16 comentários em “Estátuas para derrubar (1)”

  1. Países como a Lituânia e sobretudo a Hungria deram grandes exemplos preservando as estátuas da Era soviética. Não só pelo seu aspecto estético que é inegável mas também num claro preservar da memória e da História… Temo que os paladinos da tolerância hoje não tenham esse pensamento. Nunca evoluímos tanto a andar para trás como hoje…

    1. Preservar a História: eis uma ideia fundamental, que está a ser pulverizada com o actual populismo politicamente correcto. Ao derrubarmos estátuas, deixamos de colher lições do passado, que deve ser assumido com as suas luzes e sombras, como é próprio da natureza humana.
      Alguns gostariam de reescrever a História, tornando-a numa coisa inócua e fofinha, adaptando-a a um guião das produções Walt Disney. Sem guerras nem fomes nem epidemias nem devastações de toda a ordem. Tudo paz&amor, com certificado de pureza virginal.
      Uma estupidez.

      Sou contra o derrube de estátuas. Mas como esta febre do bota-abaixo iniciada nos EUA (país que vai ditando as tendências universais) prossegue em bom ritmo, ao ponto de já terem começado até a remover estátuas do “racista” Gandhi, vou deixando aqui algumas sugestões, que talvez mereçam prioridade.

    2. As florestas da Polónia e da Lituânia foram exploradas e quase dizimadas pelos impérios vizinhos, primeiro pela Rússia, depois pelo IIIº Reich e depois novamente pela URSS, os animais levados praticamente à extinção e as pessoas que lá viviam (na sua maioria Judeus) foram sempre perseguidos pelos imperadores e comités dos vizinhos que usavam esses países como coutadas particulares. É preciso de facto ter noções de património e de passado —de vicissitude— de uma maneira que muito poucos são suficientemente nobres para suportar. Coisa que outros povos parecem não ter na ganância apressada de colonizar o ocidente — que nunca mereceram.

  2. Por aqui o escoteiro-mor continua decepado.
    A cidade está mais tolerante desde o dia em que alguém fez o senhor perder a cabeça.

  3. Não podemos apagar a história. Estará sempre na nossa memória para nos recordar do que aconteceu e do que nunca mais deverá acontecer. Os locais, os livros, as leis, as construções , as estátuas, os quadros, até a tradição oral, estão lá para nos lembrar o passado para que com ele possamos apender e adaptar.
    Não existem desacontecimentos, apenas factos , heranças que são de todos nós, que devemos usar com sabedoria.

    1. Gostava que fosse tão simples mas a história é sempre escrita pelos vencedores e a sua narrativa controlada pelos poderes estabelecidos.
      Ofereço quatro exemplos de “verdades” históricas:
      1. D. Afonso Henriques conquistou Lisboa com o auxílio de cruzados;
      2. D. Henrique promoveu as navegações de descobrimento da costa de África;
      3. D. Miguel, que antes já se tinha revoltado contra seu Pai, iniciou a revolta e usurpou o legítimo poder do irmão D. Pedro;
      4. Na Alameda, Soares liderou a resistência contra a ameaça comunista.

      1. Cada um é livre para tirar da história as ilações que entender, mas a sua liberdade não lhe permite a destruição da herança cultural de um povo. Tem uma estátua. Mal ou bem mereceu-a, pelo exemplo do que há de melhor ou de pior nos homens. Como interpretamos a estátua é connosco, mas destrui-la porquê? Podem votar, por exemplo mudá-la de sítio. destruir , por exemplo , esta estátua do Estaline, não vai apagar o Estaline da História.

        1. De acordo quanto às estátuas. O que escrevi apontava ao seu último parágrafo, muito mais genérico do que apenas estátuas. Nos exemplos que ofereci não há qualquer estátua directamente envolvida e, por enquanto, no caso de Soares, nem indirectamente.

        1. A falta de referência à família da Maia – possívelmente descendentes do Profeta – tornaria o meu exemplo apenas incompleto quando eu apresento como errado.

  4. Não creio que seja necessário “derrubar” a estátua da foto e, já agora, as restantes estátuas que existem no dito parque que o milionário Viliumas Malinauskas resolveu por a render… é que, na realidade, todas elas foram, de facto, derrubadas e “exiladas” para o tal parque com o propósito mais humilhante que se pode destinar a símbolos comunas: passarem a ser mercadoria que gera lucro para um capitalista.

    Atento à ironia do autor do “post”, sugeria a um dos nossos milionários (talvez ao “dono disto tudo”, que agora está ó-pai-ó-pai) para que criasse, como hipótese, nos arredores de Tomar, um parque temático dedicado às estátuas dos heróis dos “nossos” descobrimentos, iniciando-o, por exemplo, com a agora famosa estátua do Marco Fidalgo dedicada, segundo a bocejante lengalenga do de-bem-com-deus-de-bem-com-diabo Medina, a “uma das maiores personalidades do pensamento” tuga, o padre António Vieira.

    Usando o brilhante discurso retórico do Robinson Kanes (https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/estatuas-para-derrubar-1-11688061?thread=94775677#t94775677), seria um modo de “os paladinos da tolerância” de “ontem” mostrarem aos de “hoje” que estariam disposto a «grandes exemplos preservando as estátuas (…). Não só pelo seu aspecto estético que é inegável mas também num claro preservar da memória e da História» lá bem longe, nos arredores de Tomar

  5. Realmente, isso do bota abaixo das estátuas tem que se lhe diga.
    Pois , tal e coisa naquele tempo era assim, mas qual aquele tempo vamos admitir? Até que data vamos considerar aquele tempo era assim.
    Coitados dos judeus, até que datas incluem o aquele tempo era assim ou se calhar nunca por nunca deixariam de pé uma estátua da Isabel, a católica, e dos inquisidores pirotécnicos até 1946.
    Com toda a certeza D. Maria I e família dos Távoras nunca admitiriam uma estátua ao Marquês de Pombal e assim sucessivamente.
    Faz confusão, tendo a religião muçulmana (sunitas e xiitas) atravessado séculos com extensas zonas de influência (império otomano), como é que há bem pouco tempo os isis sunita se lembraram de destruir estátuas budistas e outros vestígios civilizações muitos antigas. Será que a ideia foi mesmo dos muçulmanos árabes/berberes ou dos que se lhes juntaram idos da Europa?

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