
Ana Vidal: «Vou contar-te um segredo, e tu vais prometer-me que o guardas para ti, só para ti. Vou contar-te um segredo, e tu juras que fazes dele um rio, um mar, um mundo. Vou contar-te um segredo, porque tenho uma indomável vontade de transformar palavras em flores, para que as uses ao peito num bouquet colorido, de dia, de noite e entre os dois. Todos os dias. E quero que só tu saibas que essas flores são palavras, e que essas palavras são o meu segredo.»
João Campos: «Há livros que lemos e dos quais gostamos muito. Bastantes, até. Que percebemos, antes mesmo de concluirmos a leitura, que são muito bons, extraordinários até, geniais. Que tornamos a ler com gosto, uma, duas, três vezes. Que recomendamos a todos os nossos amigos que leiam também. Mas há poucos livros que nos marquem verdadeiramente. Que nos atinjam em cheio. Que nos deixem sem palavras quando lemos as últimas linhas. Que nos deixem a pensar “que raio aconteceu?”, tal é o impacto que causaram. Que nos roubem todo o entusiasmo para deles falar, pois nem saberíamos ao certo por onde começar. Se ontem pensasse nos livros que em mim provocaram esse efeito, nomearia quatro: Aparição, de Vergílio Ferreira; The Catcher in the Rye, de Salinger; The Lord of the Rings, de Tolkien; e The Fountainhead, de Ayn Rand.»
Luís Milheiro: «Deu-lhe para sorrir, quando se lembrou da cara do chefe da redacção, quando o director o quis enviar para uma das campanhas dos socialistas: “ele não, é anarquista!”; o director ainda soltou, “e depois?” Não deu para perceber o resto porque o chefe falou em surdina quase ao ouvido, mas talvez lhe tenha lembrado a crónica hilariante que Pedro escrevera, quando uma peixeira de Almada atirou com um peixão às “fuças”de Soares, em plena campanha para as presidenciais, e que tanta comichão fez aos socialistas.»
Eu: «Assistimos nesta campanha a uma insólita simetria à das legislativas de 2009, quando um Sócrates recém-derrotado nas eleições europeias foi questionado quase exclusivamente não pela sua política desastrosa nem pelo incumprimento das promessas de 2005 mas pelo seu carácter. O PSD, com Pacheco Pereira a dar a táctica, andou enredado nisto até lhe cair em cima uma estrondosa derrota eleitoral da qual ainda hoje não recuperou. Estou à vontade para escrever estas linhas pois insurgi-me com clareza contra essa estratégia numa altura em que muitos pensavam que podia ter êxito. Desta vez os papéis invertem-se e é Cavaco Silva que vê agora o seu carácter posto em xeque por alguns dos rivais nesta campanha presidencial.»
