
Uma indisposição, felizmente não gravosa, de familiar bem próximo conduziu-me ontem ao hospital distrital deste aquém-Tejo. Na triagem a categoria atribuída foi verde (bela cor, claro). Após 2 horas e tal de espera telefono a médica amiga, “fita verde? aí? Tens para oito horas…”, e sosseguei, qual esse outro Flávio, o estóico tio-avoengo Marco Aurélio. Enfim, foram mais de sete horas de espera. À porta, em pé – ali há apenas um pequeno banco, para duas pessoas, alambique de covid-19. O cafézito, pepsi-cola a 1,8 euros? “Posso-me sentar? Sim, durante 20 minutos” diz-me a simpática “colaboradora” (como agora sói dizer-se), imune à decerto ilegalidade da afronta.”Porque não foste ao hospital …!?”, o privado, claro, depois, já noite mesmo, e isso neste Junho de ocasos lentos, me barafustaram amigos. Sorrio, não elaboro introspecções, e nunca em público. E muito menos falo deste escândalo do funcionalismo público. Ululantes na verborreia dos “direitos adquiridos” e das nobres causas. Mas na hora doente alheados – por via dos privilégios do tal funcionalismo – de nós ali, a obesidade pobre, velhos pouco-validos, os sotaques agudos e ondulantes, ciganos, apatetado eu e talvez algum outro, negros (pós)imigrados. Para quê falar disso se o meu familiar está bem, para quê resmungar?
Simpáticos os “seguranças” como agora se chamam os contínuos, desprovidos da arrogância que os uniformes tanto convocam. “Posso entrar só para ir ver o meu ai-Jesus?”, pergunto a um deles. “Sim, mas pouco tempo, sff” anui. E lá está a “carne da minha carne”, sentada na cadeirinha de plástico fixada à parede, ombreando com a longa de fila de doentes, todos mais juntinhos do que os passageiros da TAP a olharem em frente, como manda a dra. Graça, a Freitas (“vão visitar os idosos”, dizia ela quando os tontos espanhós fecharam os lares e o povo gosta da senhora, “tão competente”, e a burguesia e o funcionalismo público ainda mais gosta pois “tão PS”). Repito, ombro a ombro, ali estão os doentes, da fita amarela até à menos urgente.
Falar disto para quê, se o meu familiar está bem, para quê resmungar? No caminho para casa conta o “sangue do meu sangue”, na estupefacção de quem tal nunca vira, “ao meu lado um doente velho dizia ao telefone “não via uma coisa destas desde os tempos da Guiné”, e eu imagino-lhe a tatuagem “amor de mãe, 70-73”, veterano agora transposto para hospital de campanha. “As velhinhas na maca a pedirem água e ninguém lhes dava” e eu a relativizar, coisas da necessária dureza do trabalho hospitalar. “As enfermeiras aos gritos umas com as outras e a não ligarem aos doentes”, e eu aduzindo que talvez sejam “auxiliares”, que há destrinça nos uniformes, etc. É a era do Covid-19, dirão. Mas talvez não seja. É este aquém-Tejo, célebre pela rudeza das gentes, cultura ríspida. Talvez, ainda que isto aqui seja de povoamento tão recente. Pois, de facto, apenas é.
Portanto, uma indisposição, felizmente não gravosa. À qual se segue uma mudança nas vidas. Deslocações. E quarentenas. Não porque não possamos apanhar o tal covid-19 (tão anunciado no tal hospital). Mas porque não posso conviver com os meus circundantes, os tais “grupos de risco”. Porque estivemos num hospital, público. Comandado pela simpática ministra. “O barato sai caro”, diz o povo, condenado ao barato.
Entretanto, nem eu posso ir à bola nem o tal familiar pode ir às festas, ralhou-lhe Sousa.

Porque não foi ao Centro de Saúde?
Presumo que não sendo residente não é o local adequado. Mas a opção foi por indicação do serviço telefónico Linha 24 (acho que é assim que se chama) que nos direccionou de vila vizinha para aquele hospital.
Indicou que ia via sns24? Normalmente esses têm prioridade…
Acho estranho, porque passam a vida a recomendar que a gente vá ao Centro de Saúde e não às urgências hospitalares.
Caro jpt,
Em situações futuras (espero que não aconteçam) o ideal é contactar com o Luís Lavoura, ele providenciará a melhor solução.
(espero que tenha corrido tudo bem e que o problema esteja debelado/solucionado)
Nem mais.
Pedro Oliveira, bem notado. Assim farei, de uma próxima vez (que desejo longínqua). Quanto à saúde familiar vai tudo bem, obrigado.
Costuma ir ao Centro de Saúde? Não me parece.
Esperemos que não, que a saúde do comentador Lavoura é-nos preciosa.
Excelente prosa. Votos de rápidas melhoras.
Obrigado, está tudo a correr bem, era coisa de somenos
não posso conviver com os meus circundantes, os tais “grupos de risco”. Porque estivemos num hospital, público
Como assim? Então quem tenha estado num hospital (público) deixa de poder conviver com os outros, passa a ser considerado como infetado? Quem lhe disse isso?
Ninguém me disse isso, Lavoura. Mas obrigado por ter regressado ao meu texto.
Há pouco tempo assisti num Hospital de Lisboa a uma cena semelhante.
Numa enfermaria com alguns (literalmente) pacientes a pedir a arrastadeira … o pesssoal menor ali de serviço, ali ao lado, em pleno serviço, a conversar, indiferentes, sobre férias e outras futilidades. O/a responsável pela enfermaria ou impotente ou ausente ou incompetente, o resultante era visível. (Não será assim em outros casos, espera-se).
Os clínicos no local, jóvens médicos (com 20 valores?) óbviamente sem a menor capacidade para ser responsáveis activos, naquela desordem….
E chega, chega por agora.
Vá a um hospital privado !
WW
Lamentável. Há, com toda a certeza, uma rusticidade necessária ao trabalho hospitalar que será motivo de espanto exagerado para todos nós que não vivemos o quotidiano. Mas há limites, que muitos (até profissionais de saúde) muito apontam. E algo terá que ser feito. No seu comentário alude a um ponto importante: por razões da economia política da medicina do SNS abundam os jovens médicos em situações de responsabilidade. Isso tem que ter efeitos – não é mau por si, mostra que se formam médicos com qualidade, mostra que estão em trajectos que lhes darão traquejo. Mas talvez mostre (e a mim afiançam-mo) que muito trabalham sem muito ombrearem com médicos mais experientes – e isso notar-se-á, a breve futuro, na sua formação em serviço
Só lhe digo uma coisa, infelizmente por experiência própria, tudo aquilo a que assistiu, assistiria na mesma antes do Covid e irá assistir novamente após o Covid.
Pois, os médicos que conheço dizem-me isso. E também me dizem que o hospital que frequentei é célebre pelos seus défices, que não corresponde aos congéneres.
Sim, essa história do novo qualquer coisa é tudo treta, vai ficar tudo igual sim e dentro de pouco tempo. Agressões a profissionais, negligência médica, enfim tudo a que estamos habituados
A minha última visita a um hospital enquanto doente resumiu-se a colocarem-me numa cadeira de rodas, virado para um canto onde estava um extintor, durante 9 horas. Ao fim de 9 horas lá consegui arranjar forças, fui-me embora e fui ao médico.
A ironia do seu comentário é deliciosa, parabéns pela forma como resolveu a situação e como a recorda. Mas, caramba, o que conta é completamente inaceitável. Queixou-se formalmente? Eu sou um grande adepto dos livros de reclamações, podem não servir para mudar mas servem – tenho comprovativo disso – para chatear, pelo menos algumas vezes.
Não fiz queixa, estava demasiado farto, cansado e com fome. De qualquer modo, a minha mãe era enfermeira e tenho uma noção informada do que é um hospital. Não esqueci o que ela contava – por exemplo, no tempo da outra senhora, quando eram freiras a mandar, assim que souberam que ela estava grávida destacaram-na para o RX. Umas queridas. A minha mãe recusou, obviamente, e ficou numa daquelas listas negras não-oficiais. Pouco mudou entretanto.
Não pode ir à bola…
Oito horas com pulseira verde, não é para todos! É a virtude de saber esperar…
No início de Março, também tive necessidade de ir ao hospital e também fui brindado com a dita cor na pulseira, vá-se lá saber porquê! Porém como era fim-de-semana e início de madrugada esperei pouco tempo.
A cor é linda. E é boa, significa que não há grandes problemas.
Acho que o que deveria ter feito era ir a um hospital privado, presumo que tenha seguro de saúde …
Ainda bem que vamos ter mais estado, segundo o novo consultor do governo e vamos ter mais 2700 profissionais de saúde segundo o PM.
WW
Fomos bons cidadãos, seguimos as indicações da instituição pública “anunciada na tv”.
Será que um dia destes iremos ver um político na sala de espera do (seu) hospital?. 1/2 minuto?. Não?.
Dessa sua forma incisiva coloca uma questão, a da porosidade das filas de espera à influência do factor C. A mim, após ter escrito isto, também me perguntaram “então não telefonaste a X ou a Y?”. E tê-lo-ia feito se estivesse na expectativa de algo grave – mas, nesse caso, faria os telefonemas (o célebre factor “C”) para encontrar o melhor serviço possível numa situação angustiante (e atire-me a primeira pedra quem ache que não o faria) mas nunca para passar à frente dos circundantes.
“”Porque não foste ao hospital …!?”, o privado, claro, depois, já noite mesmo, e isso neste Junho de ocasos lentos, me barafustaram amigos.”
No privado provavelmente seria igual ou pior.
Nas últimas duas semanas o meu pai teve de se deslocar em duas ocasiões diferentes a dois hospitais privados no Algarve (felizmente nada de grave, consultas de rotina). A minha mãe acompanhou-o claro, mas não pode acompanhá-lo em nenhuma das consultas. E não teve uma sala de espera onde se sentar – ficou, sim, de pé na rua, ao sol e ao vento. Contou-me que não faltavam pessoas na situação dela, e que mesmo filhos de utentes de idade já avançada viram-se impedidos de acompanhar os pais nas consultas.
Há o tomar precauções e há o ser-se imbecil. Por cá o pensamento é: para quê tomar precauções quando podemos ser imbecis?
Ou:
Que me adiantam as precauções se estou rodeado de imbecis? (“covidescamente” falando)
Lamento o passado com a sua mãe, decerto que desconfortável. E concordo consigo, a questão do acolhimento aos acompanhantes é gerida de modo medíocre e denota falta de tino das medidas securitárias. São boas no papel mas depois não têm em conta os constrangimentos logísticos (médicos amigos mo dizem). E no que diz sobre a situação ser similar nos privados em tudo concordo. Dois dias antes acompanhara um amigo a uma consulta (que originou exames) num privado. Narrei o acontecido num postal que coloquei também esta semana no meu blog pessoal: https://estan.blogs.sapo.pt/no-hosp ital-77468
Agora, o que foi diferente naquele caso, foram as medidas de segurança sanitária no interior do hospital. E, se é certo que esperei sete horas À porta do hospital também é certo que isso se deveu ao facto da consulta ter sido seguida de inesperados e longos exames.
Infelizmente, já antes do coronavirus os hospitais privados eram iguais ou pior que os públicos. Dou dois exemplos, um já com anos, no Hospital da Luz, outro no início deste ano, no Beatriz Ângelo (em PPP).
No primeiro, um familiar meu, já idoso, ficou lá uma noite inteira por uma urgência. Ao raiar do dia, depois de ter sido uma vez visto por um médico, diagnosticaram-lhe uma doença menor. Uns dias depois foi internado no Hospital de S. José. Tinha um cancro. Acontece. Nunca mais entrei num hospital privado, a bem da minha saúde e daqueles de quem gosto.
No Beatriz Ângelo, outro familiar meu, com uma doença degenerativa grave, foi fazer uma cirúrgia de ambulatório. Em vez de lá ficar um dia, ficou quatro. Contra as ordens explícitas dos médicos, alguém de esqueceu de lhe dar a medicação. O único consolo é que a mesma equipa de enfermagem que não lhe deu a medicação, teve de passar o resto do turno a ser violentamente atacada por ele, depois de ele ter descompensado rapidamente. Pode ser que tenham aprendido. Quanto aos medicamentos que lá deixámos, por lá ficaram perdidos (um deles, medicamento genérico com o custo de 40€…). É por isto que tenho mesmo medo dos privados na saúde. Bem ditos Santa Maria e São José (e bem dita seja a minha área de residência)!
não pode acompanhá-lo em nenhuma das consultas
Sinceramente, isso parece-me correto em geral, e muito mais atualmente em tempos de covid: quanto menos gente estiver dentro do hospital, melhor.
Os hospitais são antros de infeção. Com pacientes e acompanhantes lá dentro, tornam-se lugares ruidosos (conversas…), atafulhados, desconfortáveis. Ou seja, pouco saudáveis, sob todos os pontos de vista. Por isso, acho muito bem que, a não ser em casos de dependência, não se deixa entrar acompanhantes.
Aqui há uns tempos estive à noite numa urgência de um hospital distrital com um familiar que tinha caído, e não tive de esperar nada, fui logo antendido. Como já passava da meia noite, embora a urgência estvesse aberta não tinha RX. As pessoas eram encaminhadas para o hospital mais próximo que fica a 60km.
O serviço é mau mas é o que os nossos impostos podem pagar. Tem se retirado meios ao SNS constantemente e pago cada vez pior ao pessoal. Não vale a pena pensar que isso não implica degradação e desmotivação do pessoal. Quanto ao serviço privado a qualidade nunca será muito melhor que a pública. Porquê servir melhor se não há concorrência?
Sim. Mas atenção, nada no meu texto contesta ou critica os cuidados médicos (no sentido estrito) que foram realizados. Mas sim o contraste entre a propaganda sanitária e os descuidos óbvios – e ultrapassáveis com outro tipo de administração da “coisa”.
Isto parece um texto inventado. Só faltou uma grávida.
As cores para atendimento são iguais aos hospitais ingleses, são um método inglês de triagem do grau de urgência.
Os tais ‘seguranças’ contínuos de agora, são mesmo empregados de empresas de segurança contratados para esse efeito.
O resto é tudo uma critica ao SNS com ficção à comédia dramática italiana dos anos de 1940/50.
Se jpt reler o que escreveu nota que descreve situações caricatas arranjadas todos no mesmo local e à mesma hora, que muito provavelmente acontecem, e até com frequência, nos vários hospitais do país.
O capachinho do chega pra lá não faria melhor e esbracejando ao mesmo tempo.
Faltou a grávida? Mas havia, esqueci-me de a colocar. Ainda que só tenha visto duas, a sairem calmamente. As cores são para “inglês ver”? Óptimo, Windsor sempre nos serviu bem, ainda que contestado em algumas épocas. Os “seguranças” são empregados de empresas de segurança? A sério? Quer dizer, o que têm afixado nos uniformes e nas placas é mesmo verdade? Quem diria. Afinal aquilo é mesmo o serviço de “out-sourcing” que parece ser? Caramba, que novidade me dá. “Situações caricatas arranjadas”? Ó anónimo, foda-se, eu estive ali sete horas e tal a ver gente entrar e sair e, acima de tudo, especar. Acha que precisei de arranjar “situações”. O que tive, para escrever este resmungo (“inventado”, claro, saiu da minha cabeça, é mesmo invenção, não é a realidade) foi apenas de seleccionar “situações” e não de as “arranjar”. E nenhuma delas, anónimo, é caricatural.
Quanto ao resto isto não é uma “crítica ao SNS”. Este é o meu SNS, onde eu vou como cidadão (e tanto no texto explicito isso, como nos comentários também o ouço, porquue não vou a outro lugar? perguntam-me). E pode ser melhor. Neste texto, “inventado”, o que digo é que pode ser mais racionalmente gerido. Se há tr~es meses que somos bombardeados com regraas sanitárias é natural que me indigne quando vejo uma sala de atendimento vazia e do outro lado do corredor filas compactas de doentes, como narro acima. Isto não é uma crítica ao “SNS” mas ao desleixo que corre num estabelecimento do SNS. Não estou a fazer a apologia da medicina privada, vá bardamerda.
’tá ver? Já está a barmedar, pouco falta para esbracejar com ar de orador convincente.
Uma indisposição felizmente não gravosa teve que ir ao hospital distrital d’aquém-Tejo, que logo foi detectada na triagem, e, até, foi informado por uma amiga especializado que a demora ia dar para um filme.
As personagens são todas reais. Faltou um início mais ‘aflitinho da silva’ para nos convencer da ‘ a ida ao hospital’.
A ‘colaboradora’ do café-bar (já estava aberto?) é bem arranjada e é um facto, ser ‘trabalhador’ é muito pc e ‘empregado’ é muito pcebe. O ‘segurança’ da empresa privada foi bem arranjado por quem teve a ideia há uns anos atrás, não sei se mais baratos que os contínuos do estado, lá está todo senhor do seu ar de polícia. As enfermeiras e as auxiliares que toda a gente trata por ‘ó menina’ estarem aos gritos umas com outras é um bocado exagerado.
Bem podia ter arranjado um ‘Antó…. da…S… ao gabine….doz..’ a chamada que mal se ouve, e o dar uma de ‘só temos gouchas’ nas centenas de tvs das salas de espera e as cadeiras metálicas que não dão jeito nenhum.
E no fim faltou a listagem apreçada dos agradecimentos do costume e o nome do dito cujo, que deve ter livro de reclamações, mas o filme é suficiente para reclamar. Também faltou ou ‘isto só lá vai…’ ou, então, o correcto seria ……. por ser para isto que servem os nossos impostos.
Não gosta do texto, tudo bem. E se o comenta, ainda bem. Não gosta do subtexto, tudo bem. E se o comenta tudo bem. Se não percebe o hipotético subtexto, paciência, pois a interpretação é uma decisão, e essa é sua. Mas o que lamento é que não perceba o valor facial do que escrevo. Quando escrevo “bardamerda” deveria ser evidente que me estou a auto-censurar, e isso deveria ser relevante para uma crítica como a sua.
Mas já que insiste em comentar, perdendo o seu fim-de-semana com isso, faço-lhe um desenho: no meu país tem um SNS cada vez mais para os pobres (excepto para as doenças muito graves) e cuidados privados para os que “decerto que tem um seguro de saúde” (como já me disseram aqui). E o nosso SNS, que nos permite ter um continuado crescimento de esperança de vida (que é o melhor indicador que há), que é do melhor mundial, e uma baixissima mortalidade infantil ou doenças endémicas, aguenta-se com “o dinheiro dos nossos impostos”. Mas o que você não consegue perceber, mesmo num paupérrimo texto como este, é que para além de questões estruturais tem modos de gestão incoerentes – como a estupidez da gestão das urgências num país onde só se fala de combate ao covid-19. Portanto você fica com a sua cagança (anónima, como sempre nestes casos) e eu fico-me com a minha merda de texto e o meu bardamerda que lhe dedico.
Está quase irritado, por saber, agora, que podia ter incluído mais ‘umas constatações’, mas mesmo ficando na cá fora ou na sala de espera deu para muito filme (filme no sentido de filmar sem a respectiva máquina apropriada).
Vá que tem a noção de quão é importante o nosso SNS.
Imagine com essa mesma indisposição ter ido ao Centro de Saúde, que tempo
é gastava para fazer o que com certeza foi feito no hospital. Espera da consulta, consulta com o médico, vá fazer estas análises, ir a um laboratório fazer as análises, ir buscar as análises, voltar ao Centro de Saúde, espera da consulta e consulta com o médico. Quantas horas gastou?
No hospital é feito tudo isto no mesmo local e tem que esperar quantas horas?
É só fazer as contas. como diria o outro.
Tenho DPOC e sei o que é ir de urgência a hospitais que me chegue, por isso fique com a bardamerda só para si.
Peço-lhe desculpa por isso.
Percebeu, embora reconheça não ter os seus dotes para escrever.
Eheheheheheheh
Que tal ouvir testemunhos de idas aos hospitais privados?
O que é um blog?, boa pergunta para um leitor habitual. É um local para eu colocar fruto de trabalho? Alguém me quer pagar para recolher testemunhos de idas a hospitais privados? Ou mesmo pagar mais para fazer um relatório sobre a medicina privada? E publicá-lo, texto necessariamente longo, num blog?
Não é isso um blog, parece-me óbvio. Mas uma “plataforma” de comunicação para colocarmos uma miríade de experiências pessoais, que podem reflectir trabalho próprio mas não são isso. Eu posso falar sobre hospitais privados se tiver alguma experiência própria disso. E tenho muito pouca, felizmente. Ou pode-se aqui ecoar textos sobre isso: o DO é um blog que faz ligações externas, vários de nós o fazem, recomendando leituras. E tem uma rubrica de “comentário da semana” que o Pedro Correia anima. Também poderia ser isso.
Mas ainda assim porque vem com esse comentário? Típico da postura de vários comentadores aqui? Ainda por cima quando eu acabei de comentar, um pouco acima, isto:
“Lamento o passado com a sua mãe, decerto que desconfortável. E concordo consigo, a questão do acolhimento aos acompanhantes é gerida de modo medíocre e denota falta de tino das medidas securitárias. São boas no papel mas depois não têm em conta os constrangimentos logísticos (médicos amigos mo dizem). E no que diz sobre a situação ser similar nos privados em tudo concordo. Dois dias antes acompanhara um amigo a uma consulta (que originou exames) num privado. Narrei o acontecido num postal que coloquei também esta semana no meu blog pessoal: https://estan.blogs.sapo.pt/no-hosp ital-77468
Agora, o que foi diferente naquele caso, foram as medidas de segurança sanitária no interior do hospital. E, se é certo que esperei sete horas À porta do hospital também é certo que isso se deveu ao facto da consulta ter sido seguida de inesperados e longos exames.”
E noutro comentário, mais abrasivo, imediatamente anterior, respondi: “Isto não é uma crítica ao “SNS” mas ao desleixo que corre num estabelecimento do SNS. Não estou a fazer a apologia da medicina privada,…”
Francamente, não consigo compreender o prazer de visitar constantemente um blog em espírito de pirraça. Não é debate, ou constestação. É pobre. Percebo Lavoura, que tem primazia nisso, que presumo ser cultivada. Mas ele tem um tom único, que nem todos os “pseudónimos” conseguem.
No SNS espera-se (e morre-se ás vezes entre a 1ª ida e volta) e exames complementares de diagnóstico são “complicados” de fazer, ou são muito caros, ou então não existe pessoal de turno para os fazer, no privado que cita foram feitos “logo” exames que alguém pagou, a questão é seriam realmente necessários ?.
Já fui ao longo da vida várias vezes ao SNS e tirando o tempo de espera nada tenho que me queixar a nível pessoal, da ultima vez fui sozinho e depois de mais de 8 horas de espera (pulseira laranja) disseram-me o que poderia eventualmente ter mas sobretudo que não me iriam abandonar, estive quase 15 dias internado aparentemente bem mas tive de ser operado e segundo me disseram podia lá ter ficado devido a complicações inesperadas mas tive sorte, fui de alta quase sem me poder mexer, a convalescença foi feita em casa com apoio de familiares directos e o “resto” foi feito no centro de saúde. Tenho seguro de saúde via trabalho mas se me perguntar prefiro ir ao SNS e esperar do que ir a um privado. Caso não saiba todos os casos muitos graves que aparecem nos privados e que não têm “resolução imediata” são “encaminhados” para o SNS. Sei que têm uma familiar directa no UK, pergunte-lhe como é lá, se melhor ou pior, eu posso dizer-lhe, é bem pior, não que isso sirva de desculpa para o nosso SNS que poderia e Deveria ser muito melhor gerido mas isso são outros 500.
Quanto á sua critica em relação ás condições de espera, quase sem possibilidade de distanciamento social entenda que o a pandemia actual é um caso muito excepcional e que pôs a nu as fragilidades de todos serviços de saúde a nível europeu.
Em adenda seria importante alguém fazer uma resenha histórica do que foi dito e recomendado em Portugal por quem supostamente estará na posse das melhores informações para responder a esta pandemia e que revelam á priori uma total incompetência e logro sendo que as principais decisões só foram tomadas após vigorosos alertas e acções de entidades independentes mas pertencendo á área da saúde e a nível politico então foi o descalabro com tomadas de posição antagónicas ou outras “apressadas” (avisadas e bem) do género cada um por si e isso num estado que se deseja uno não é viável.
WW
Obrigado, respondo em postal
Só posso agradecer tamanho destaque dado por uma resposta do tamanho de um postal original, ao meu singelo comentário, embora o ache perfeitamente desproporcionado. Não mereço tamanho destaque, lho garanto, não passo de um pseudónimo pobre que nem aos calcanhares de outros comentadores encartados consigo chegar.
Diz que não era uma crítica ao SNS. Mas parecia… não que ele não mereça mas por falta de meios, não por se tratar de “funcionalismo público, tão PS”.
Obviamente não é de si que espero testemunhos sobre procedimentos nos hospitais privados. Um comentador teve a presença de espírito de a relatar.
Os Hospitais (os públicos e os privados) são, em regra, das poucas coisas decentes que neste Pais funcionam.
Não obstante algumas longas esperas.
Não obstante alguns inesperados erros (de diagnóstico ou de tratamento).
Por vezes os doentes graves saem de lá curados.
Outras vezes, entram lá pelo seu pé e saem dali para a casa mortuária.
Todo o cidadão lá entra, sem pedir licença: o rico, o remediado, o pobre e o miserável; o branco, o negro, o amarelo; o idoso, o de meia idade e o jovem;
o homem. a mulher, a criança.
Todos são diagnosticados e tratados sem distinção.
É assim o SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE.
Uma conquista do regime democrático.
Que importa preservar.
E melhorar.
Parabéns pelo seu texto/diagnóstico: ajuda a melhorar as coisas.
obrigado (“ele” há quem veja no textito objetivos demoníacos, ainda bem que a sua interpretação é diversa)
passa-se nos hospitais, em todos os grandes, o que relata, e é cotidiano, pior quando as urgencias crescem.
Este assunto só e visto por aqueles que por ali passam. E depois ninguem faz nada E persiste o abandono, a desumanizaçao. Gritante.
Todavia, o jpt cala consideraçoes que metem medo ao susto. Explico melhor : o objetivo do jpt é piorar o que esta mal. Portanto, por ai nao vou.
Repito o que abaixo já comentei, muito concordando com a sua conclusão: é óbvio que é inventado. O texto é uma ficção (do estilo literário actualmente chamado “fake news”) inserida na campanha contra o SNS, para o qual fui recrutado e venho sendo remunerado.
Presumo pois que durante a sua vida esta foi a primeira vez que foi a um hospital público.O(s) privado(s) estava(m) fechado(s)?
pateta
…e porque não dizer logo o nome do hospital?? estas críticas anónimas….será que o hospital existe ou foi inventado?
é óbvio que é inventado. O texto é uma ficção (do estilo literário actualmente chamado “fake news”) inserida na campanha contra o SNS, para o qual fui recrutado e venho sendo remunerado.