A sociedade de consumo tem destas peculiaridades. Oferece-nos gratuitamente um produto ou um serviço mas, no momento em que o retorno dessa “oferta” se esgota, passa a cobrá-lo.
Foi o que aconteceu com os cartões multibanco, por exemplo. Ao lançar o cartão multibanco e a generosa rede de caixas automáticas que nos permite levantar dinheiro com a sensação de que estamos a sacar dinheiro de uma “slot machine”, os bancos não estavam apenas a facilitar-nos a vida. Estavam a incentivar os consumidores a utilizar um serviço que, num breve prazo, lhes iria diminuir os custos de funcionamento, mediante a dispensa de um grande número de trabalhadores. Por isso, os cartões multibanco começaram por ser gratuitos.
Depois, a pretexto da introdução de novas funcionalidades, como a possibilidade de fazer transferências e efectuar pagamentos de serviço, passaram a cobrar anuidades. A fase seguinte consistiu em estratificar socialmente os utilizadores dos cartões de crédito, com a criação dos cartões de ouro e platina, cujas anuidades eram directamente proporcionais à conta bancária do seu possuidor.
Agora, que os cartões dourados estão mais disseminados na sociedade portuguesa do que as falsas loiras, e os bancos já não podem reduzir mais o número de funcionários, pretendem aplicar uma taxa por cada operação realizada.
Não é a primeira vez que os bancos ensaiam esta proposta. Já o fizeram em 2001 e, na altura, tive oportunidade de alertar os consumidores portugueses para as acções que deviam tomar, no caso de a ameaça se concretizar.
Nem de propósito. Uma directiva comunitária vem permitir aos comerciantes cobrar uma taxa aos consumidores que pretendam pagar as suas compras com cartão de débito ou crédito. Provavelmente, a maioria dos comerciantes não a aplicarão, mas muitos sentir-se-ão incentivados a fazer repercutir esse “extra”no preço dos produtos. É que isto do mercado livre e da concorrência é uma treta, quando as associações incentivam os seus associados a aproveitar janelas de oportunidade…
Assim, como a moda corre o risco de ser mais contagiosa do que a gripe A, aqui fica uma lista de eventuais taxas que podem vir a ser aplicadas aos consumidores, num futuro próximo, se a influência de alguns grupos de interesses, em Bruxelas, almejar os seus objectivos e conseguir alargar o âmbito da Directiva.

A banca, coitadinha, precisa muito do nosso apoio. É um sector que, como se sabe, anda sempre em dificuldades. Lucros, nem vê-los…
E como não têm lucros, os governos ( nomeadamente o nosso que governa um país rico) oferecem-lhe o dinheiro dos contribuintes, para os administradores poderem comer uma sopinha e para a ajuda do passe social.
Tão lentos a transcrever umas directivas comunitárias para Portugal e tão rápidos a transcrever outras, como esta. Apetece perguntar ao Governo para que foi tanta rapidez. A pensar nos consumidores não foi, seguramente.
A Directiva tinha de ser transposta até 1 de Novembro, Pedro, mas como o governo não esteve parta se preocupar com isso e só se deve ter lembrado à última hora, decidiu da forma mais fácil. Fez como Pilatos.
Pensar nos consumidores, é coisa que este governo realmente não faz. Não deixa de ser curioso que o actual PM, tendo já sido sec Estado da defesa do consumidor ( onde, diga-se, fez um bom trabalho) tenha integrado esta matéria na Economia ( à revelia das tendências mundiais) e entregue nas mãos de um obscuro sec Estado que, a primeira coisa que fez, foi acabar com o Instituto do Consumidor. Como o assunto não é mediático, infelizmente ninguém liga.
Desculpa se nao comento o teu post, Carlos, mas a minha cabeca esta a uma distancia tao grande da minha vida habitual que perdi toda a nocao de proximidade desses problemas. Espera pela pancada!, diras tu e com razao. Mas primeiro vou ter de me readaptar a tudo isso, por agora nao consigo.
Mas ontem lembrei-me de ti (e do nosso jantar delituoso) porque jantei no Clube de Jornalistas aqui em Siem Reap. Um edificio colonial que pertence a um frances – foi o que me disseram, pelo menos – e e o ponto de encontro de muitos ocidentais que andam por aqui, sobretudo os ligados a comunicacao. Optimo jantar, por sinal. Nao comento os templos porque emudeci… nao ha palavras para descreve-los. Aconselho todos os que puderem a vir conhecer Angkor, e uma experiencia que pode mudar-nos a vida ou, pelo menos, reenquadra-la. Beijos para todos.
Quando vejo fotos de Angkor lembro-me sempre do filme 2046 e da última cena que é filmada aí. Humm, quem dera voar para aí agora!
eu sei como é, Ana. A mim acontece-me o mesmo e, quando aterro aqui na terrinha, relativizo tudo. É importante termos mundo para adquirir essa capacidade, porque viver em Portugal e, sobretudo, não viajar, tolhe-nos o raciocínio. A Tailândia é um país excelente para nos alhearmos destas coisas mesquinhas. Foi aí, imagina, que “descobri” o Sepúlveda escritor, que conhecera mais de 10 anos antes em situaçoes muito especiais, em Paris, como refugiado.
Fico muito satisfeito por te teres lembrado de mim, aí tão longe. Já perdi a conta às vezes que estive na Tailândia mas, por estranho que te possa parecer, nunca estive no Clibe de Jornalistas de Banguecoque. A explicação é simples: estive aí a primeira vez para ver tudo o que há a ver e, das outras vezes que fui à Tailândia, apenas fazia escala.
Continua a divertir-te. Quando regressares teremos muito que conversar ( se eu cá estiver, pois estou novamente de partida dentro de dias) e, certamente muitos posts para ler.
Beijinhos
Ja nao estou em Bangkok, Carlos. Agora estou em Siem Reap, no Camboja, e aqui o tal Clube de Jornalistas. Quanto a viajar, dou-te inteira razao: alem de um prazer (para quem gosta, claro, que e o meu caso) e essencial para alargar horizontes. Sobretudo num pais tao pequeno como o nosso, que acaba por tornar-se claustrofobico. Nao ha como sair da nossa rua para percebermos que o mundo nao se limita ao nosso umbigo… e quanto mais longe vamos, maior a licao. Quando chegar conto a experiencia, para ja venho muito pouco ao computador. Saudades a todos e para ti boa viagem tambem.