Lembrei-me disso depois do discurso de Páscoa de Boris Johnson, quando saiu do hospital. Para além dos elogios pessoais aos enfermeiros Luís “near Porto” e à neozelandeza Jenny, que tanto ecoaram nos respectivos países, o primeiro-ministro não se cansou de exaltar e elogiar o afamado Serviço Nacional de Saúde britânico. Tem a sua graça ver estes elogios da parte de um líder conservador. O National Healthcare Service é, não nos esqueçamos, uma criação do governo trabalhista pós-guerra de Attlee, que sucedeu a Churchill (que voltaria a tomar o lugar do trabalhista depois). Na altura, muitos acusaram a “deriva socialista” da medida, mas o certo é que mais nenhum governo, nem o de Thatcher, que apostava na diminuição do peso do estado, se atreveu a acabar com ela, ainda que tivesse havido cortes, emagrecimentos e concorrentes. O serviço nacional de saúde tornou-se ele próprio num instituição britânica, que como se sabe, são coisas particularmente defendidas naquele país. Como dizia alguém recentemente, o National Healthcare Service é “the closest thing the english people have to a national religion”, não esquecendo a igreja anglicana.
Tem o seu significado ver essa criação trabalhista de Attlee ser tão elogiada por um primeiro-ministro conservador, logo Boris que tantas vezes evoca Churchill, sobre quem até escreveu livros. A sua experiência recente no hospital ajudou, claro. Mas em tempos de crise, repito, opta-se pelo pragmatismo em lugar das trincheiras ideológicas. As ideias e a política não desapareceram, mas pode-se extrair o que de melhor há nelas – neste caso, um serviço nacional de saúde forte e preparado e a contribuição generosa da sociedade e dos particulares. Ambos são necessários e preciosos. Não para se curvar perante unanimismos mas para unir esforços no sentido de defender a nação, os cidadãos e o bem comum.


É certo o que afirma. Mas convém dar-lhe uma achega. Achega esta que vem através de BIll Gates em uma conferência efectuada em 2014/15, pós epidemia do Ebola: iwI
https://www.youtube.com/watch?v=6Af6b_wy
Também acha que o Bill Gates já tinha planeado tudo “para ganhar milhões com as vacinas”, logo ele que tem tantos problemas financeiros e vive remediado?
Viva, João Pedro. A propósito de Clement Attlee, figura sempre obscurecida pelo gigante Churchill, seu aliado e seu rival, recordo o texto que aqui publiquei em Fevereiro de 2014 – e não por acaso nesse ano específico: m-louvor-de-clement-attlee-6092949
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/e
Muito bem lembrado, Pedro.