
Ana Margarida Craveiro: «Aqueles juízes que deixam os pirómanos ir em liberdade (ou dias livres, ou lá como se chama) fazem parte dos 97% avaliados com muito bom pelo Conselho Superior da Magistratura? Ah, as delícias da avaliação pelos pares. Nos meus tempos de escola, chamava-se a isso a hetero-avaliação. O processo era curioso: na última aula do período, o professor perguntava ao menino X que nota achava que merecia. Conforme a modéstia ou imodéstia, ele lá respondia.»
Eugénia de Vasconcellos: «A verdade é que as escolas nos vaquizaram, mataram-nos a vontade de aprender quando nos espoliaram da aprendizagem. Damos carne e couro ao desencanto. Não creio, no entanto, que ressuscitemos dos cascos. Se pensa que estou a ser mazinha, por Deus, olhe para o país que temos, para as pessoas que somos. Começa tudo no ensino, até a ética. Onde estão as nossas grandes obras científicas, artísticas, culturais? Sociais? A política? A produtividade? Olhe bem para os focinhos dos nossos decisores e fazedores de opiniões.»
Sérgio de Almeida Correia: «Antes que Narciso se lembre de se ir inscrever à casa do vizinho, ou que venha mais alguém falar em “purgas”, convém alertar os distraídos que o fenómeno é transversal aos nossos partidos, havendo alguns sujeitos que nem sabem por que são expurgados. Mas lá que são não há dúvidas. E assim ninguém se fica a rir.»
