
João Carvalho: «Sempre me fez confusão o chamado Complexo de PCP, que consiste na felicidade de descobrir aqui e ali uma erva daninha no mundo livre, mas negar a tenebrosa floresta chinesa, norte-coreana, birmanesa, cubana, etc. Afinal, é idêntico à síndrome da avestruz, que esconde a cabeça para espreitar a privacidade dos outros, mas recusa ver a promiscuidade escandalosa que anda por aí. Em suma: o PCP não passa de um “voyeurista” da política internacional.»
Sérgio de Almeida Correia: «Tornar mais competitiva a política, a vida pública, implicará pagar melhor aos políticos, subir o nível, oferecer condições que motivem os melhores. É preciso levar essa competição para dentro dos partidos. Aquilo que é um salário aceitável e apetecível para um incompetente é uma má compensação para quem possua qualificações e méritos para ganhar 5, 10 ou 20 vezes mais fora dos partidos, que é como quem diz fora da política e sem dela depender.»
Eu: «Em Dezembro de 1966, quando tomava um chope no seu bar predilecto – o Veloso, onde há quem jure que nasceu a sua Garota de Ipanema –, Jobim recebeu uma chamada telefónica. “Ligação dos Estados Unidos”, avisou o proprietário do botequim. Era Sinatra. Convidava-o a gravar um disco com ele. Sinatra/Jobim, como viria a chamar-se o disco, mostra-nos um Sinatra muito diferente do registo habitual, cantando à maneira de João Gilberto temas imortais como Corcovado, Dindi, Insensatez e O Amor em Paz. “A última vez que cantei tão baixo foi quando tive laringite”, gracejou o intérprete de Strangers in the Night após as gravações. Valeu a pena: o disco foi um monumental sucesso de público e de crítica, ganhando vários prémios Grammy. Outras gerações foram conquistadas pela magia brasileira: Eric Clapton proclama a sua adoração incondicional por João Gilberto, Sting nunca se cansa de enaltecer Jobim, Diana Krall e Karrin Allyson incluem temas de Vinícius e Jobim nos seus novíssimos reportórios.»
