
Ana Margarida Craveiro: «Confesso que não sei o que mais me irrita, se o tom desrespeitoso do senhor primeiro-ministro, com a estúpida conversa da Coca-Cola, se o falso pedido de desculpas de Passos Coelho. De qualquer maneira, de uma coisa tenho a certeza: ninguém neste arco governativo respeita os contribuintes portugueses.»
Bandeira: «A simpática inglesinha que mostra Monserrate aos visitantes trai a sua origem insular quando, usando de uma irrepreensível dicção coimbrã, deixa escapar “o fonte”. Eu tenho o mesmo problema com a mais antiga ponte, dita a velha, de Florença: custa-me dizer “o Ponte Vecchio”, que por aqueles lados “ponte” é substantivo masculino, onde é que já se viu tamanho disparate, uma ponte macho. A locução “a ponte velha” também não é lá muito elegante e pouco ou nada nos diz sobre o muito que aquela ponte é. Talvez o ideal seja fazer que se é inglês (diz que, em matéria de língua, eles pouco ligam ao sexo) e escrever simplesmente “em Ponte Vecchio”.»
Sérgio de Almeida Correia: «Morreu José Luís Saldanha Sanches. Ele, que era pouco dado a lamechices e muito virado para o lado prático das coisas, certamente que encararia este dia como apenas mais um. Eu é que não ficaria de bem com a minha consciência se não deixasse aqui ficar umas breves linhas. Por muitos que sejam os manuais, as folhas escritas e as palavras gravadas sobre as matérias que ele gostava de tratar e de investigar, mais dia menos dia, com a velocidade de produção legislativa deste país, tudo isso ficará desactualizado. Porém, há uma coisa que nunca ficará desactualizada, nem mudará por mais anos que passem: o exemplo. O exemplo de um homem simples, interessado, senhor de um humor de rara inteligência, de uma extraordinária lucidez e de uma verticalidade e coragem à prova de bala.»
Eu: «Morreu José Luís Saldanha Sanches: menos uma voz independente em Portugal. Já nos faz falta.»
