
João Carvalho: «Pela enésima vez, o Parlamento voltou a perguntar ao Governo se os impostos irão ou não subir mais. O resultado é sempre o mesmo: ou a resposta é o silêncio, ou a resposta é “não” e a realidade costuma encarregar-se de demonstrar que devia ser “sim”. Por outro lado, não vejo a mesma insistência por parte da oposição no que respeita a estrangular a despesa e menos ainda a perguntar se o Governo não quer saber de mostrar toda a parcimónia possível para dar o exemplo.»
Eu: «É, no fundo, um toque a rebate pelo futuro do PS. A intuição política de [Mário] Soares diz-lhe que se essa alternativa não aparecer em breve o partido arrisca permanecer longos anos na oposição. Um pouco à semelhança do que tem acontecido com o PSD no longo período pós-Cavaco Silva. Veja-se o que sucedeu na Hungria, país governado durante oito anos pelo Partido Socialista. O balanço dessa governação foi tão desastroso que o PS húngaro vale hoje só 19% e a direita dispõe de maioria qualificada no Parlamento que lhe permite alterar a Constituição.»
