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Blogar é narcisismo, a crença de que se tem algo a dizer. Recuperar textos de blog, que são sempre de ocasião, é já doentio. Coligi-los é mesmo demencial. E já organizei três colecções, de textos dedicados a Moçambique: “Ao Balcão da Cantina”, “A Oeste do Canal” e “Leituras sem Consequências” (disponíveis na minha conta da rede Academia.edu). Tanta prosápia não augura nada de bom.
Em 2014, sem querer e sem planear, trambolhei de regresso a Portugal. E ao meu velho bairro Olivais, na Lisboa blasé. Da qual tanto gosto mas tanto me arrepia. Botei alguns textos sobre isso, o deslizar abrupto que se calhar é apenas o normal do envelhecer. Agora junto-os a alguns outros, também mais pessoais, alguns mesmo intimistas. Fica uma autobiografia – coisa ainda mais patológica de se fazer – em 35 postais. Juntando o meu desabrido regresso a Portugal à minha juventude bairrista. A alguns trabalhos, poucas ideias e a a(lguma)s amizades. E aos amores. De facto, nada mais é do que uma colecção que eu gostaria que a minha filha viesse um dia a ler, daqui a uns anos, conhecendo-me (lembrando-me?) um pouco mais. Se mais alguém encontrar interesse nisto será um prazer para mim.
Chamei-lhe “Torna-viagem“. Basta “clicar” e gravar o pdf. Se alguém encontrar interesse na tralha isso ser-me-á simpático: a tal cena de bloguista, os tipos que peroram.
Na folha de rosto deixo esta fotografia da minha filha Carolina, feita em Lisboa em Janeiro de 2014. Porque é mesmo assim …

Sim, percebo a mensagem “tudo é mais tudo contigo”.
A sua escrita é bem mais catártica e altruísta que narcísica. Catártica, na medida em que busca nela a incompletude que sente faltar; altruísta, na doação que já faz de si mesmo.
Ortega y Gasset tem uma admirável afirmação para a construção que o jpt faz da memória de si mesmo: “Eu sou eu e minha circunstância; se não a salvo a ela, não me salvo a mim”.
Continue em reconstrução. No cristianismo chama-se renascer. E em tom de desafio, poderá sempre acrescentar uma daquelas placas que se encontram quando existem obras no caminho: “Peço desculpa pelo incómodo causado por estes trabalhos. Prometo ser breve”.
Está no bom caminho.
Obrigado pela gentileza.
Tudo guardado nos favoritos,obrigado pela partilha.
Abraço
Fernando Antolin
Muito obrigado pelo seu interesse. Espero que lhe venha a ser agradável.
Também foi (ainda é), aí, «o meu Bairro».
Signos (bit) riscados na pedra-dura (it), tal como as pinturas rupestres no Vale do Coa, em Lascaux, nos túmulos egípcios, ou nos sítios públicos dos ditos “povos-sem-escrita”, ditos até, “pré-humanos”. Ainda diziam há poucos anos, que eram “povos sem História”.
De facto, uma bela e indizível viagem, pela ditadura da Linguagem.
Essa grilheta, de quem (ideólogos, políticos, cientistas, moralistas, e toda a panóplia invasores) nos quis programar e oprimir. Obrigando-nos a dizer por palavras, e a pôr em signos: «quem tu és?», «o que queres?», «em que acreditas?», «identifica-te!», etc. Foram esses, aqueles que chamaram a isso: “História”. Sempre aqueles que se dizem «do lado de fora do Individuo», os que afirmam a sua lealdade cega ao “Social”.
Afinal vizinhos?
Sim. Um sítio de rebeldia, uma quase nação…
identitário, com toda a certeza
Por ser o JPT a dizê-lo, e não outra pessoa, concedo a mim próprio isso (embora com relutância, por causa da minha luta pós-humana). Sim, identitário.
O Bom Filho a Casa Torna!
Cumprimentos de alguém que conhece muito bem os Olivais Sul, Norte,velhos, Encarnação. Os melhores espaços verdes de Lisboa que mereciam nos tempos de hoje serem mais bem tratados ( Saudades dos tempos em que se brincava na rua: subir as árvores, brincar as escondidas a noite, saltar a fogueira, tocar as campainhas das portas etc… em que se fugia da polícia por se jogar a bola na relva no final da década de 70 e início de 80 ).Não fui nenhum índio apenas um miúdo que brincou saudavelmente, pertenci ao grupo dos bons.
Um Abraço, felicidades jpt
Obrigado. Eu fui um bocadinho índio, confesso. Não lendário, apenas na tribo, E tem toda a razão, o bairro merece melhor tratamento do que o que tem tido.
Quero ler.
Obrigado pela partilha.
Um abraço
Obrigado pelo interesse. Espero que não violente a paciEncia
Comecei a ler, gostei do que li e guardei o texto para continuar a ler num outro dia. Obrigada.
Obrigado pelo interesse. E pela gentileza.