«Resta saber para onde vai tanta literatura. Fui agora almoçar a casa e vi a correspondente da RTP em Madrid a dizer que este ano vai ser o pior para Espanha desde o fim da Guerra Civil, “em 1945” (cito). O primeiro-ministro disse que só fugiam ao interdito pascal de circulação três concelhos (sic) “pelo facto de o seu território não ser contíguo: Vila Real de Santo António, Oliveira de Azeméis e Montijo”, todos os jornais e televisões repetiram, e não houve uma alma nesta terra que dissesse que não é Oliveira de Azeméis que é descontínuo, mas Oliveira de Frades. Tanto livro e tão pouco leitor.»
Do nosso leitor JPT. A propósito deste meu texto.

“não é Oliveira de Azeméis que é descontínuo, mas Oliveira de Frades.” Tenho a ideia de que nenhum deles é descontínuo. Suponho mesmo que não existe nenhum concelho descontínuo.O que acontece é que Oliveira de Frades tem uma concavidade.
Os municípios de Oliveira de Frades, Vila Real de Santo António e Montijo são mesmo descontínuos geograficamente. isto é, possuem exclaves.
E são descontínuos Trancoso e Soure. Curiosamente o exclave de Soure é um enclave de Montemor o Velho
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_m unic%C3%ADpios_portugueses_territorialme nte_descont%C3%ADnuos
Sem em vez de ter “uma ideia” tivesse um mapa, estava resolvido o seu problema.
Oliveira do Bairro, de Frades, do Hospital, é tudo a mesma coisa. Ruralidades.
Já para não falar que o governante se esquece que a Constituição acabou com os concelhos e trocou-os pelos municípios. LOL.
Com o regresso da telescola e algumas aulas de geografia talvez a coisa se componha.
A guerra civil espanhola terminou em 1939. 1945 foi o fim da II guerra mundial.
Assim de repente encontrei mais dois: Soure e Trancoso.
Sem nunca esquecer certo jornal da Sic onde a voz off explicou que «a nossa relação com o Brasil já data do tempo dos reis», e o jornal da Tvi que nos alertou para as dificuldades de alguns chineses «de etnia muçulmana».
Apenas para lembrar que a freguesia de Lomba, na margem esquerda do Douro, pertence ao concelho de Gondomar, cuja sede se situa na margem direita daquele rio.
Por isso, os habitantes de Lomba, quando querem deslocar-se a uma qualquer outra freguesia do seu concelho, têm de atravessar territórios de Lever e Crestuma, freguesias do concelho de Vila Nova de Gaia. Isto se não tiverem barco ou não quiserem ir a nado…
A este propósito, na minha opinião a limitação das deslocações não devia ter como referência o concelho, mas sim a residência. E se assim fosse, poder-se-ia estabelecer que ninguém se poderia afastar da sua residência mais de x quilómetros (5, 10 ou 20, p.e.), tal como foi feito noutros países. Mas os nossos governantes gostam de fazer as coisas em cima do joelho e chatear sem necessidade: muitos portugueses podiam andar dezenas de quilómetros dentro do seu concelho, mas, se residissem na fronteira, não podiam deslocar-se 100 metros para o lado do concelho vizinho. Uma estupidez, poder-se-ia dizer.
JPT, Tem toda a razão.
Existem três concelhos com descontinuidade territorial.
Montijo, Vila Real de Santo António e Oliveira de Frades (embora o primeiro-ministro pense que é Oliveira de Azeméis).
Aponto, também, um caso que conheço (provavelmente existem mais) o concelho de Constância tem três freguesias duas na margem norte do Tejo (Constância e Montalvo) e uma na margem sul (Santa Margarida da Coutada).
A ligação entre as freguesias da margem norte e a da margem sul é feita por uma ponte rodoviária que na margem norte fica no concelho da Barquinha. Na prática os habitantes de Santa Margarida ficaram isolados durante o período pascal.
a ser assim é uma vergonha eu não o saber porque já trabalhei em Oliveira de Azeméis 🙁
VPV sabia bem o que escrevia – e , mais importante ainda, sobre quem escrevia…
JSP
E a dos “egrégios a voz” na TVI? Deliciosa.
https://www.cmjornal.pt/tv-media/detalhe/e gregios-a-voz-citacao-peculiar-de-jose-a lberto-carvalho-do-hino-nacional-baralha-e spectadores-veja-as-imagens
A prenda de hoje do noticiário das 13h00 da RTP, foi a senhora jornalista que disse que, para lá do “hostel” da Morais Soares, há outros “hósteis” (cito) na mesma situação.
As vulgares (e reles) pensões agora surgem travestidas como “hósteis” (pronunciadas assim mesmo, à ‘amaricana’, para parecer coisa fina).
Hoje foi mais uma. O Dr. António Costa anunciou, solenemente, “que vai decretar para o próximo fim de semana prolongado, que coincide com o feriado do 1º de Maio, a mesma norma que vigorou na Páscoa, a proibição das deslocações para fora dos concelhos de residência [tais restrições] esclareceu o chefe do Governo, vigorarão entre os dias 1 e 3 de maio”. Incrivelmente, ainda ninguém veio dizer que o estado de emergência, instrumento legal que permite essa restrição na liberdade de circulação, termina às “23:59 horas do dia 2 de maio” (art.º do Decreto do PR de n.º 20-A/2020).