
«A escrita cresce em maturidade e elegância quando conseguimos, sem perder um átomo de informação, eliminar palavras que estão a mais. É um exercício de paciência e sensibilidade.»
Manuel Monteiro, Por Amor à Língua, p. 26
Ed. Objectiva, 2020

«A escrita cresce em maturidade e elegância quando conseguimos, sem perder um átomo de informação, eliminar palavras que estão a mais. É um exercício de paciência e sensibilidade.»
Manuel Monteiro, Por Amor à Língua, p. 26
Ed. Objectiva, 2020
Absoluta verdade. Mas já todos incorremos em inúmeros erros como os que estão assinalados na capa do livro. Não será demais ler o livro.
Recomendo.
Será que um livro com as palavras grafadas no sistema etimológico não irá colidir com a ortografia oficial grafada no sistema fonético?
Será que o livro não irá contribuir para mais uma confusão gráfica do português?
A vida das palavras não pode ser condicionada entre o certo e o errado. Esse livro pode estar muito certo mas à luz do novo acordo ortográfico também pode estar muito errado.
Duas coisas em qualquer caso são certas. Uma ortografia não é, sem mais, correcta apenas por ser a “ortografia oficial”; tal não é condição suficiente. O AO90 é exuberante demonstração disso.
É num livro de facto muito recomendável. Curiosamente, Fernando Venâncio, no seu “Assim nasceu uma língua”, íntegra Manuel Monteiro – ainda que a propósito de uma outra obra – num grupo que levará longe demais certo higienismo da língua, apontando-lhe uma “volúpia do erro no seu estado mais puro” em que “tudo quanto, na língua portuguesa, houver de relevo, de nervura, de autêntico, de irracional (mas todos os idiomas conhecem os seus escaninhos irracionais), tudo é cilindrado, assim se obtendo um idioma passadinho a ferro, lindo para encaixilhar.”
Mas um e outro, Monteiro e Venâncio, demonstram o absurdo indefensável do tal acordo ortográfico de 1990.
O essencial, neste caso, é procurar mais o que une (contra o famigerado AO90) do que aquilo que possa dividir.
Em todo o caso, o livro de MM é muito útil para todos quantos escrevem profissionalmente (jornalistas, professores, juristas) sem repararem nas “gorduras” das frases, cheias de redundâncias, cacofonias, constantes rimas (acabadas em “ão”, por exemplo) e de inúteis rendilhados (excesso de pronomes e artigos definidos ou indefinidos).
Inteiramente de acordo.
(e aquele “íntegra”, lá em cima, é “integra”, claro)
Escrever apressadamente leva a coisas destas: “É num livro de facto muito recomendável”, deveria ter sido “é um livro de facto muito recomendável”. Esse, de Manuel Monteiro.
Sendo certo que, pelo menos para mim, o de Venâncio também o é.
Em Março de 2019 li dois ou três livros de ajuda ao português; este foi o que mais gostei. Alertou-me para vários erros que cometia e julgo que muitos deles ainda me escapam: entre eles o uso excessivo de artigos definidos e indefinidos.
A frase é uma variação do conselho certeiro do ‘menos é mais’, mas abre outra questão: como ser parcimonioso nas palavras sem perder o carácter ou alma da escrita espontânea. Ao tentar estilizar demais o texto corre-se o risco de perder a alegria, o ritmo, a cadência. O próprio burilar tem que ser feito com arte, senão acabamos em textos insípidos, enfadonhos e impessoais – e claro que tudo dependerá do destino do texto em causa.
Deve haver lugar ideal entre o by the book sem cunho e a espontaneidade desregrada, já que escrever segundo as regras da gramática, apesar de ser um passo essencial, não é suficiente para escrever bem.
Cuidado com o burilar!
Será assim tão perigoso que mereça a exclamação?
Tive ocasião de escrever aqui sobre esta obra: ez-livros-para-comprar-na-feira-11742517
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/d
Fez um bom apanhado do livro. E a ironia do autor é notável.
O caso dos pronomes tal como os artigos é um drama. Lembro-me de ter um longo texto para corrigir e assustar-me com a quantidade de ‘seus’, ‘suas’, ‘mes’, ‘lhes’ etc., ao usar o filtro ‘localizar’ para detectar o uso excessivo.
A bola a sair para fora. Do funil.