
Ana Sofia Couto: «Comprei-o porque estava a um bom preço, pensando que era mais um daqueles livros com um diagnóstico sobre o choque de civilizações. Enganei-me. O problema surge como pano de fundo, claro, mas as três partes do livro são uma explicação, no campo da História das Ideias, da forma como o pensamento político de fundamentação teológica foi perdendo terreno no Ocidente. Hobbes não poderia deixar de aparecer.»
Ana Vidal: «A receita é a dos audazes: puxar pela imaginação, juntar-lhe uma vontade férrea e uma boa dose de alegria, que dá sempre uma graça especial. Temperar a massa com paciência e esperança, amassar tudo muito bem e deixar levedar um pouco (não muito, para não azedar). E deu-se o milagre: primeiro um, depois três ou quatro, mais tarde muitos mais, os curiosos começaram a aparecer e depressa passaram a amigos. Contagiou tudo e todos – acaba de ser entrevistada por um jornal nacional, que vai publicar a história – e os leilões vão cumprindo a sua função. Mas é preciso mais, que o sonho da Maria é tão caro como meritório.»
João Carvalho: «Não há dúvida que a luz quando chega nunca é para todos. Como de costume, o serviço é público, mas só por momentos e só alguns é que lucram. E ainda sobra para bónus e prémios de gestão que mais parecem primeiros prémios da lotaria do Natal. Pois cá vamos vivendo, sim, mas cada vez com menos energia. Metidos num túnel de trevas.»
Teresa Ribeiro: «Ainda bem que este senhor se reformou e pôde escrever este livro. Não é por acaso que está a ter tanto impacto. Veio na altura certa. Obriga um certo discurso político a inflectir e a responsabilizar todos os que contriibuíram para o estado a que isto chegou e não apenas os governos de Sócrates. De Cavaco a Guterres, de Durão Barroso a Santana Lopes TODOS cometeram os mesmos erros. Dizer isto é inviabilizar o discurso que por sistema inocenta o partido que está na oposição e responsabiliza o que está no governo, um jogo que andamos a jogar há vinte anos e que tem permitido aos beneficiários mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma.»
