Vírus socialista


José Meireles Graça,

De entre as muitas incógnitas que rodeiam a Covid19 uma não tem recebido praticamente nenhuma atenção, e essa é se a repugnante coisa é de esquerda, de direita ou do centro. Proponho-me dilucidar esta dúvida excruciante.

As medidas tomadas para garantir o afastamento social implicaram a suspensão de direitos constitucionalmente garantidos, o reforço dos poderes policiais, banalizando a detenção (o nome púdico que se inventou para qualificar a prisão sem julgamento) sob pretextos fúteis, a redução dos trabalhos parlamentares ao mínimo, o encerramento compulsivo de empresas, o encerramento total ou parcial de estabelecimentos que, podendo teoricamente funcionar, deixaram de o fazer por falta de clientes, a redução ou eliminação dos proveitos de trabalhadores independentes e profissionais liberais, o avolumar das dívidas do sector privado (que já eram de 191% do PIB em 2019, excluindo o sector financeiro, a que acrescem 150% do sector público não financeiro), o avolumar da dívida pública (que estava, no mesmo ano, mais ou menos em 250 mil milhões), o aumento demencial do risco de imparidades nos bancos e nas empresas que sobreviverem… a lista é infinita.

Tudo isto tem consequências na vida do Estado, que verá as suas receitas afundarem por depressão da actividade económica e as suas despesas crescerem por efeito do aumento da quantidade de desempregados com subsídio e de gente a necessitar de apoio, e na das pessoas, sobretudo, de imediato, daquelas (pequenos patrões, independentes) cuja vida depende de a ganharem todos os dias com o que vão fazendo…

Uma hecatombe. Importa perceber se é um mal menor, por que razão se aceitou, até agora pacificamente, uma tão inclusiva operação de suicídio colectivo, e o que explica a relativa tranquilidade da classe política, mormente a da parte dela que governa.

Do que se sabe da Covid, parece que a taxa de mortalidade é, se for, apenas ligeiramente superior à da gripe, ou seja, 0,1%; que, de forma muito mais acentuada que a gripe, atinge os velhos, sobretudo se maiores de 70 anos, mas poupa os jovens; que é mais contagiosa, incluindo por assintomáticos; que talvez deixe sequelas que a gripe não deixa, ao menos em alguns recuperados; e que requer um internamento mais longo, quando ele é necessário, incluindo naqueles casos que chegam aos cuidados intensivos.

Nunca se pararam países por causa de um risco de morte de 0,1%; e menos ainda se o principal grupo de risco, isto é, os maiores de 70 anos, representa, mesmo numa sociedade envelhecida como a nossa, 16% da população, convindo também não perder de vista que a média de idades dos que morrem pela Covid é superior à da esperança de vida (a confirmar, ignoro se é assim por toda a parte). E, antes que se me venha dizer que, estando a falar de morte, é insensível pôr a vida das pessoas num prato da balança, e no outro a economia, lembro que eu próprio estou muito perto daquele grupo de risco, e que as recessões causam, além de quantidades imensuráveis de sofrimento, mortes por suicídio, falta de assistência médica, subalimentação, e todo o cortejo de misérias que afligem os que não têm voz e estão longe da asa protectora do Estado e dos holofotes da opinião pública. De resto, uma das razões porque o SNS estava tão mal equipado para responder aos picos de afluência era a contenção de despesas, necessária por se ter optado por outras afectações da despesa pública, e isso por causa… da economia, a tal que agora devemos ignorar.

Se isto é assim, porquê então o fervoroso apoio inicial às medidas de contenção? A explicação encontra-se, simplesmente, no medo. Medo do desconhecido, medo do que nos toque pela porta, senão directamente ao menos a familiares queridos, medo de raciocinar no meio do estouro da boiada. E medo induzido pela histeria interesseira da comunicação social: esta não venderia um chavo se noticiasse tempestades dizendo que não levantaram telhados, não provocaram sérias inundações nem arrancaram árvores pela raiz. Daí que não vejamos quase nunca a taxa de mortalidade nem os contextos, e vejamos todos os dias opiniões de médicos e outros profissionais exaustos, cientistas sortidos a aproveitar a boleia para promoverem as suas disciplinas e as suas relevantes pessoas, e cidadãos com minúsculas cátedras de influência a juntarem-se à procissão da moda, que é a dos salvadores da pátria cheia de febre e tremuras, tolhida de pavor. Para não falar dos políticos que, se forem de esquerda, recebem de braços abertos o maná do reforço dos poderes do Estado e da sua importância na vida da colectividade e, se forem de direita, querem cavalgar a onda da opinião pública e não parecerem menos aflitos com a gestão da crise.

A boiada estoura mas pára pelo cansaço. E a razão pela qual está a diminuir de velocidade mas ainda não parou é que reformados e pensionistas são três milhões e seiscentos mil; funcionários públicos 683.000; trabalhadores em layoff (que ganham dois terços do salário mas poupam em deslocações e refeições fora de casa) à volta de um milhão; desempregados com subsídio aí uns 160.000, a crescer todos os dias; e trabalhadores ainda no activo serão não muito longe de 4 milhões.

Toda esta gente acha que o preço de não ir a concertos nem restaurantes, e ficar em casa a aturar a canalhada, não é demasiado alto para evitar riscos que lhe dizem ser descomunais. E teria razão se não fosse ela a pagar, a prazo, o custo da paralisia.

E decerto os funcionários públicos, reformados e pensionistas, o principal fonds de commerce do socialismo pátrio, só pagarão sob a forma de aumentos protraídos; os outros que se desenvencilhem quando a factura chegar.

O Governo aposta que não virá factura nenhuma, confiante em que a EU fará o que for preciso para não deixar desmoronar o edifício, sapado pelo estado calamitoso das finanças italianas e dos outros países do sul da Europa. E não só não virá factura, e portanto não haverá austeridade, mas inclusive a economia vai finalmente modernizar-se através do digital, do combate às alterações climáticas e da substituição de importações do Oriente, tudo sob a lúcida orientação de Siza ou doutro capitão socialista da indústria de perdigotos que estiver de turno.

Se a Europa vai cair nesta arola não sei – é possível que arranje umas meias tintas de bodo aos pobres (o nome técnico é subvenção) e empréstimos a pagar à la longue. Mas lá que vem arame, vem. Tanto que o patrão dos patrões do encosto ao Estado e da economia dirigida já esfrega as mãos.

É provável que a malta em casa se incline a inundar as ruas, mal o vírus seja notificado que o estado de emergência acabou; que as medidas de regresso à normalidade não sejam excessivamente respeitadas porque parte delas não tem outro propósito que não seja fingir que as anteriores foram razoáveis; que haja um estremecer de cidadania em relação a proibições absurdas, como a de limitação do acesso a praias, ou à forma desumana como se pretende decretar a prisão domiciliária sine die dos velhos, para o efeito de os proteger deles próprios; e que fique um rasto de reforço de estatismo porque seremos submergidos pela propaganda da imensa sorte que tivemos em atravessar esta fase sob a esclarecida, e benevolente, direcção das autoridades.

E então, a maldita Covid, sempre é da direita anacrónica, da esquerda progressista ou da outra nem tanto, do centro… como é que fica?

Ora bem, não é uma coisa boa, portanto deve ser de direita. Mas a verdade é que nasceu num país de retórica comunista, logo deve ser de esquerda. Porém, as medidas tomadas em múltiplos países implicaram diminuição das liberdades, e portanto tanto poderia ser fascista como comunista. O caso é difícil, mas não creio que seja necessário recorrer ao polígrafo: o vírus reforçou os poderes do Estado, veio com doses massivas de propaganda, infantilizou os cidadãos, provocou grande estragos na economia que vão ser corrigidos com dinheiro da Europa para promover himalaias de corrupção, amiguismo, e elefantes brancos. Donde, só pode ser socialista.

23 comentários em “Vírus socialista”

  1. É pá, há uma coisa que eu não entendo. Se o sars 2 é tipo alergia dos pólens ou vá lá uma gripeza como se explica :

    https://www.google.com/amp/s/www.cartacapital.com.br/mundo/sem-caixoes-equador-enterra-vitimas-de-coronavirus-em-caixas-de-papelao/amp/

    https://www.google.com/amp/s/www.cmjornal.pt/mundo/amp/tragedia-anunciada-maior-cemiterio-de-manaus-no-brasil-forcado-a-abrir-valas-comuns-para-vitimas-de-coronavirus

    https://www.google.com/amp/s/www.dn.pt/mundo/amp/nova-iorque-abre-valas-comuns-para-enterrar-os-mortos-por-coronavirus-12056106.html

    https://www.google.com/amp/s/www.publico.pt/2020/04/07/local/noticia/covid19-producao-caixoes-chaves-duplica-devido-pandemia-espanha-1911335/amp

    E o burro devo ser eu! Tudo de bom José. Faz falta no DO uns “postais” , assim.

  2. Quando António Costa diz que não haverá austeridade ele dirige-se, naturalmente, a “reformados e pensionistas são três milhões e seiscentos mil; funcionários públicos 683.000”.
    Quando António Costa diz que férias este ano terão de ser cá dentro ele dirige-se, naturalmente, a “reformados e pensionistas são três milhões e seiscentos mil; funcionários públicos 683.000”

    A solução é simples e já foi encontrada há coisa de uns 5 anos atrás, “A primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro”

  3. Expressões como “parece que” e “a confirmar” destroem qualquer argumentação.

    A taxa de mortalidade é 0.1%? Onde leu tamanha enormidade?

    Se observar as estatísticas a nível mundial, considerando que o número de vítimas peca por omissão (no método, na falta de testes, no efeito “mordaça”), irá certamente reparar que a taxa de mortalidade se aproxima de uns alarmantes 7% da população infectada!

    Não é necessário exagerar. Para isso já temos a “comunicação social”.

    José de Bêtum

    1. Poderia pôr aqui uma interminável lista de fontes, mas não adiantaria nada porque este assunto, pelo que se vê pelo seu comentário e outros, se transformou num assunto de fé com a bíblia mal lida, e confundindo as tolices que se leem nos jornais com factos. A taxa de mortalidade da população infectada (e que, incidentalmente, não é essa que indica) não se chama taxa de mortalidade mas sim de letalidade. A distinção entre as duas pode ver, por exemplo, aqui: https://observador.pt/opiniao/qual-a-diferenca-entre-a-taxa-de-mortalidade-e-de-letalidade-da-covid-19-o-interessante-caso-da-islandia/

    2. Esses 7% deve ter ido buscá-los ao worldmeter e são a relação entre o número de mortos e os infectados (que hoje, efectivamente, anda por aí), mas para essa taxa significar alguma coisa seria necessário que o número de infectados testados com resultado positivo fosse igual ao número total de infectados, o qual todavia só se pode estimar. E estimativas não faltam, embora nenhuma tenha a ver com essa percentagem que, se tivesse mesmo remotamente a ver com a realidade, justificaria de facto as medidas que têm vindo a ser tomadas, mesmo que a mesma relação fosse a portuguesa (que é, hoje, de 3,75%).

      1. Não, meu caro, vem do Johns Hopkins.

        Mas tem razão. E na razão que tem, na correcção científica com que usa o termo “taxa de mortalidade”, observa-se o extremo da falácia da sua argumentação.

        Talvez não tenha percebido que a única coisa que separa a “desprezável” taxa de mortalidade da taxa de letalidade é exactamente o conjunto de medidas de contenção, a “limitação das nossas liberdades individuais”, agora tão caras aos radicais. .

        Como é óbvio, qualquer radical da madraça da direita pensa sempre que um trabalhador com salário e condições indignas é melhor que um desempregado e esquece que um desempregado é melhor que uma vítima.

        Deve ter sido de ter ouvido o Trump, ou no decurso da leitura da sua longa prédica, que, àquela hora, me deu um trejeito de estupidez.

        José de Bêtum

    3. Já escrevi isto várias vezes neste blogue.

      “Sabe-se também que números realistas da “case fatality rate”, tal como noutra epidemia qualquer, só podem ser determinados após o términus da pandemia. Contudo, têm sido avançadas estimativas para esse número de óbitos dividido pelo número total de infectados situadas entre os 0.6% e 1.2%.

      Não obstante, continuamos sem ter estimativas, mesmo que groseiras, do número de óbitos que se vão registar em consequência da crise económica que se avizinha. É ridículo, mas é verdade. Até parece que as crises económicas não conduzem a aumentos da taxa de mortalidade.”

      “Também de acordo com aquilo que já se sabe, dada a escassez de testes e o número de casos assintomáticos verificado, o número real de infectados pode ser superior ao conhecido por um factor de 10 a 20 vezes mais.”

      Num estudo referente a um teste de anticorpos realizado no estado de Nova Iorque e a que a nossa querida DGS se referia ontem, da amostra de 3000 pessoas testadas, 13.9% apresentavam a existência de anticorpos. Restringindo a amostra apenas aos residentes em Nova Iorque, essa percentagem subia para 21%.

      Atendendo a que o estado de Nova Iorque terá 19.4 milhões de habitantes, a percentagem de 13.9% corresponde a 2 696 600 pessoas – número “real” de infectados. Tendo ainda em conta o número total de óbitos verificado na altura e correspondente a 19 453, chega-se a uma taxa de mortalidade (provisória) de 0.72%.

  4. Esse número da taxa de mortalidade de 0,1% aparece donde?
    Veja os números oficiais a nível mundial, faça contas e depois, sim, escreva sem enganos.

    1. Os números oficiais “a nível mundial”, se se está a referir ao worldmeter, são óptimos para fazer parangonas alarmistas confundindo taxas de mortalidade com taxas de letalidade, e deduzindo estas não a partir do número estimado de infectados mas sim do número de pessoas efectivamente testadas com resultados positivos. A taxa de 0,1% é uma estimativa relativamente conservadora (há muitas inferiores) e não vale a pena indicar estudos – há sempre outros com resultados diferentes. A razão porque não aparece esta indicação em lado nenhum (que, mesmo assim, representaria em Portugal 10.200 mortos) é porque 0,1% não impressiona por aí além, de mais a mais porque logo haveria quem comparasse com as mortes por outras patologias. O que impressiona são números absolutos descontextualizados. Se me permite devolver-lhe o conselho, sugiro-lhe que comente sem enganos.

  5. “Donde, só pode ser socialista.”

    Conclusão errada. O vírus mata todos os que puder levar, independentemente, do credo político, religioso, da raça e do sexo, não estando eu bem certo quanto a estes últimos dois, existindo estatísricas que mostram o contrário. Mas adiante.

    O vírus é essencialmente democrático. Não discrimina os que contagia e mata aqueles que tiver oportunidade. Tal como aconteceu com a gripe espanhola, a peste bubónica, a peste negra e tantas outras pestes e pandemias. É o pleno da democracia, unicamente ofuscado pela diversidade genética e pelo facto de nós sermos nós e as nossas circunstâncias.

    O vírus mata comunistas, fascistas, ditadores, republicanos, democratas, monárquicos, mulçulmanos, cristãos, budistas, judeus, nacionalistas, revolucionários, nem que seja do pensamento, negros, brancos, vermelhos, amarelos, xenófobos, islamofóbicos, misandríacos, misógenos, ateus, agnósticos, sensatos, irrascíveis, simpáticos, inteligentes, estúpidos, figuras conhecidas, pessoas anónimas, ricos, pobres e remediados. E de todos os géneros da “construção social” sistematicamente arrasada pela Biologia.

    Mata os que pode e quanto mais mata, com menor probabilidade de “sobreviver” e de infectar fica. Por isso o vírus, para além de democrata, é estúpido.

    Assim como são estúpidas todas a reacções motivadas pelo pânico, pelo medo do desconhecido, pelo stress a que toda a mudança de paradigma obriga, desde que não fundamentadas em sólidas bases científicas. Mas esta é a condição humana, espelhada com o destaque habitual nos meios de comunicação e na actuação da generalidade dos governos europeus. Nada de novo, portanto.

    Que a “cura” que nos foi imposta se pode vir a revelar pior do que a doença, disso não tenho dúvidas. Que há que aplanar a curva de infectados em função do tempo, para evitar o colapso dos sistemas de saúde, também não me restam dúvidas. Que não se pode parar a actividade económica sem que haja consequências, não há quaiquer dúvidas, basta olhar para o aumento da taxa de mortalidade entre 2009 e 2015.

    Entre outros factos ridículos, destaco a inexistência de estimativas, mesmo que grosseiras, do número de vítimas indirectas que a crise económica já instalada irá provocar, por contraposição à multitude de modelos epidemiológicos existente. Até parece que as crises económicas não conduzem a aumentos da taxa de mortalidade.

    E não me venham dizer que estou a pretender trocar vidas por euros. Não é verdade. Apenas gostava de poder equacionar óbitos com óbitos, sem ter em conta os custos. Para depois poder equacionar óbitos com óbitos e respectivos custos.

    PS – Pelo que tenho conhecimento, já há pessoas a passarem fome, devido à paragem forçada da economia, que as levou a ficarem sem receita mensal. Entretanto, do outro lado do mundo, em Taiwan e na Coreia do Sul, a vida tem decorrido com a normalidade possível, os restaurantes têm estado sempre abertos e não houve necessidade de quarentenas cegas investidas na qualidade de comissões liquidatárias da economia que nos resta. Ridículo.

    1. Calma. Em Singapura também foi assim, agora tudo está a começar a fechar por ter havido/começado outra vez a aparecer o bicho.

      1. É com toda a calma e com toda a objectividade, fundamentada nos números por milhão de habitantes, que lhe respondo.

        Singapura

        Total de casos diagnosticados: 2,170
        Total de óbitos: 2

        Japão

        Total de casos diagnosticados: 101
        Total de óbitos: 3

        Coreia do Sul

        Total de casos diagnosticados: 209
        Total de óbitos: 5

        Portugal

        Total de casos diagnosticados: 2,294
        Total de óbitos: 86

        (Fonte https://www.worldometers.info/coronavirus/ )

        Também o Japão já decretou o estado de emergência, muito diferente do nosso. Pelos números apresentados, quando se toma Portugal como termo de comparação, algo de muito grave se deve estar a passar em Singapura e no Japão. Nota-se.

          1. Estatísticas e estatísticos: tudo gente do pior.

            “Pode-se sempre torturar os números de tal forma que eles acabem por confessar aquilo que pretendemos. Embora para isso se tenha que ser intelectualmente desonesto” (autor desconhecido, provavelmente eu próprio, já nem sei).

            “There are lies, damn lies and statistics” (Mark Twain, citado de memória).

            “Entre 100% de nada e uns míseros por cento de qualquer coisa, faço sempre questão de deixar os 100% para os outros” (autor desconhecido, mas generoso).

  6. Parei de ler quando se refere uma taxa de mortalidade errada. O autor a partir desse ponto manda a credibilidade às malvas.

      1. É assim;
        Devia ter parado de ler logo ao título do post, mas não gosto deste PS nem com molho de tomate e pensei que o artigo era outra coisa.
        Acho que o Delito de Opinião é o melhor blogue generalista nacional.
        Há nele espaço para a minha opinião, a do Vorph (por quem não morro de amores mas que lhe respondeu bem), a sua, até a do Lavoura, e é saudável.
        O que você quer de mim, com o tonzinho paternalista que nem ao meu pai admito, é briga. Não.
        As minhas fontes principais são a OMS e o CDC – aconselho os curiosos aflitos a ir lá ver, há muita informação e muitos links para outras organizações de saúde pública, estudos, comparações, etc.
        Estou convencido de que você também as consultou, mas decidiu escolher outras.
        Eu não tenho narrativa, apenas quero saber melhor o que me ameaça e como me posso proteger.

  7. “E decerto os funcionários públicos, reformados e pensionistas, o principal fonds de commerce do socialismo pátrio, só pagarão sob a forma de aumentos protraídos; os outros que se desenvencilhem quando a factura chegar.”

    Quando se refere a funcionários públicos e pensionistas está também a referir-se a médicos, polícias, professores, militares e mais uma catreva de gente que nos seu entender tem obrigação de trabalhar de graça para si, porque o sr é um “empreendedor”. E as pessoas que trabalharam a vida inteira e recebem a pensão mínima, que são a maioria, para si são uns parasitas que deviam morrer de covid para não votarem socialista.

    1. Nunca consegui perceber o comentário populista, ou seja que toda a gente gosta de ouvir, passou toda a vida a trabalhar para ter uma pensão de miséria.
      Há uns anos um dono de uma fábrica de roupa barata, fornecedor de feirantes, gabava-se na tv de ter já comprado três ‘Porsche’ . Gosto de ter Porsches, dizia ele, e não pensem que pago um ordenado de miséria às mulheres que trabalham na fábrica, algumas até ganham o ordenado mínimo.
      Quer dizer que uma trabalhadora ou um trabalhador que passou toda a vida a trabalhar e a ganhar um baixo salário numa fábrica, teria/tem sempre uma pensão de miséria.
      Nunca ouvi a mesma expressão e a seguir dizer que haveria de haver uma pensão máxima e uma mínima equilibradas.
      E não venham com aquela de seguros de pensões, pois aparece um covid & cia. e lá se vai tudo, como o AL que estava mesmo a dar uns dinheirinhos.

  8. Para mim o bichinho é neoliberal: anda por todo o mundo, afecta todo mundo e corrompe todo o mundo. Adicionalmente funciona como uma subvenção da natureza para ajudar a natureza humana a revelar-se em toda a sua amplitude.

    Dito isto, os números que apresenta sobre a gripezinha são ainda tão baixos na medida em que as medidas tomadas permitem manter essas percentagens. O confinamento serve exactamente para minorar os efeitos que o neoliberal bichinho poderia oferecer a uma grande parte da população que, no caso português, como refere é bastante elevada e é também uma excelente alavanca para a economia nacional.

    No entanto, este bichinho, devido às subvenções que transporta em si, acaba por limitar a actividade dos cangalheiros que poderiam ver seus lucros aumentados se o confinamento não existisse. Nesta medida, concordo consigo que a actividade regulamentadora do socialismo/feminismo/abortismo/eutanasianismo põe em causa a iniciativa privada, pois as leis do mercado indicam-nos que esta poderia ser uma boa área de investimento se não existisse regulamentação e ordem de confinamento.
    Está visto que o estado europeu, já pouco dominado pela Merkel e Macron, mas antes dominado por este neoliberal de altíssima estirpe, irá alargar o esquema de subvenções, pois desta vez parece que os seus bancos (Alemanha e França) deixam de ser receptores privilegiados das mesmas. Para gáudio, refira-se, do grande sector dos funcionários empresariais (vulgo empreendedores) nacional (público e privado) e também dos coitadinhos reformados, funcionários políticos (que é um sector do estado que ainda não vejo reconhecido na cartilha sindical como funcionários), funcionários públicos, funcionários cientistas, funcionários empreendedores ditos empresariais, os funcionários indigentes que dormem pelas ruas das cidades deste país, cujas subvenções, acredito, possam vir a proporcionar-lhes caixas de papelão limpas e desinfectadas diariamente para que possam fazer a cama nas mais diversas ombreiras dos edifícios públicos e privados, mas também os funcionários and so on.

    A diminuição da liberdade é efectivamente um modelo neoliberal que o socialismo/feminista/abortista/eutanisianista, à semelhança dos direitistas para o centro e dos direitistas para os lados, não quis ficar de fora para não se sentir deslocado. E é neoliberal porque agora tudo é válido para torturar as liberdades dos cidadãos, desde que, obviamente, surja de forma científica e até mesmo através dumas apps.

    Por falar em apps: quero partilhar convosco que andava muito apreensivo por nunca mais ter verificado por parte das bloquistas e bloqueadoras, mas também por parte do nosso Costinha, a preocupação pelas trabalhadoras e trabalhadores do sexo.
    Vai daí, com carácter científico e não porque quisesse ir pelas vias dos pecados mortais, encontrei-me com umas trabalhadoras do sexo para me inteirar sobre eventuais perdas relativas às normas implementadas para a realidade actual, isto é, a actividade através do teletrabalho.
    Informaram-me que este, o teletrabalho, é um modelo que não se ajusta a inovação & desenvolvimento que tem vindo a ser aplicada ao longo dos séculos neste mercado.
    Escutei muito atentamente as críticas e as propostas efectuadas, e concluí: seria importante aproveitar as subvenções vindas de Bruxelas para continuar a imprimir o carácter inovativo da actividade, investindo no desenvolvimento de apps virtuais, com base na IA (Inteligência Artificial), para se manter o natural e imprescindível realismo que caracteriza o sector e, assim, alavancar a actividade.

    Creio ter abordado o essencial que importa celebrar nesta data.

  9. Estamos portanto perante uma Europa toda ela socialista. Finalmente. A não ser que seja possível discutir o caso português de forma diferente do dos outros países, tipo isolar aqui o vírus é descobrir como ele é afinal diferente e mais maléfico só por ter atravessado a fronteira.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *