Vítor Espadinha: «Sonho com muitas vezes com a Jennifer López e a Sharon Stone»


Pedro Correia,

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«O pecado capital que pratico com mais frequência? Cobiçar a mulher do próximo»

 

Assume-se como galã à moda antiga, sem deixar de distribuir piropos a mulheres várias, como esta entrevista comprova. De improviso, ao telefone, e com gargalhadas à mistura. Actor com muita rodagem, o intérprete do sucesso discográfico Recordar é Viver não se atrapalha com as perguntas. É ler para crer.

 

Tem medo de quê?

Da falta de saúde.

Gostaria de viver num hotel?

Não. Já vivi em muitos hotéis, quando andava em digressões, e não aguento.

A sua bebida preferida?

Um vinho de qualidade.

Tem alguma pedra no sapato?

Tenho. Estava com a minha carreira teatral lançada em Londres quando um dia acordei, li o Evening Standard e descobri uma fotografia de uns soldados em cima de blindados e com flores nas espingardas. Fiz logo as malas e voltei para Portugal. Estou muito arrependido.

A propósito: que número calça?

41.

Que livro anda a ler?

Ando a ler um livro do José Luís Peixoto. Chamado Livro, precisamente.

A sua personagem de ficção favorita?

As personagens dos filmes com Jean Gabin.

Rir é o melhor remédio?

É um dos melhores.

Chorar não é?

Chorar, não. A não ser por fingimento, quando representamos um papel teatral ou na televisão. Os bons caracterizadores encostam-nos um produto à cara, com cheiro a mentol, e durante a meia hora seguinte não paramos de chorar.

Lembra-se da última vez em que chorou?

Lembro. Foi com mentol, numa telenovela chamada Podia Acabar o Mundo, em que interpretava o papel de um vagabundo que era também fotógrafo.

Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?

Se fosse muito rico, tinha carro com motorista e seguia no banco de trás, muito confortável, a ler o Financial Times. Como não sou rico, adoro conduzir.

É bom transgredir os limites?

Depende dos limites. E também depende daquilo de que falamos. Às vezes quanto mais se abusa melhor sabe. Outras coisas não têm graça nenhuma – e quando se abusa delas muito menos.

O seu prato favorito?

Favas com chouriço.

Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?

Cobiçar a mulher do próximo.

A sua cor preferida?

Depende. No futebol é o verde. Na paisagem, o azul é muito bonito. Numa mulher, o preto é lindíssimo. As cores dependem muito do contexto em que se situam.

Costuma cantar no duche?

Não. No duche costumo pensar.

E a música da sua vida?

Tenho várias. Quase todas do Aznavour. She, por exemplo.

Sugere alguma alteração ao hino nacional?

Sim. Contra os canhões ninguém marcha, a menos que seja suicida. O autor não estava muito inspirado quando compôs a letra.

Parece-lhe bem a actual bandeira nacional?

Enquanto não tiver lá a cara do Sócrates, aguenta-se bem. Só falta vê-lo aparecer no lugar da esfera armilar.

Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?

Com a Jennifer López e a Sharon Stone. Aliás tenho sonhado muitas vezes que janto com elas. Só lamento que elas não saibam disso.

As aparências iludem?

Muito.

O que é que um verdadeiro cavalheiro nunca faz?

Deixar de gostar de mulheres.

O que é que uma verdadeira senhora nunca faz?

Dizer, noite após noite, que tem dores de cabeça.

Qual é a peça de vestuário que prefere?

Em certas ocasiões gosto muito de um fato à maneira.

Qual é o seu maior sonho?

Algo muito difícil para um português em Portugal: ter sempre trabalho.

E o maior pesadelo?

Não ter trabalho.

O que o irrita profundamente?

A estupidez.

Qual a melhor forma de relaxar?

Um bom banho. De preferência acompanhado.

O que faria se fosse milionário?

Penso muito nisso. A primeira coisa que fazia era construir um teatro. Sem a mão do Estado, para não estragar. Há meia dúzia de milionários portugueses que podiam fazer o mesmo.

Casamentos gay: de acordo?

Nada tenho contra as ligações entre gays. Mas o casamento dá-me vontade de rir.

Uma mulher bonita?

A Alexandra Lencastre.

Acredita no paraíso?

Não. Tenho muitas dúvidas sobre a vida para além da morte.

Tem um lema?

«Versos são pedaços de carne que, a sangrar, / servem de pensos a poetas doutorados / e que outras tantas carnes vão curar / pedaços de corpos amargurados». É um lema.

 

Entrevista publicada no Diário de Notícias (19 de Fevereiro de 2011)

11 comentários em “Vítor Espadinha: «Sonho com muitas vezes com a Jennifer López e a Sharon Stone»”

  1. Muito bem! entrevista muito bem conduzida e excelente entrevistado.
    Gostei e não engana. Genuinidade pura.
    Cobiçar a mulher do próximo não é pecado, e muito menos capital. Duvido que gajo que seja gajo não o faça.
    Além disso sabe bem e não se correm riscos em cobiçar a mulher do próximo principalmente se o próximo não estiver próximo.
    E é um grande poupador dos recursos do planeta, porque tomar banho acompanhado poupa na água.
    Tudo bom e gostei do que ouvi.

  2. Vítor Espadinha é o maior!!!
    Eu simpatizo com ele.

    Boas respostas dadas ao “manhoso” do entrevistador.
    Só tenho pena do Victor Espadinha não ter dado umas belas galhetas ao alienado do BDC.

    João Abelho

  3. Tem alguma pedra no sapato?

    Tenho. Estava com a minha carreira teatral lançada em Londres quando um dia acordei, li o Evening Standard e descobri uma fotografia de uns soldados em cima de blindados e com flores nas espingardas. Fiz logo as malas e voltei para Portugal. Estou muito arrependido.

    Esta é linda.

    … Mas o tempo vai dar razão ao Espadinha. Em breve ser branco e homem em Inglaterra vai ser crime.

  4. Espadinha é um dos últimos sobreviventes de uma casta de Homens.

    Hoje num país praticamente de fessureiras e ginófobos, já não há lugar para o Espadinha, para mal de todos nós os últimos dignatários da Masculinidade.

    Luisão Silvestre

  5. O típico macho latino, espécie ainda hoje muito apreciada por alguns saudosistas.
    Dá-lhe vontade de rir o casamento gay; a mim também me apetece rir ao imaginá-lo a relaxar na banheira com a Sharon Stone
    Bom gosto musical (She é uma belíssima canção) e literário (Livro é um dos melhores do JLPeixoto).
    Ah também gosto de favas, mas não me parece que a Stone e a Lo apreciem
    Next!
    🍁
    Maria

  6. Machista, sexista, pedante e preconceituoso. Aqui as aparências não iludem. Para quem diz gostar tanto de mulheres revela uma total falta de respeito pelas mesmas. Sharon Stone? Nem morta a senhora aceitava diria certamente que lhe doía a cabeça…

    1. É um tipo de conversa de pátio de liceu a que já ninguém liga a não ser nas redes para as pessoas se indignarem muito. O suficiente extrapolarem “psicologias nacionais” sem nunca terem lido sequer uma página de behaviourismo, que já nem se usa. Essas psicologias de vão de escada são, na verdade, da mesma natureza dos fenómenos que pretendem criticar.

      Ou seja, tão preconceituoso como o Espadinha — só mesmo fazer um retrato do carácter do Espadinha por uma frase do Espadinha.

      Um dos grandes méritos do jornalismo ao longo dos tempos foi este cientificismo-social da treta: toda a gente leu umas coisas, toda gente tem quase a certeza de que.

      1. “toda a gente leu umas coisas, toda gente tem quase a certeza de que.”
        E não é assim que tudo começa!
        Até o V parece ter lido umas coisas.

        1. Não li quase nada, mas se reparar bem nunca ou quase nunca faço críticas ad hominem (porque não acredito que uma pessoa se resuma a meia dúzia de sentenças e frases feitas) ou relaciono psicologias com géneros ou nacionalidades (porque não acredito em psicologias colectivas).

          1. E eu a pensar que o V era todo dado a Baco e ao bacanal !
            E que pertencia a alguma fundação de Garanhões subsidiada pelo Estado Português.
            De facto as aparências iludem, veja lá se não lhe anda a doer cabeça!.

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