
Se há notícia que gosto de realçar e celebrar, é a do aparecimento de um jornal. Cá está ele, pintado de fresco, a merecer leitura atenta: chama-se Mensagem, é um periódico digital que tem Lisboa como assunto exclusivo. Um tema inesgotável, se assim quiseremos. Mesmo que Portugal já não seja aquele país que, como ironizava Eça, «cabia todo entre a Arcada e São Bento».
Felicito os jornalistas que lideram a Redacção, com sede no secular edifício d‘A Brasileira, do Chiado. Refiro-me à Catarina Carvalho e ao Ferreira Fernandes, que bem conheço e de quem sou amigo. Merecem todo o incentivo neste original projecto que contém a seguinte promessa editorial: «Política faremos muita e intensamente. A dos transportes públicos e a da bicicleta e a do vaguear. A do lugar do trabalho e a do divertimento. A proximidade do banco para levantar a reforma. A do vizinho que não quer o logradouro desperdiçado e a do cidadão que quer suas as suas ruas e praças. Ah, e a política da extraordinária e, tanta vez, admirável História. Causas pela causa, Lisboa.»
Longa vida, companheiros: contem comigo entre os vossos leitores. Um dia destes passo aí para tomar um café convosco.

Porque será?
Porque a maioria dos Lisboetas não tem uma figura a representá-lo, nessas 10 caricaturas, como têm essas 10 minorias?
Será racismo?
Será intolerância?
Será a ideologia do relativismo cultural?
Será um acto deliberado de expulsão?
Será um acto de agressão social e étnica?
Porquê?
Essas caricaturas… não são a triste ignomínia do Outro?
Nunca mais nos livraremos desse xenófobo fado?
Quando seremos Humanos?
Se calhar, teremos de ser pós-Humanos?
Ó SAP2ii, quer dizer que todos os Lisboetas estão representados e, mais não fosse, o primeiro Fernando Pessoa representa Lisboa.
Então entra aquela do afinal ‘não há lugares marcados?’ ora essa ‘escolha o que quiser dos vagos’.
Percebeu?, pois o problema é o que está escrito sobre a promessa editorial.
1. O problema reside exactamente aí.
2. No não cumprimento da “promessa editorial”, ao porem aqueles “10 tipos” como sendo o que representa os Lisboetas. Esquecendo os Lisboetas que não estão aí representados. Ainda por cima, o que é mais grave, são a maioria.
3. Percebe-se que a intenção não era essa. Era a contrária. Mas é para isso que serve a Crítica e o Debate. Para ajudar a dar consciência daquilo que não se tem consciência.
4. Neste caso, esse esquecimento, provoca dois erros:
4.1. Esquecerem o triplo processo de interpretação e compreensão que é necessário gerir. Concretamente, o relativo ao Emissor (autores do jornal Mensagem), ao Receptor (leitores e Lisboetas) e ao Objeto (a coisa em si, Lisboa).
4.2. Confundirem “narratema”, “narrativa”, “narrador” e “narratário” (para usar os termos técnicos utilizados na Teoria da Interpretação).
5. A minha crítica tem por objetivo apenas isso. Chamar a atenção para uma lacuna, que pode prejudicar o projecto editorial.
6. Concretamente, evitar nesse diálogo e partilha — que merece todo o elogio e incentivo — estarem dissimuladas “projeções paradigmáticas que possam ser um plano lógico subjacente à organização do texto narrativo” (in “Dicionário de Narratologia”, 2011, Almedina: Coimbra).
7. A maioria dos Lisboetas ao olhar para a imagem do anúncio, fica triste e magoada por não estar lá representada.
Ora bem. Associo os meus parabéns. E venha ele, o jornal de Lisboa. Para todo o país, julgo.
No thanks.
Acordês, FF e uma nórdica a meter canteiros em lugares de estacionamento é o sinal de que não é para mim.
Imagino que às tantas também vão “estimular o debate” sobre as estátuas. Quando dizem que tem de haver debate, é o sinal de que já está ganho: faz-se, prontos, e dizem que o debate que não foi debate e de cujos participantes só se conhece os intérpretes da conclusão (deles) já aconteceu.
Do Tweeter:
Câmara de Lisboa: Alm***ina
Só para se perceber a escala, a CM Lisboa emprega:
213 Contabilistas e Gestores
443 Arquitectos
65 Urbanistas
381 Juristas e Advogados
308 Engenheiros Civis (Mais que a Mota-Engil)
168 Historiadores
127 Sociólogos
A.Vieira
É pior do que a Monarquia!
Que fausta Corte…
E dizem-se Republicanos?
A nossa república teve um desfecho monárquico: onde antes havia só um rei, agora há muitos!
Abriu mais uma igreja, como as outras vem com uma Mensagem.
Como as outras estará cheia de padres e madres disfarçados de jornalistas.
A sua religião: a Política.
Movimento: Socialismos.
Vá lá, desta vez não vê nenhum marxista.
Mais valia que visse. O cancro do socialismo é muito mais real.
Vejo, vejo, de onde julga que veio este socialismo?
Não foi do Proudhon…
É pena que ali reine o acordês.