DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Em causa estava a legalização por parte da Câmara de umas obras realizadas ilegalmente, sem autorização dos legítimos proprietários, num hotel do Rossio. Hotel que, refira-se, paga 611 euros de renda mensal, por quatro andares, num total de quase 1500 metros quadrados. Para estes verdadeiros parasitas, o direito à propriedade não interessa.»

 

Ana Sofia Couto: «É, como diriam alguns comentadores, um sinal dos tempos. Na escola onde estou a dar aulas apareceram alunos que só agora, no 8.º ou no 9.º ano de escolaridade, conhecem o ensino público. Contaram-me que alguns pais mostraram grande preocupação quando souberam que numa turma haveria seis alunos a repetir o ano; o mesmo aconteceu quando, numa visita à escola, ninguém deu pelo “choque tecnológico” (não havia “quadro interactivo” e essas coisas). Os miúdos, pelo que tenho visto, estão a dar-se bem. No outro dia, um deles explicava a outro, mais velho, que a t-shirt que tinha era do Family Guy. E lá estava, em grande plano, o Stewie.»

 

João Carvalho: «A comparticipação do Estado em medicamentos desce, em exames clínicos também, em apoio a doenças crónicas igualmente, em próteses idem, em equipamento para deficientes igual, em assistência ambulatória semelhante, etc., etc., etc., enquanto os respectivos preços sobem por via do aumento do IVA. Afinal, não era o PS que andava a dizer muito agastado que o PSD queria matar o SNS tendencialmente gratuito e acabar com o Estado social? Pois quer-me parecer que está aí uma fórmula nova: o Estado social tendencialmente falido. E o PS tendencialmente falhado.»

 

Leonor Barros: «O mesmo se passa, por exemplo, na minha escola, a ser inaugurada pomposamente no próximo dia 5 de Outubro.  Muita luminosidade, é verdade, climatização, confere. A luminosidade é tanta que incide nos olhos dos alunos logo pela manhã e como não há lugar para onde possam mudar dado o número elevado de alunos por turma, há que aguentar. E salas mais pequenas, capacidade  em número de salas de aula igual à anterior, em equipamentos informáticos estamos ainda pior, ai o meu rico manual, que seria de mim sem ele, e sala de professores onde não cabem os professores nos intervalos, gabinetes de trabalho sem mobiliário. Mas o povo é feliz e pasma-se com as obras na escola. Se estivesse com o rabinho sentado numa secretária e longe do que é dar aulas também haveria de gostar ou se passasse pelos corredores largos ou à porta da escola. Tudo lindo em azulejos brancos e azul cueca. Não há cura para o português.»

 

Eu: «Deco “apresentou-se no estágio do Mundial de forma miserável”. A acusação, mais que tardia, vem da boca do ex-seleccionador nacional, Carlos Queiroz. O que diz muito do seu carácter – e também da sua incapacidade de liderança. Se Deco estava assim, compreende-se muito mal que tenha permanecido no estágio da selecção, que tenha viajado para a África do Sul e que tenha até alinhado a 15 de Junho como titular no primeiro jogo, contra a Costa de Marfim. Pior ainda: depois do fracasso nos relvados sul-africanos, Queiroz afirma agora que Portugal “não merece ganhar um Campeonato do Mundo” de futebol. Eu suspeitei disso mesmo em 2008, quando Gilberto Madaíl escolheu o ex-adjunto do United para treinador principal da nossa selecção. Muito antes deste seu longo ocaso, lamentável a qualquer título.»

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