
Gin tónico
As pequenas transgressões são sempre emocionantes.
A idade trouxe-me alguma sabedoria, mais calma, ponderação e a capacidade de apreciar a beleza das pequenas coisas e de me emocionar com elas. Trouxe-me também uma alergia às bebidas com gás e – oh suplício – às bebidas com álcool.
Não sendo a anafilaxia algo que dê gozo repetir, quedo-me pela abstinência, o que faz com que transgredir as normas seja sempre uma emoção.
Depois de vencer de sortes o que o bom senso e a precaução me vêm continuamente a recordar num importuno matraquear, entrego-me indulgentemente ao prazer de saborear a minha bebida favorita, fazendo ouvidos moucos à vozinha aborrecida que massacra “não bebas, olha a alergia”.
E se sabe bem.
Nada daquelas modernices com ervas, bagas ou frutas. Simples, com gin, água tónica, gelo e limão, ao fim do dia, à falta de melhor sentada à janela a perscrutar a linha do horizonte.
É uma emoção.
Imagem do Google

Comungo o seu gosto pelas pequenas transgressões. Só não a acompanho o Gin por nunca ter gostado do paladar. A alergia a mim traduz-se no chamado nó na garganta. Não trago, apesar de me transportar para bons fins de tarde há 16 anos em Luanda – lá bebia por precaução por causa do quinino da água tónica.
Agora se me falar de uma Vodka Limão (há quanto tempo não saboreio uma) ou num ‘Whiskyzito’ podemos brindar.
🍸🥃 Tchin Tchin
(a Huawei não conhece os copos de balão, sorry.)
Pois brindemos às pequenas transgressões, Isabel, cada uma com o seu veneno de eleição !
Tchin tchin 🥂
Boa tarde.
Exactamente como também faço, e bebo de vez em quando, olhando da varanda, com chapéu na cabeça que este tempo encalorado e nublado isso recomenda. Ajuda a pensar, incluindo nos meus “Chapéus”.
Boa semana de Páscoa. Saúde.
António Cabral
Chapéus Pensadores de qualidade não há muitos, António. Boa Semana Santa ! Tchin Tchin
Prefiro sumo de limão misturado com cachaça.
Uma boa capirinha é um espectáculo , balio. Talvez um bocado doce para o meu gosto, mas muito bom. O sabor agridoce da água tónica o é que me cativa.
Lamento a sua alergia. Alergias são algo que alimenta o meu pessimismo. Malthus, no seu famigerado “Ensaio sobre o Princípio da População” – que toda a gente repudia mas que poucos leram – previa a fome devido ao crescimento demográfico.
Enganou-se pois não previu os adubos, a “revolução verde” as estufas, os aviários e a pecuária intensiva, etc. que afastaram o espectro da fome generalizada. Mas, lá está o meu pessimismo, deixámos de comer comida natural e hoje comemos porcarias inenarráveis. Já terão sido afastadas as mais mediáticas, como as hormonas, mas poucos citadinos sabem que o que comem e muitos que privilegiam as saladas, não imaginam a semântica que se pratica em produção hortícola em estufa ou céu aberto. Já não se chamam hormonas mas “promotores de crescimento”.
Ninguém me tira da cabeça que, com uma boa ajuda da poluição do ar, aqui se filia o crescimento das alergias, practicamente ignoradas quando eu era criança e que hoje já justificam a especialidade médica de alergologia infantil!
No gin nem toco. Nos tempos loucos em que procurava ascender à categoria de cidadão do mundo embebedando-me regularmente, fui fã de gin mas cedo mudei para whisky quando me apercebi que dava ressacas muito mais toleráveis. Hoje só bebo ocasional e moderadamente, vinho tinto e sou exigente na qualidade. De facto, identifico-me bem com um escanção reformado francês que escreveu um livro sobre vinhos que começava com a frase: O primeiro dever de um vinho é ser tinto.
“O primeiro dever de um vinho é ser tinto.” Aforismo de qualidade!
Não tenho a mínima dúvida sobre a comida de crescimento rápido, seja ela animal ou vegetal. É por isso que de vez em quando procuro recriar sabores de antigamente, já que nestes tempos de mercantilismo alimentar, já nada sabe a coisa alguma. Tenho tido pequenas vitórias nessas tentativas, mas fresco e bom nem sempre são palavras complementares.
Não sou de beber, nem socialmente, mas o meu gin, uma boa cerveja fresca, uma sangria bem feita, um verde branco fresco ( “O” veneno, é tiro e queda), todas as semanas, nas folgas, nas férias, nas festividades, eram um hábito saudável que tive que ir limitando a uma vez por mês, e sempre com anti-histaminicos à mão.
Parece que também faz parte do entardecer.
O copo à parolo(a) na imagem.
O dress code do G&T na sua essência. Parolo para os parolos e para as parolas só mesmo a parolice crítica.
É um problema, o pessoal da Velha Guarda que servia o gin-tónico devidamente, ou já morreram ou então estão muito velhos, já na reforma.
Ficam estas parolices sem pés nem cabeça, que se têm vindo a acentuar no Século XXI, como esse copo na imagem quem nem lembra ao menino Jesus.
À Velha Guarda do Gin Tónico! Sieg heil!
Adoro um bom gin tónico! Assim mesmo: gin, àgua tónica, limão e gelo.
Na verdade, adoro bebidas alcoólicas e muito alcóolicas. As muito alcoólicas podem ser doces ou não, tanto faz.
Rakia, cachaça, vodka e aguardente (sobretudo de medronho). Marcha tudo.
Com muita moderação claro. 😉
Que castigo ser alérgico ao álcool.
Saúde! (cheers, nazdrave, skal, salud,…)
A alergia tem pouco mais de 3 anos, por isso tenho boas, fortes e doces memórias alcoólicas, Susana.
Mais uma saúde que tem algo a ver com a Páscoa, que lhe desejo boa e farta:
L’chaim
Talvez passe… O comportamento das alergias é muitas vezes imprevisível. Já tive alergias chatas que desapareceram sem deixar rasto. Boa Páscoa e boas transgressões, alcoólicas e não só.
😉
Pode ser que sim. Começou com panaché, veja bem. Álcool + bebida com gás. Depois foi progredindo para qualquer bebida com gás e qualquer bebida alcoólica. 🙄🙄
A melhor bebida do mundo. Quando faltarem poucas horas para bater a bota encharco-me em Gin e pisgo-me em glória deste buraco infecto.
To go with a bang or with a gin! Concordo, V.
Não havia nada melhor para mim, do que uma boa aguardente velha aquecida à beira de uma lareira. O calor era o único ingrediente extra que eu permitia na bebida. Infelizmente agora não passa de uma recordação do passado.
Curiosamente o Gin nunca me atraiu, nem com as tais modernices das ervas. Uma vez provei, soube-me a flores, desisti.
Como agora não posso beber bebidas brancas, nem de outras cores, vingo-me no tinto.
Agora estou na fase de experimentar as castas, já experimentei as regiões, e por fim irei experimentar os anos. Não que tenha pretensões de ser enólogo, mas para mim, é
como você diz, é uma emoção.
Também não sou fã de beber só gin, Carlos, exactamente pelo gosto um tanto floral. Com a água tónica, o gelo e o limão é um deleite. Sem ervas, ou bagas, ou frutas, ou vegetais, ou seja, modernices. Também tenho que consumir bebidas brancas com moderação, mas sempre prevariquei aqui e ali. Agora com isto das alergias é que fiquei praticamente arrumada, mas uma vez por outra armo-me em filósofa do ‘” quando morrer vou deitada” e lá vai uns gins. Fiquei satisfeita com os últimos exames médicos que não mostraram grandes alterações para pior, o que me daria mais espaço para filosofar, não fora a maldita alergia.
O meu pai teve o primeiro enfarte com 40 anos e bebeu bom tinto durante os 18 anos que se seguiram. O big one nada teve a ver com comida ou com bebida…
Aí estamos de acordo
Ter a linha do horizonte para perscutar… Where did you acquired this taste for luxuries?
Estar intermitentemente confinado faz-nos apreciar cada vez mais as pequenas coisas que se vêm da nossa janela, como a linha do horizonte, por exemplo. Olhamos, mas nunca vimos realmente e pode dizer que “ver com olhos de ver” é um luxo, sim. Adquire-se este gosto com outro luxo que se chama tempo.
Sim. Mas a maioria de quem vive nas cidades não têm linha do horizonte sequer.
Não tem, ou não quer ter? Pela sua definição, horizonte é uma linha imaginária ao longo da qual a Terra parece tocar o céu. Quem não tem imaginação, não pode ter horizontes, sejam eles reduzidos ou alargados. Para muita gente o horizonte possível é o skyline dos prédios da sua rua.
Sim, se não saírem de casa.
Ou se saírem, mas na realidade continuarem lá dentro, luck.