Isto das “celebrações” mostra bem o espírito de casta, fermentado na cultura maçónica e da sua estreita abordagem ao simbólico, da gente que gere o país. Acima do povo. Não vale a pena bradar sobre o fraco que é Ferro Rodrigues, pois apenas corresponde ao que há. Ou sobre a superficialidade do PR, também correspondente ao que o povo vota(ou?). Mesmo com o que João Soares disse – ainda que também ele maçónico, note-se -, mostrando senso político, talvez herdado, continuam as patetas proclamações. Imensos clamam que estando a AR a funcionar nada obsta a uma cerimónia com pompa, como se o assunto seja o do horário de uma repartição. E vão convictos nisso, como se defendessem “Abril”.
A questão é de como as pessoas recebem isto no seu íntimo. Luis Naves, nosso co-bloguista aqui no Delito de Opinião, perdeu o pai (os meus pêsames). Narra que o funeral apenas teve 11 pessoas, “uma a mais do que o permitido”. Na última semana três pessoas que me são próximas vivem situações semelhantes (um funeral paterno, duas impossibilitadas de acompanhar pais nonagenários, muito doentes, sem Covid). São coisas diferentes? São, mas o relevante é o impacto na população, as formas como a acção política é lida e sentida. Quando pessoas que há décadas vivem na e da política não o compreendem isso é sinal da degenerescência do regime. E do quão obtusos são muitos dos cidadãos que, por estreita militância de sofá, sentem que apoiar é tudo aceitar.
João Gonçalves escreveu ontem um postal no FB sobre o facto da rainha de Inglaterra ter, pela primeira vez, suspendido as celebrações públicas do seu aniversário (que têm, no seu simbolismo, uma dimensão política). Veja-se o inusitado eco desse postal, muito significante. Entretanto Putin cancelou as celebrações da vitória na II Guerra Mundial, as quais têm uma dimensão extrema de exaltação nacionalista e de afirmação deste presidente. Ao invés, por cá temos o “poeta de combate” Manuel Alegre a sair à liça, em retórica falsária, a defender “Abril” – quando o que se pede, e ele aldraba na contestação, é uma frugalidade simbólica, uma densidade política.
E tudo se fará para festejar com pompa, ao invés do que mandaria a prudência sanitária (pelos efeitos no comportamento das pessoas, não pela higiene da cerimónia) e a comunhão política (idem). Também para que se possa dar realce simbólico e político a um homem tão básico como Vasco Lourenço. Esse que, exaltado com a proximidade de “Abril” onde terá o seu momento anual de consagração, acaba de apelar ao golpe militar no Brasil. E ao qual os seus correligionários maçónicos tanto abraçarão entre pompas e cerimónias, “para brasileiro ver”.
Claro que ao dizer isto convoco que as rasteiras invectivas, os urros de “bolsonarista”, “fascista”. Exactamente daqueles que andam aí a defender “Abril” deste modo. Para um ou outro escasso imbecil que ainda apoie esta arrogante medida mas que ainda tenha no seu recôndito âmago uma escassa centelha de inteligência (é uma hipótese meramente académica) deixo o trailer deste fraco filme, sobre os dias subsequentes à morte da princesa Diana. O qual valerá apenas por Helen Mirren. Mas há um detalhe que me tem vindo à memória nestes dias em que se discute o simbólico das celebrações (“quer-se dizer”, há imensos imbecis que nem percebem o que é “simbólico” mas que para aí andam a falar como “doutores”). Resumo-o:
Diana morreu, comoção generalizada, e crise pois o povo reclama do que considera ser falta de apreço real pela princesa. A quebra de popularidade da Coroa virá a ser enorme, e levará década a sarar. Nos dias prévios ao funeral Blair, muito popular, tenta remediar a situação.
Ora um dos factos que indigna a população, em luto pela “princesa do povo” como lhe chamou Blair, concentrada diante do palácio e das tvs, foi que a bandeira no palácio não fora colocada a meia-haste, como se deveria fazer em sinal de luto. Correu que era o sinal do menosprezo real pela princesa. E estupefacção da rainha quando Blair lhe pede para mandar colocar a meia-haste a bandeira. Pois aquela, no seu simbolismo peculiar, é o pavilhão real, apenas içado para significar a presença da rainha. Tem um significado diferente da bandeira nacional, essa sim passível de ser colocada a meia-haste. Mas as pessoas não conheciam esse detalhe, hoje em dia esquecido. E atribuíam outro significado – político -, julgando-o uma afronta.
É um filminho, não é preciso ser cinéfilo para o ver ou conhecer. João Soares viu-o. O pai dele sabia da poda. Esta gente de agora, aprisionados na sua mentalidade de casta, na jactância, nada percebem. São os coveiros de “Abril”. Com a voz cava e vácua de Alegre, e a patetice grosseira de Lourenço e Rodrigues. E dos seus sequazes.

As figurinhas que em cada ano se penduram na data vão da tonitroante ‘voz de Argel’ a um rústico capitão arvorado.
Gente da ‘situação’ que se querem mostrar revolucionários.
Atenção, se está a aludir ao oficial a que me refiro no texto ele não é arvorado. Criticar sim, radicalmente se for caso, mas com pertinência. O resto é calúnia.
Elite “abrilista” = velhos salazarinhos de Abril. Regime podre e pobre. Tenho escrito.
Está pobre, e este caso mostra-o. Quanto ao podre é outro assunto, que muitos vimos discutindo. Não é este caso que o mostrará, julgo. Mas a fruta está muito tocada …
Très falências do estado e a quarta à porta classificam a situação como pera doce, será?
Tem razão JPT. A mim caiu-me muito mal aquela atitude do Ferro Rodrigues, armado em representante das maiorias, ao tentar calar o deputado do CDS. Quando vi a reportagem, lembrei-me logo do “desabafo” que ele teve, que devia desclassificá-lo para as funções que agora desempenha, quando ele disse o que disse.
Repito-me: esta gente parece que perdeu o bom senso. Ditaduras de maioria, em certas circunstâncias, não deixam de ser ditaduras. E era bom que lembrassem isso a essa gente.
Perderam o bom senso, mesmo.
Neste momento difícil o povo exige que o Parlamento não se curve ao vírus fascista e comemore condignamente o 25 de Abril.
O País agradece este enorme esforço e toda a coragem demonstrada.
Essa é a habitual manipulação da história, contra a qual, ainda para mais em momento tão difícil do país, tenho que me opor. O vírus não é fascista, e é uma falsidade perigosa proclamá-lo assim num espaço público. O vírus é maoísta, e só a campanha insidiosa pode querer esconder essa realidade.
Os meus pêsames a Luís Naves e família
O que lhe dói não é que se comemore o 25 de Abril.
É que não se comemore o 28 de Maio.
Como é que descobriu? Mas, creia, lá chegaremos, lá chegaremos.
Cuidado com o que deseja.
Depois não pode ter um blog a queixar-se.
O pensamento que o mal só vem aos outros é pouco avisado.
Eu?
eu e’ mais que nao se comemore o 25 de Novembro
Lembra-se?
EdeCarvalho
Por mim quantos mais feriados houver …
Um país, e um regime , que têm como arautos duas figuras, vis e reptilíneas , como alegre e rodrigues ( segunda figura do Estado !!! ) não merecem respeito.
JSP
eu sou mais democrático nas minhas irritações
Naquele dia tão longo estava em Tete. Já sabia o que aí vinha e já estava preparado. Detestei-me em cada dia da minha comissão. Mas cumpri cada missão que me foi dada. Infelizmente vejo ao longo destes anos que os heróis foram aqueles que com cagaço de lá pararem, simularam a luta pela liberdade, quando o verdadeiro motivo daquela tomada, foi o medo. Hoje são os maiores e nós, que lá estavamos, que lá deixamos sangue e suor, somos os parasitas que para ter direito a uma esmola anual, têm de suplicar. E agora temos estes trastes a organizar festividades, quando eu não vejo os meus netos à 39 dias, não beijo a minha filha à 39 dias e não pude estar presente no funeral de um camarada de armas que comigo suou e sangrou. Eu tenho muito mais direito de estar nesse funeral, do que estes alarves da liberdade, que lá sabem o que é o estado novo, de festejarem esta data. Destestei-me durante 26 meses e detesto o que isto se tornou à 46 anos.
Obrigado pelo seu testemunho. Há no que narra um ponto que a elite política esquece mesmo, que é a gestão da morte. Estão tão autocentrados que nem nisso pensam, no que isso implica na apreensão popular, a nossa, do que se vai passando. É mesmo um “nós” e “eles”.
Com o devido respeito por seu texto e a sensibilidade que pretende passar nesta reflexão, permita dizer-lhe que o que me deixa puto da vida neste país é estar a discutir-se a merda de umas comemorações ao invés de se preparar e divulgar matéria de que como o país começará a funcionar a partir de 02 de Maio; a funcionar com as medidas de segurança.
Escutava hoje as notícias na rádio sobre a preocupação de como controlar os acessos às praias e fiscalizar a ordem que se deve estabelecer, pois só existem 300 agentes disponíveis para o país todo, incluindo ilhas.
E isto pareceu-me um absurdo, porque ao invés de se apresentarem soluções apresentam-se queixas constantes.
E a solução é simples:
Nas áreas de veraneio /praias dever-se-á interditar alternadamente o acesso a determinadas praias, reduzindo-se assim o número de áreas a fiscalizar. Concomitantemente em cada região de veraneio, para ajudar esses efectivos, chamar-se-á a polícia municipal e os fuzileiros a participarem dessas acções fiscalizadoras e aconselhadoras da população. Fiscalização esta a efectuar-se tanto em terra como através de pequenos barcos ao longo da costa (das praias destinadas ao efeito).
Tem razão no que diz sobre isto de preparar o que aí vem. E, concomitante, da puerilidade do que aqui vou deixando. Vou ser muito franco: se eu tivesse algum contributo substantivo para resolver, parcialmente claro, o que aí vem, escrevia um relatório (ou projecto) e vendia-o a quem o quisesse comprar. Mas nada me ocorre. Ainda por cima há para aí 15-20 ainda escrevi umas páginas sobre pequenos e marginais assuntos que poderiam, minha arrogância decerto, ser úteis. Depois disso, como é óbvio, passei a blogar puerilmente, neste irresponsabilidade.
Quanto à racionalização da utilização das praias é bonito o que diz. Mas, claro, impossível, como reagiriam os concessionários da venda de gelados Olá e de Bolas de Berlim?
Se leu bem o meu texto, eu referi: “Nas áreas de veraneio /praias dever-se-á interditar alternadamente o acesso a determinadas praias”.
Alternadamente significa isso mesmo, dar oportunidade aos concessionários de manter a actividade minimizando as perdas. Eu disse minimizar perdas, pois todos as teremos.
A “puerilidade” do que deixa não é sua, é de quem está a governar ou em órgãos de representatividade.
Eu li o que escreveu. O que digo é que por mais racionalidade que esteja presente na sua proposta e que pudesse vir a estar presente numa tentativa (estatal, municipal) de levar isso em diante, logo se levantariam questões como as que me ocorreram. Agora estamos em Abril, o povo ainda confinado, e os políticos a arejar os melhores fatos para não cheiraram a naftalina na festa do fim-de-semana. Mas quando chegarmos a Junho esta relativa congregação em torno da saúde geral vai ser mais difícil
Quanto à “puerilidade” é também minha, decerto.
A questão é algumas dezenas de indivíduos, que sempre se julgaram donos do regime, estarem agora de facto na posse do regime. Podem fazer o que quiserem, sabendo-se impunes e sem vigilância – até porque uma grande maioria da imprensa é cúmplice e a primeira figurinha do Estado a que chegámos, ambicionando a reeleição com percentagem norte-coreana, foge a tudo o que seja escrutínio desta malta sendo, ele próprio, parte do problema.
Essa do ‘ao que chegamos’ já passaram 46 anos nisso.
Agora é uma chatice por estarem estes no governo.
Arranje-se uma manif como aquela contra o Passos que queria baixar os impostos aos patrões e subir aos empregados. Vamos a isso pra ver se ‘lá chegamos’..
Sousa só pode fugir ao escrutínio. Foi a agenda dele, evitar o escrutínio. Está a cumpri-la.
Os porcos é que sabem.
Comer, beber e festejar.
Os restantes animais ficam no estábulo.
É maçonaria por todo o planeta.
Por todo não. Na Cossegânia e na Ilhas dos Cágados Encantados não há celebrações.
Está enganado no que diz, sabe-se bem como está a Cossegânia.
As celebrações, com direito a desfile, que se realizavam na Av. da Liberdade, em Lisboa, sobre o fim da Grande Guerra, nos anos de 1980 eram organizadas com a presença de soldados portugueses da Batalha de La Lyz.
Julgo que jpt não diria ‘é sempre a mesma coisa com estes velhadas’. Então com quem haveria de ser?
Terá que aguentar mais uns anos para deixar de ver estes ‘actuais velhadas’
Anónimo onde é que me encontrou, neste postal ou noutro qualquer, a dizer “é sempre a mesma coisa com estes velhadas”? Ou qualquer expressão implícita ou explícita que transporte esse sentido? Nada do que escrevi ou pensei tem esse sentido, não me venha dizer essas coisas.
Quanto às comemorações da batalha de La Lys não me lembro de as ver. Lembro-me sim das celebrações do 5 de Outubro com os últimos sobreviventes, ali na estátua junto ao Técnico. Nós sorríamos com “os velhadas”, cada vez menos, como é da lei da vida, com as evocações e comoções. Não foi isso que me fez menos republicano. Como “os velhadas” de agora e as celebrações não me fazem menos democrata. Não tenho é que pensar, lá porque sou republicano, como um tipo da Carbonária em 1915 ou um terceiromundista em 1985. E posso dizer que este processo é lamentável. Mas isso já o disse em tres postais aqui, não me irei repetir.
O argumento para contrariar quem critica a elite (política) é sempre “tu queres é o salazar de volta”.
Já justificar os privilégios e tratamento diferenciado… eh pá, sentes falta é do Estado Novo.
sim, as críticas são bastante monotemáticas neste período de águas mil, Mas no resto do ano está viçoso o insulto “liberal”.
Apesar do autor não ser ‘grande espingarda’, dá relêvo a quem não o tem.
Confesso que detesto esta mania do desrespeito anónimo. Você quer-me criticar ou apenas apoucar faça-o, se eu não quiser passar por isso não blogo. Agora exijo um mínimo de respeito. Você vem aqui insultar-me, dizendo que “não sou grande espingarda”? Com que direito? Eu sou um canhangulo, critique-me na minha condição, não numa outra.