pagar um imenso dote à família do noivo. Ainda hoje em dia muitos pais indianos arruinam-se para pagar a quem se case com as filhas.

      2. Já contei aqui esta história, Cristina. Foi minha mãe que a ouviu a um saloio da zona de Loures. Dizia ele, para quem o quisesse ouvir, que preferia que lhe morresse um filho, que uma vaca, “porque as vacas custam muito dinheiro, enquanto filhos, pode-se sempre arranjar mais um!”

        1. ” enquanto filhos, pode-se sempre arranjar mais um!””
          Frases esquisitas qualquer, homem ou mulher, um pode dizer. E mais a sério ou menos a sério, mais sentida ou da boca para fora. E qualquer um pode depois interpretar como quiser. Achei curioso porque na minha aldeia era muito mais frequente dizerem “enquanto filhos, é sempre difícil eivitá-los” do que a sua que cito acima.
          Agora que os homens são, no geral, uns malandrins, é verdade. Veja-se a guerra. Enquanto que as mulheres que se oferecem para guerra são (por enquanto) uma raridade.

        2. Teresa, com a minha mãe e comigo aconteceu algo semelhante. Eu era ainda bebé e, numa visita à aldeia “medieval”, fiquei com febre. A minha mãe ficou aflita, sem médicos à vista e sem automóveis (Macedo de Cavaleiros fica a 20 km e, nessa altura, os meus pais ainda não tinham carro, assim como não havia nenhum habitante que o tivesse, nem sequer tractor; também não havia telefone). Um tio do meu pai, ao ver a aflição da minha mãe, irritou-se tanto que lhe disse: “Tem medo que ela morra? Deixe-a morrer, que arranja outra num instante!”

  4. Li uma vez uma tese sobre os três tipos de sociedade humana e as correspondentes moralidades.
    Os três tipos são a sociedade primitiva, de caçadores-recoletores, a sociedade agrícola, e a moderna sociedade industrial.
    A sociedade agrícola tinha uma moralidade muito diferente da nossa atual. Nós vivemos numa socidade industrial moderna, que tem uma moralidade muito diferente da de uma sociedade agrícola, como o era o Portugal dos anos 1950 de que a Cristina nos fala neste post.
    Em particular, numa sociedade agrícola as mulheres são propriedades dos homens. Quando nascem são propriedades do seu pai, o qual depois as vende ou oferece ao seu marido, o qual passa a ser o seu novo proprietário.
    Paa nós atualmente tal moralidade é chocante e inaceitável. Mas, há 100 anos, era essa a moralidade aceite em Portugal, tal como o tinha sido ao longo de muitos milénios na generalidade do mundo.

  5. Responde a autora, a um comentário anterior, que não persegue os homens, limitando-se a apresentar casos verídicos. Decerto, não se contesta; a segunda afirmação. Quanto à primeira, remeto para o início do “post”: “A propósito da dominância dos homens (…)”. A propósito, creio, por ser um tema especialmente querido – na denúncia do mesmo, entenda-se – à autora. Um seu verdadeiro tema “fracturante”. Tem sido ela quem aqui o tem trazido, repetidamente e com inquestionável constância de pensamento. A autora denuncia e denuncia o que de mal os homens fazem; quem quiser denunciar o que as mulheres de mal fazem, que o faça que essa não é a sua, da autora, missão (a madrasta, enfim, é um incidente de percurso). E, para a autora, os homens fartam-se de fazer mal. Dir-se-ia que são maus até prova em contrário (talvez apenas o seu marido a tenha conseguido produzir, tal prova, satisfatoriamente).

    É, afinal, absolutamente lícito pensá-lo. E também, felizmente, poder afirmá-lo uma e outra e outra vez. E pense-se o que se pensar – do tema (que a violência entre humanos – entre humanos – é um facto, penosíssimo, trágico e largamente impune, só a uma besta merecerá dúvida ou negação), e do seu tratamento (relatam-se agora factos com larguíssimas dezenas, ou mais, de anos; ora os tempos são outros, a violência do homem sobre a mulher, ou mais genericamente do Homem sobre o Homem, não desapareceu, mas as coisas não são como nessa altura, os tempos são outros e pretender ilustrar uma dominância masculina com factos de há duas gerações atrás não será a argumentação mais honesta: é que não é preciso, salvo numa perspectiva histórica, “académica”; o problema ainda existe, como antes nada o legitima e, felizmente, já são outras as mentes, de quem sofre desde logo, e já são outros os meios, jurídicos e não só, de o combater) -, a forma é coerente, tanto mais que a autora nem por um instante esconde a sua trincheira, digamos, numa guerra que uma e outra vez revolve e em que há um omnipresente agente agressor: o macho da espécie e uma invariavelmente indefesa vítima: a fêmea da espécie. E secundariamente as crianças. O resto, quem quiser que dele se ocupe.

    Tem um mérito, desde logo: é de crer que é uma visão – e comunicação – das coisas que nunca merecerá os cuidados punitivos da Lei 27/2021. Pelo contrário, estará definitivamente de acordo com a via bem-pensante do tempo presente (e futuro, é de crer).

    O pessimismo antropológico é desgraçadamente uma atitude mais e mais prudente. Tudo à nossa volta, de facto, parece legitimá-lo. Mas a fonte do mal é múltipla e não tão cristalinamente maniqueísta.

    1. Não pretendo, nem posso, abraçar todas as causas. Há muita miséria e muita injustiça no mundo. Ninguém consegue abarcar tudo, cada um que escolha a sua luta e faça o que pode. E o Costa já está com sorte, pois a causa animal também me é muito cara. Mas evito falar dela aqui.

      1. Minha sorte que a senhora, como eu, se preocupe com os animais e a geral (ir)responsabilidade do animal dito “racional” perante eles? Bom, é uma causa que partilhamos (bem como o horror à violência entre humanos e, nesta, a usualmente designada como “doméstica”; creio que a Cristina – permita-me este trato – concordará – , embora só se pareça ocupar de uma parte dessas violências: a última e se o agressor for de sexo masculino).

        Bem vê, essa partilha, se é minha sorte, sê-lo-á também sua. Sorte ou um partilhado campo de tristezas, desilusões e cuidados mal compreendidos. Mas de facto, do que de si leio, um nosso campo comum. Como este que aqui nos traz, afinal, em que eu diria que estamos substantivamente do mesmo lado. Diria eu, que não seguramente, parece, a senhora.

        Continuarei a lê-la, creia, com vivo interesse. E a discordar (diria que mais quanto à interpretação e aos meios, do que à substância das questões) quando disso for caso. Deixando-o aqui algumas vezes. Para publicação se a senhora assim o entender.

      2. Para: Cristina Torrão

        “Evita falar dela aqui!”

        Sendo eu um defensor da dignidade dos animais que são inocentes e vitimas de toda a maldade humana. Acho sinceramente uma cobardia da parte da Cristina fazer tal afirmação, porque todas as causas em que verdadeiramente acreditamos e consideramos justas, não devemos ter medo de falar ou de reivindicar justiça.

        Não sei se viu as notícias de ontem e a miséria do que aconteceu numa moradia em Loures com nove cães, de uma maldade hedionda que me faz cada vez mais ter vergonha da espécie humana. Não podemos ser cúmplices nem observadores distraídos e indiferentes! Não podemos aceitar!!

        Admiro-a nesta sua causa, mas não abdique da causa animal !!

        Joana Matos

        1. Não vi essa notícia, Joana. Estou na Alemanha e leio alguns títulos e artigos da imprensa portuguesa aqui na net, mas escapa-me sempre muito. Sigo algumas instituições portuguesas de apoio animal no Facebook e vou fazendo doações.

          Como vê, não abdico. Mas há muitos comentadores aqui que reagem muito mal a publicações desse tipo. E uma pessoa evita ficar deprimida…

  6. Não sei se a propósito de alguns comentários por aqui deixados.
    Encontrado, hoje, no «Horas Extraordinárias», blogue de Maria do Rosário Pedreira:
    «Ainda a semana passada o patrão do meu pai o castigou por ele estar a dizer aos que trabalhavam com ele, que deviam pedir mais dinheiro que aquele não era nenhum para demanda da comida e a casa que se tem de pagar. E o patrão do meu pai deixou o meu pai sem trabalho uma semana em que só, só eu como, por assim dizer, por via de estar no asilo que só lá não durmo.
    E a minha mãe fartou-se de moer o meu pai com palavras e choros, homem não te metas nestas coisas, olha o resultado que dá, a gente aqui a morrer de fome e os outros de barriga cheia, que o patrão não os castigou mas só a ti que eras o das ideias.
    Que uma das tarefas dos patrões é a de castigar os empregados e a tarefa dos empregados é a de trabalhar para os patrões a fim de estes ficarem mais ricos e mais patrões. Talvez eu um dia case com um patrão.
    A verdade é que isso não quer dizer nada, pois quando o meu pai vem bêbado e bate na minha mãe, grita: aqui eu é que sou o patrão. E ela cala-se e põe-se a chorar baixinho.»
    Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa em «Novas Cartas Portuguesas», pág. 293, Editorial Futura, Lisboa, Maio de 1974.

    1. O meu avô trabalhou para uma empresa de uma das pessoas mais ricas de Portugal naquele tempo. Em 1980 tem uma trombose e nunca mais foi o mesmo e morreu em 1984. Lembro-me bem do sofrimento dele, só não percebia o porquê, anos mais tarde mais adulto sei que este patrão entretanto falecido tratou mal o meu avô assim como outras pessoas da empresa( … ) Este patrão foi o responsável pela morte do meu avô com apenas 64 anos. (…)
      Era o meu avô que me ensinou a colecionar selos e moedas… sempre brincalhão até aquele ano de 1980, depois nunca mais foi o mesmo, cansava-se muito…

    2. “aqui eu é que sou o patrão” Coitadas de nós. Nascemos com menos força, que havemos de fazer? Esperar pela bondade dos homens? Talvez num futuro (próximo, longínquo?) sejam todos santinhos.

  7. Houve quem argumentasse nesta caixa de comentários que estas são histórias do passado. Serão. Mas a verdade é que hoje ainda há muitas mulheres a morrerem por violência doméstica, por isso o tema é, infelizmente, muito actual. Por isso obrigada, Cristina, por estes posts!

    1. Também existem muitos homens a sofrerem constantes pressões psicológicas as mãos de mulheres e até agressões físicas.Hoje em dia até raparigas de 13 anos batem nos rapazes.
      Será esta a nova educação das futuras mulheres?

        1. ” nunca morreram numa guerra.” Claro que morreram. Andei na guerra colonial e, quer se goste quer não, os homens sofreram incomparavelmente mais do que as mulheres. Chegávamos a ter inveja de não sermos mulheres, apesar de na década de sessenta o ambiente ser muitíssimo mais machista do que hoje. Não com paremos o incomparável. Temos de ser rigorosos.

        2. Cristina Torrão como é que é capaz de dizer uma coisa dessas e dormir descansada.
          Não morreram mulheres nas guerras nem houve violações?
          A guerra é uma constante violação de direitos. Lamento esse seu desconhecimento!

          José Tavares

  8. Casos esporádicos, ou não, cada um despeja aqui quantos quiser. Homens que batem em mulheres, mulheres que batem em homens, homens que batem em homens, mulheres e homens que batem em crianças e velhos. Mulheres a quem os maridos metem um par, e vão é chegar a roupa ao pêlo à amante, crianças que batem em velhos e velhos que batem em cães. Os cães também são gente, pelo que se diz.
    A nossa sociedade é cruel, e normalmente a cultura da violência é dos fortes sobre os fracos. Por razões históricas e culturais, o homem branco (não esquecer o que apanhavam os mestiços, por exemplo) estavam no topo da cadeia, mas acima dessa sociedade do patriarcado estava a sociedade do dinheiro. Quem tinha as massas fazia e desfazia do pobre, fosse ele, ela ou misturado. Nada como ter dinheiro.
    E se no que respeita ao patriarcado a coisa já esteve pior, ter dinheiro continua a valer como carta de estar livre da prisão

    1. “Os cães também são gente, pelo que se diz.”

      Observação muito infeliz, provavelmente para o Anonimus ainda são coisas. O que mostra bem a sua mentalidade básica e primitiva.

      1. AVISO: não irei publicar mais nenhum comentário sobre este tema. Além de não ter nada a ver com o assunto do postal, já começou o diálogo de surdos entre anónimos, o que não leva a lado nenhum.

        1. Entretanto passou a insinuação travestida de afirmação insultuosa. Obrigado pelo direito ao contraditório.

        2. Desculpe Cristina mas este Anonimus é um provocador. Não aguentei ! Se há aqui alguém travestido é esse senhor que atira a pedra e esconde a mão. Eu não insultei fiz apenas uma constatação do facto.

  9. Cristina Torrão, apesar de ter havido quem aqui já tenha sugerido que «Nesses tempos a vida humana era barata», li-a como que, pelas «histórias passadas na aldeia de origem do (s)eu pai», com as devidas adaptações, todas elas até se podem descobrir Hoje, décadas depois: ora no exemplo apontado pela Carla Santos, de que para o TRC, «pontapés, palmadas e puxões de cabelo não constituem crimes de violência doméstica»; ora naquele mais conhecido caso em que, o marido e o amante da vítima, ambos sentindo-se humilhados, viram reconhecidos os seus “direitos” de fazerem justiça pelas suas próprias mãos porque até «Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte»! Terem usado uma “moca com pregos” foi apenas um sinal de que «Na sociedade atual tudo isto é muito diferente»: a “adúltera” nem foi subterrada à pedrada!
    Sobre “relações incestuosas”, julgo que até só os mais voluntariosos desatentos não querem reconhecer que a questão, invariavelmente, se desenvolve a partir da suposta incapacidade dos machos/homens controlarem os seus instintos mais animalescos («O menino tinha apenas dois anos. Na sexta-feira à tarde, foi violado pelo padrasto») e claro, sim, muitas das vezes, com a “colaboração” das próprias mães o que, para muitos até servirá para o habitual relativismo em que a “mãe” é sempre a “pior”.
    Logo de entrada li aquele comentário em que a pintam como que «anda numa obsessão, que raio de perseguição ao homens ! Nos parecemos uma peste.» – creio, para mim, que foi o maior elogio ao seu até inofensivo “post”: era suposto ele ser sobre «histórias passadas (…) durante a primeira metade, ou meados, do século XX»… não era necessário o entenderem como actual.
    Por favor, continue a teimar: sei que o DO é assumidamente de direita; sei que V. também o é mas que haja alguém que contrarie a “narrativa” troglodita, com ou sem rodriguinhos, assumida pelos machos do blogue.

    1. António Vaz gostei da sua intervenção!
      Só quero fazer aqui uma pequena observação:

      “sei que o DO é assumidamente de direita;” É verdade! O que o DO parece por vezes não perceber é que as causas nobres não fazem parte da direita ou da esquerda, fazem parte de princípios e da essência de cada um. Há quem tenha e quem não tenha!

  10. Estes casos choviam pelos lugares mais primitivos, mais pobres e com pouca cultura. O lado animal das pessoas e sem disfarces. Acerca da morte dos filhos diziam “é menos uma boca para alimentar” e acabou-se…, o incesto tornava-se quase uma coisa banal e era tapada a vergonha, abafada pela própria família. Matavam-se os “anjinhos”, os acidentes de percurso, como quem afogava os gatos quando nasciam, nos ribeiros.
    Hoje acontece ainda, mas mais disfarçado – incestos, perseguições, violações por assédio e até mortes; mas é pintado com sofisma, com camuflagem , mais “à sucapa”, mais embrulhado em tecnologia e á distância, com cinismo, devido a haver mais ” preparação cultural”…
    A essência do mundo é animalesca e primitiva eternamente!

  11. Estamos a habitar um Mundo muito cruel!
    Como mulher quero agradecer-lhe os textos de alerta que tem construído . São uma esperança de mudança!

    1. “Estamos a habitar um Mundo muito cruel!”
      Discordo completamente. Há dificuldades, há sempre e não são pequenas. Mas tivemos muita sorte em não ter nascido num dos milhares de anos que nos precederam. Se tivéssemos nascido há 400 anos? E há 10.000? Teria sido melhor?
      Sou optimista e encaro a vida com alegria embora acreditando que a vida é luta. E reconhecendo que há sofrimento (e no tempo em que não havia anestesias e as amputações eram a sangue frio?).

    2. Estamos a habitar um Mundo muito cruel!

      Há uns milhares de anos. Ou na Antiguidade a coisa era melhor? Talvez na idade média os direitos humanos estivessem no topo das prioridades.

  12. O pecado de João Agonia, do Bernardo Santareno, espelha bem essa violência patriarcal na sociedade rural portuguesa dos anos 60. Um crime de honra, como sabe quem leu. Tocou-me muito e tenha pena de nunca ter visto esta peça representada.

  13. Excelentes exemplos do poder que muitos querem obter sobre outros.
    Agora aplique tal critica à sua ideologia com quer impor a sua vontade.

  14. A mulher, sempre as mulheres!

    O Homem hoje luta pela sobrevivência atacado por feministas que tentam lançar-lhe culpas ancestrais de todo o mal que há no mundo. O homem besta existe ! Mas o que as mulheres parecem esquecer é que eles vieram todos da barriga de uma mulher. A educação do homem passa pelas mulheres, sendo por isso as principais responsáveis do homem bom e do homem mau.

    Os Cro magnon são fruto da educação de uma mulher!

    Arnaldo Costa

    1. Muitas mulheres (antigamente, a esmagadora maioria) transmitem a educação que receberam, sim. Ou seja: machismo, patriarcado. Mesmo sendo subjugada e maltratada, é muito difícil ir contra aquilo que aprendemos em criança. Basta constatar como são mal vistas as mulheres que tentam mudar os costumes.

      1. “Basta constatar como são mal vistas as mulheres que tentam mudar os costumes.” E as pessoas (homens e mulheres, não distingo) que tentam mudar algo mais profundo. São proscritos?

        1. Cuidado caro anónimo!
          Pode ser excomungado! A Cristina Torrão é uma defensora acérrima do bem estar da mulher, até ai tudo bem, mas o pior é que a fogueira crepita labaredas para os lados do macho man.

          Rui Rodrigues

  15. Conheço um fórum com alguns frequentadores racistas.
    O método que usam é igual ao deste post, procuram caracterizar a raça negra através do relato dos crimes que alguns elementos dessa raça cometem.
    O resultado é igual, uma visão extremamente distorcida desse grupo racial.
    A autora deste post segue o mesmo método, seleciona os maus exemplos, por vezes de credibilidade duvidosa, e usa-os como se fossem o paradigma de toda uma sociedade.
    É o método que usam os racistas e os misogenos, escolhem casos que sustentam a sua tese e divulgam-nos.

    1. Eu não vejo aqui ninguém a caracterizar a raça negra. Nunca ouviu falar de racismo entre os próprios brancos??!!

      1. Não é uma questão de ser aqui ou noutro lugar.
        É uma questão de ser um método muito falível para retratar a realidade, mas muito eficaz para alimentar ódios e preconceitos. Sejam eles raciais ou, neste caso, a misandria.
        Escolher casos pontuais extremos para sustentar um tese é um péssimo método para mostrar a realidade de uma dada época e região.
        Se eu quisesse podia publicar diariamente num blogue meia dúzia de notícias ou videos atuais de agressões fisicas graves cometidas por mulheres, negros ou carecas. Servia para alimentar ódios, mas para mais nada.

        1. Até agora estive calada, mas este anónimo está a deturpar o meu postal decidi, por isso, intervir.

          Crimes são perpetrados por pessoas de todas as etnias, sexo, etc. e de quase todas as idades. Não é isso que está em causa, mas sim o facto de uma comunidade inteira pactuar com crimes como os relatados, numa clara protecção dos criminosos e total desprezo pelas vítimas, apenas por se tratar de homens, no primeiro caso. Além disso, atente-se ao caso do pai que abandonou os filhos à sua sorte: os rapazes foram recolhidos nas famílias dos seus padrinhos, das raparigas ninguém quis saber. Se isto não é discriminação sexual, ao abrigo de uma comunidade inteira, não sei o que será.

          Calar estes crimes é pactuar com eles. O objectivo não é alimentar ódios, mas contribuir para uma mudança de mentalidades. Se há gente incapaz de a mudar, sem sentir ódio, o problema não é meu.

          1. Atente-se no caso do pai que abandonou os filhos à sua sorte.
            Será que os abandonou por iniciativa própria ou por imposição da sua nova esposa?
            Será que ao abandoná-los por imposição da nova esposa, que maltratava de forma grave a única filha com que ficou, isso é uma demonstração de patriarcado ou de matriarcado?
            A comunidade pactou com o abandono que o pai fez aos seus filhos e com a imposição que essa mulher, a nova esposa, fez a esse pai.
            E o que está a fazer, de forma completamente abusiva, é julgar toda uma sociedade, a partir alguns poucos casos pontuais, que nem sequer foram devidamente aprofundados.
            Como disse, conheço fóruns na net em que alguns utilizadores que usam exatamente este mesmo método para “demonstrar” que os negros são tendencialmente criminosos e inferiores aos brancos ou que o feminismo é tóxico e pretende é privilégios e não igualdade.

  16. A autora do post fala do interior, onde a vida era difícil. Nas grandes cidades quem sofria eram as criadas ou as senhora de limpeza, constantemente abusadas e oferecidas aos filhos dos senhores, para perder a virtude moral da virgindade. A autora nem se digna a falar dos filhos enjeitados das empregadas ou criadas e da vida de abusos que estas desgraçadas levaram como pau pra toda a colher.

    António Santos

    1. Mais alguma coisa, da qual não me dignei a falar? Nunca li um texto de blogue que tenha conseguido referir todos os problemas do mundo. Para a próxima, talvez seja melhor enviar-me uma lista.

      Tive um bisavô exposto da Santa Casa de Lisboa, do qual já aqui falei. Chega isso como exemplo das injustiças para com mulheres e crianças nas grandes cidades?

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