
«A mulher mais bonita é a que parece que não o é»
O antigo ministro das Finanças e da Segurança Social, benfiquista militante, foi um dos entrevistados que responderam com mais segurança e rapidez a este inquérito feito por telefone. Sem vacilar sequer no momento em que fez duas citações. Pareceu-me ter gostado genuinamente deste desafio, que venceu por goleada.
Tem medo de quê?
Do medo.
Gostaria de viver num hotel?
Não. Sou visceralmente caseiro.
A sua bebida preferida?
Água.
Tem alguma pedra no sapato?
Nem nos sapatos nem nos rins.
Que número calça?
Vinte mais IVA.
Que livro anda a ler?
Leio sempre vários livros. Ando a ler, por exemplo, um livro sobre ética empresarial e outro sobre a história da Europa desde a II Guerra Mundial. Além disso, todas as noites, folheio um dos meus vários livros de botânica, de que gosto muito.
Tem muitos livros à cabeceira?
Muitos. Mas não tenho livros de cheques.
A sua personagem de ficção preferida?
Tintim. Tem a ver com o imaginário da minha infância.
Rir é o melhor remédio?
«Se não te conseguires rir das coisas sérias, não terás nada de que rir quando fores velho», já dizia George Bernard Shaw. O riso é uma das formas mais sadias de liberdade.
Lembra-se da última vez em que chorou?
Sim. Foi recentemente, num funeral.
Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?
Não tenho particular gosto em conduzir o automóvel, apesar de costumar fazê-lo. No geral, gosto de conduzir. Gosto mais de determinar do que esperar que outros determinem por mim.
É bom transgredir os limites?
Já dizia Oscar Wilde: «Resistir a tudo menos às tentações.» Mas ainda sou daqueles que param no sinal vermelho.
Qual é o seu prato favorito?
Bacalhau com batatas na ceia de Natal. É aquele que verdadeiramente me transmite a conjugação feliz entre a comida e a família.
Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?
Tenho mais pecados veniais do que capitais. Não sei se os pecados veniais acumulados dão capital…
A sua cor preferida?
Encarnada.
Costuma cantar no duche?
Não. Gosto muito de música, mas sou absolutamente inapto para cantar.
E a música da sua vida?
Ne Me Quitte Pas, de Jacques Brel.
Sugere alguma alteração ao hino nacional?
Quanto à música, acho bem. Mas a letra está completamente desajustada do nosso tempo.
Gosta da bandeira nacional?
Gostava mais da monárquica, apesar de não ser monárquico.
Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?
Gostaria de jantar com o Papa Bento XVI, que além do mais é um grande intelectual.
As aparências iludem?
As ilusões às vezes aparecem.
Qual é a peça de vestuário que prefere?
A gravata.
Qual é o seu maior sonho?
Ser cada vez mais livre.
E o maior pesadelo?
É quando o Benfica perde e acordo na manhã seguinte.
O que o irrita profundamente?
O disfarce. Uma das coisas que mais aprecio nas pessoas é a autenticidade.
A melhor forma de relaxar?
É relaxar sem dar por isso.
O que faria se fosse milionário?
Ia para o deserto contar as notas. O deserto é o símbolo da supremacia do ser sobre o ter.
Uma mulher bonita?
A mulher mais bonita é a que parece que não o é. Sigourney Weaver, por exemplo.
Acredita no paraíso?
Acredito no paraíso porque acredito na eternidade.
Tem um lema?
Fazer dos tempos livres trabalho e fazer do trabalho tempo livre.
Entrevista publicada no Diário de Notícias (22 de Novembro de 2008)

Bagão Felix foi meu Professor e gostei das aulas dele.
Mas não deixo de reparar em duas coisas:
1- Devia ter dito que a mulher dele é que é a mais bonita de todas.
2-Ser do Benfica é sempre a pior coisa que pode acontecer a um homem.
Se visse a mulher ele não dizia isso.
Ser Benfiquista é ser anti-racista.
Os sportinguistas não gostam dos benfiquistas por uma questão racista, entenda-se por racista a superioridade de uma pessoa em relação a outra. E tudo começou com a fundação do clube de futebol por gente aristocrática que não admitia sócios de classes populares: o Sporting Club de Portugal, nome pomposo à inglesa que bem podia ser à portuguesa: Grupo Desportivo de Portugal. Depois surgiu um outro clube de classes populares e ex-alunos da Casa Pia: o Sport de Lisboa e, depois, de Benfica. O problema racista surgiu quando os populares começaram a ganhar jogos aos aristocráticos, e nunca mais acabou o ódio dos sportinguistas aos benfiquistas que ainda hoje lhes chamam ‘lampiões’ por serem antigos condutores de carroças.
Es tu Joacine!!!???
Vai-te Katar…
Beber tinto por uma palhinha dá nisso
Errado. Tirando o facto de que falar de futebol é sempre uma manifestação de baixa cultura e é uma coisa que desperta todos os piores sentimentos nas pessoas — os sportinguistas não gostam dos benfiquistas porque os benfiquistas não se importam de ganhar com batota. É como se as partes mais podres de uma psicologia colectiva se materializassem de repente num mostrengo merdoso.
É isso da-lhes onde dói…..
Big Balls on fire!!!!
Marta Freitas
1- Ele não disse que não era, provavelmente apresentou um exemplo que todos pudessem reconhecer.
lucklucky
Ser do Benfica, é ter na Alma a Chama Imensa….


Isto é pior que um enxame de Abelhas, um homem fala da mulher, e do seu mau gosto futebolístico, e aparecem logo uma catrefada de comunas irados.
À pessoa educada basta dizer que lê, não tem necessidade de dizer que livro está a ler. Nos tempos livres ler: proporciona bem estar, dá saúde e educação.
….
. O que diz o leitor ao escritor ? :
Ó senhor escritor
mostre-nos lá a sua obra
p’ra vermos se ela tem valor
ou se é: mais “banha da cobra”.
fl
Cumprts de:
ler é o melhor remédio – nos tempos livres
https://lereomelhorremedio.blogs.sapo.pt/
“… à pessoa educada (…)”: isso está em que edição dos livros da sôdona Bobone?
Percebo que está a tentar comunicar-me qualquer coisa… mas, não consigo descodificar a sua mensagem… De qualquer forma agradeço-lhe o esforço.
A comentar também aprendo e me educo.
Muita saúde para si. fl
Não se perdeu no dédalo de questões, aliás, saiu-se bastante bem.
“O riso é uma das formas mais sadias de liberdade.” Gostei. Next!!
a gravata como peça de vestuário preferida: uma surpresa.
estou a apreciar esta rubrica
Mto bom. Cabeça pensadora