Aos meus amigos que por estes dias se tornam coniventes com a pirataria, partilhando livros inteiros, jornais inteiros e revistas inteiras por via digital ou acedendo “grátis” a filmes e séries, como já fazem com a música, chamo a atenção: os profissionais da escrita, do cinema e da televisão vivem do seu trabalho. No dia em que ninguém pagar por um livro, um jornal, uma revista, um filme ou uma série deixaremos de ter acesso a estes bens de serviço público e utilidade social. Pelo mais simples e lamentável dos motivos: eles deixarão de existir.
Ao fazermos um banalíssimo clique num dispositivo electrónico, distribuindo por outros aquilo que não pagámos, estamos a dar mais uma machadada em profissões que em larga medida já caminham sobre o fio da navalha, condenando-as à extinção a curto prazo.
Um mundo sem cultura, nem informação nem entretenimento de qualidade será um mundo mais árido, mais pobre, mais primitivo, mais inóspito. Será um mundo muito menos livre.
Um mundo em que nenhum de nós desejaria viver.
E não é um cenário de ficção: pode mesmo acontecer. Só depende de nós.

Compreendo, porém julgo que uma das mãos que segura o machado pertence aos directores dos meios de comunicação. A qualidade jornalística, em Portugal, é tremendamente má. Facciosa, e reduzida ao rame rame da terra Santa (sempre os mesmos temas, sempre a mesma gente conservada em naftalina) . Quanto à política/notícias internacionais, bola. Há muito tempo que uso a Internet para me manter bem informado (fazer o contraditório sobre um mesmo tema, informar – me sobre assuntos desconfortáveis para certos meios de comunicação, coniventes com o “Sistema” /o Poder (o Jornalismo deveria ser um Contra Poder – DW, AL Jazeera, RT, Jonh Pilger, George Galloway – este último anda a resvalar, perto do abismo, mas foi memorável a sua performance numa audição parlamentar-etc ) Excelentes fontes para diferentes pontos de vista.
http://johnpilger.com/
https://m.dw.com/en/top-stories/s-9097
https://www.aljazeera.com/
https://www.georgegalloway.com/
PS: julgo que com o Observador o panorama jornalístico melhorou ligeiramente, pois permite – me o contraditório com outros meios de comunicação mais encostados a quem está no poleiro.
Boa colecta de extremistas+marxistas que nunca deixariam se tivessem Poder ou quem apoiam o tivesse o Vorph estar num blog a escrever a não ser que fizesse parte da nomenklatura e com controleiro.
Mais uma vez se demonstra que o poder social da imitação tem quase sempre mais força que o significado.
lucklucky
Pão de Ló
Número de doses: 8 porções
Preparação:15 Minutos
Cozedura: 25 Minutos
Dificuldade: muito fácil
Calorias: 255 Kcal
Ingredientes
7 ovos
250 g de açúcar
150 g de farinha
Passo 1
Começar por ligar o forno. Depois, numa taça ,separar os ovos.
Passo 2
Bater as claras em castelo e reservar. Bater as gemas com o açúcar até obter um creme asbranquiçado.
Passo 3
Juntar alternadamente a farinha e as claras. E por fim juntar a raspa de limão ou laranja.
Passo 4
Barrar e polvilhar uma forma com chaminé,verter a massa,e levar ao forno a 180º por 30 minutos ou até ficar cozido (faça o teste do palito SEMPRE)
É de bom tom criticar a qualidade do que se escreve, do que se informa, do que se produz em filmes e séries.
Mas as mesmas pessoas que criticam isso, em grande parte dos casos, não estão disposto a pagar um cêntimo por bons livros, por excelentes filmes, por informação de qualidade.
É um paradoxo: alimentam os circuitos da pirataria digital enquanto protestam contra a falta de qualidade dos conteúdos que elas mesmo procuram através desses circuitos.
Bem visto
Já tenho o anho a temperar: indispensável nesta quadra. Boa Páscoa.
Para si:
https://youtu.be/0jinOTQ9BaU
Boa surpresa. Obrigado, Vorph.
Na minha opinião as pessoas também começam a ficar cansadas de pagar e ler propaganda em vez de informação.
Eu não sou ninguém para falar em nome do cansaço “das pessoas”, como este anónimo.
Falo só por mim.
E confesso-me cansado, isso sim, de ver tanta gente emitir opiniões, com ou sem aspas, sem sequer assinar por baixo.
Quem paga uma assinatura compra um jornal, não um grupo organizado de clickbaits.
Não sei o que é essa expressão “amaricana”. Quando souberes escrever em português aparece outra vez por cá.
É uma chatice
Experimenta coçar. Talvez essa “chatice” te desapareça.
Caro Pedro, corro o risco de me repetir. Já me enviaram PDFs dessa comunicação social toda e mais alguma. Não abri nenhum. Não pelas razões aqui invocadas pelo Pedro, mas pelas razões aqui deixadas por todos os intervenientes acima. Panfletos, propaganda, “his master’s voice”, etc. Já assinei jornais e comprei outros e revistas. Todos eles até muito bem escritos, mas com um enviesamento ideológico atroz. E eu, para ler bons textos, compro livros e leio boa literatura. Para ouvir música, compro discos e ouço a minha boa música. Quanto à nossa comunicação social, está como a nossa liberdade, tão boa que desde 2015 nunca mais vi uma alma oprimida invadir um evento para cantar a Grândola. Afinal, do que me posso queixar eu? Um grande abraço e boa Páscoa, para todos.
Meu caro, o que escrevi tanto vale para jornais como para livros, ou para filmes: é propriedade intelectual que está a ser esbulhada em qualquer dos casos.
Admira-me ver gente que é muito zelosa do direito à propriedade fazer por vezes tábua rasa da propriedade intelectual. Como se esta fosse descartável a todo o momento, à vontade do freguês.
Mas não é. Daí haver leis em todos os países civilizados que protegem este direito. E quanto mais civilizado é o país mais a lei é rigorosa neste domínio.
Infelizmente há muita gente supostamente esclarecida que ignora estes factos. E desconhece que quando “partilha conteúdos” integrais de propriedade intelectual – os livros, desde logo – incorre em ilícito criminal.
Não é o seu caso, claro. Mas, sabendo-o leitor assíduo, concordará certamente comigo que, no limite, deixaremos de ter livros, revistas ou jornais no dia em que ninguém pagar por eles. Voltaremos então ao tempo dos relatos orais, da “informação” por sinais de fumo ou das notícias exclusivas transmitidas pelo cunhado da prima da vizinha.
Eu prefiro viver numa sociedade em que a pirataria seja repudiada por uma cidadania exigente e esclarecida.
Boa Páscoa também para si e todos os seus.
Caro Pedro, é óbvio que está cheio de razão e por isso, só posso estar de acordo consigo. Ainda hoje, acordei bem cedo, porque já não vou para novo, e estive sentado na poltrona a ouvir uma das várias versões (que comprei, a última delas, álbum duplo, com todos os alternate takes, a 3€, veja lá) do kind os Blue do Miles Davies, com o piano de Bill Evans, com o sax de Coltrane e dei comigo a pensar neste seu texto. A criação intelectual e artística, se não fosse paga, ainda hoje andaríamos aí a coçar o peito como símios primários e primatas. E afinal, nós somos, e devemos ser, bem mais do que isso. Tem razão Pedro. Abraço.
Vítor, é verdade. Contudo a remuneração dos músicos provém maioritariamente dos concertos/tour (que nesses tempos não eram tão frequentes). Os músicos safaram – se bem, com a tecnologia. Veja as fortunas, por alguns, acumuladas.
Abraço, Vítor. E saúde. Apareça sempre.
Realmente só quem não tem mesmo nada que fazer é que vai andar a partilhar ficheiros pdf’s de jornais portugueses, que a única coisa que produzem é falsas notícias e propaganda neoliberal/clerical.
E mais grave ainda é existir quem compre jornais portugueses em formato digital ou papel, chama-se a isso deitar dinheiro fora.
Por causa de gajos como tu é que Portugal é o país da Europa que menos livros e jornais lê.
Devia ser motivo de vergonha, mas para gajos como tu é motivo de orgulho.
Você está é a ver o tapete a fugir-lhe dos pés, e com isso tenta tirar nabos da púcara a ver se pega.
Nabos? Vem a propósito.
Pirataria é uma coisa má? É melhor decidirem-se…quando venderam jornais e horas de televisão à conta de um pirata não lhes pareceu assim tão reprovável.
Não é má. É péssima.
Você tem sempre a opção de ser “informado” pela porteira do prédio vizinho, pelo telefonema da prima ou pelo “feice” do colega de trabalho.
Também pode “ler” a folha de couve, ou a nuvem no céu, ou a víscera do frango para perceber melhor em que mundo vive e o que poderá trazer-nos o futuro próximo.
Faz sentido que tudo isto seja gratuito. O resto, não. Quem quer cultura, informação e entretenimento de qualidade, deve pagar um preço justo para aceder a estes bens, produzidos de gente de carne e osso, que também tem contas para pagar e filhos para criar.
Bens que também são de primeira necessidade em qualquer sociedade livre.
Na Coreia do Norte, por exemplo, não há nada disto. E milhares de pessoas tentam sair de lá, como tentaram noutros regimes totalitários pagando por vezes com a própria vida, para poderem ter acesso a estes bens. Porque nem só de pão vive o homem.
Teorizava Charles Darwin sobre seleção natural, preservação, luta pela vida.
Não se referia à informção social, mas realmente convencer o consumidor a comprar aldrabices é sado/masoquismo pouco saudável. Sobretudo quando o investimento em produzir semelhante média é realizado com os meios do Estado/contribuinte.
Informação com qualidade preservará.
Darwin – como Marx, como tantos outros – dá para tudo. Até – ou sobretudo – para defender o indefensável. E o indefensável é piratear conteúdos culturais, informativos e de entretenimento.
Pessoas que a todo o momento aludem a direitos, liberdades e garantias para si não se importam de pisar os direitos dos outros. Neste caso, em última análise, ao direito ao trabalho. De escritores, actores, argumentistas, realizadores, técnicos, jornalistas, fotógrafos, maquetistas, artistas gráficos, tradutores, revisores.
No dia em que deixarem de ser produzidos jornais, revistas, livros, filmes e séries devido ao ataque maciço desta pirataria, quem condenou à extinção milhares de postos de trabalho estará na primeira linha do protesto contra os atentados à liberdade de informação e ao direito à cultura. Esquecendo ter contribuído para que tais atentados pudessem ocorrer.
Tens razão no que escreves, Pedro.
Parece-me, no entanto, uma péssima altura para aumentar o preço dos jornais.
Um leitor do “i” em papel com seis euros comprava quatro edições de fim de semana (1.5 euros x 4) como acharam que era boa altura para aumentar essa edição para dois euros, agora compra três e se calhar lê a quarta pirateada, gasta o mesmo mas fica com menos papel, torna-se um leitor, igualmente, contributivo para o jornalismo em papel e ao mesmo tempo, mais ecológico, mais Greta.
Uma excelente Páscoa para ti e para os teus.
Essa foto vem mesmo a calhar para este tema, Pedro…
Agora a sério: recebo todos os dias, de manhã à noite, PDF de livros e conteúdo informativo e “acesso a filmes grátis” por parte de pessoas com poder de compra e exigência intelectual para pagar por tudo isto.
Deve acontecer com muitos de nós, que recebem o mesmo.
Quem divulga estes conteúdos sem estar legalmente mandatado para o efeito são as mesmas pessoas que um dia estarão na primeira linha aos gritos contra os atentados à liberdade de informação e em defesa do direito à cultura. Sem perceberem (ou percebem mas fazem-se distraídas) que elas cometem atentados a essa liberdade e espezinham esse direito ao procederem como procedem.
Obrigado pelos teus votos amigos, que retribuo com muito gosto, desejando que o teu clã familiar aumente depressa e muito bem.
Boa Páscoa.
Pedro, esta nova geração “saca” tudo da net. Desconhecem essa coisa dos “Direitos”, incluindo os seus, como Cidadãos.
É bem verdade, infelizmente.
Compreendo. O que consumo pago, mas deixe que lhe diga às vezes dá raiva. Tomemos por exemplo os canais de televisão pagos por cabo, os outros não vejo, O que é aquilo se não um espremedor, um massacre, uma tortura? De manhã á noite babam-se com as mortes, com o coronabicho, qual deles o pior e espremem, espremem e esticam, esticam. Está o pessoal retido em casa e ainda tem que levar com uma boa quantidade de alarves para quem só a desgraça poderá aumentar as audiências. Dir-me-à mude de canal, não dá, só mesmo desligando.
O que deve dar raiva é piratear conteúdos informativos e de entretenimento. Pessoas que a todo o momento aludem a direitos, liberdades e garantias para si não se importam de pisar os direitos dos outros. Neste caso, em última análise, ao direito ao trabalho. De escritores, actores, argumentistas, realizadores, técnicos, jornalistas, fotógrafos, maquetistas, artistas gráficos, tradutores, revisores.
No dia em que deixarem de ser produzidos jornais, revistas, livros, filmes e séries devido ao ataque maciço desta pirataria, quem condenou à extinção milhares de postos de trabalho estará na primeira linha do protesto contra os atentados à liberdade de informação e ao direito à cultura. Esquecendo ter contribuído para que tais atentados pudessem ocorrer.
Os três comentários anteriores já deram bons motivos para a “pirataria” que horroriza o autor: as pessoas estão fartas de manipulação, propaganda, clickbait e, no caso do Vorph, no meu e certamente muitos mais, de futebóis, novelas, Cristinas e outras boçalidades que os DDT e a classe pulhítica ao seu serviço usam para distrair a carneirada.
Trago outro motivo: nem todos são pobres autores a passar dificuldades, como sugere o post. A maioria das séries, filmes e obras partilhadas são de mamões sobrepagos: produtores, actores, ‘celebridades’, gente que abicha num dia o que 99% da Humanidade não ganha numa vida de trabalho.
Da malta da TV, do cinema, da música mainstream, dos autores que vendem milhões, não há que ter pena. Já mamam muito, muito mais do que deviam.
Já cá faltava, a tese da luta de classes, dos “pobres” contra os “ricos”, aplicada ao direito à propriedade intelectual.
Estes “proletários”, coitados, têm acesso a sofisticadíssimos telefones inteligentes que lhes permitem reproduzir a todo o momento conteúdos integrais de propriedade intelectual alheia e propagá-los por dez, vinte, cem ou mais pessoas à distância dum simples clique.
Se alguém furtar um pão ou uma peça de fruta, é apontado como ladrão. Se alguém gamar o conteúdo integral dum livro, duma revista, dum jornal, dum filme ou duma série televisiva, é apontado como herói por estes novos “proletários” dispostos a pagar centenas de euros por dispositivos electrónicos mas incapazes de comprar um livro ou um jornal no país europeu que menos lê.
O resultado está à vista.
Parece que o BE o ouviu a si, ao Observador, ao ECO e demais que não conseguiram arranjar um tacho na empresa estatal de comunicação.
https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/b loco-de-esquerda-propoe-15-milhoes-de-eu ros-para-apoiar-media-em-maio-junho-e-ju lho-574459
Mas vocês “liberais democratas” não são pela concorrência (mesmo a desleal), não defendem a livre iniciativa e o primado do sector privado na economia.
Já agora esse “apoio” é para todos ou as revistas cor-de-rosa e os jornais desportivos ficam de fora.
Quem é quer pagar por uma comunicação social subvertida e corrompida por agendas e interesses obscuros que têem como objectivo servir os donos dos seus donos, que oculta factos e verdades que apenas chegam ao conhecimento de alguns através de meios underground.
O dinheiro que a “cs” anda a pedir (esmolar) dá para renacionalizar os CTT em menos de 1 ano á excepcão do banco que podem ficar com ele.
WW
O que até me surpreende nesta prosa do PC, é a sua artificial ingénua («Aos meus amigos») arrogância de se julgar parte de uma “imprescindibilidade”: «Um mundo sem informação nem entretenimento de qualidade será (…)»
Para não citar nomes mais sonantes da filosofia humana, cá vai o que disse o Rogério Águas, «Welcome my son, welcome to the machine», ou porque raio, um meio que sobrevive à custa da piratagem, não só de outros mas também dos seus (ultrapassando assim o código mais básico e igualitário dos velhos piratas), não deve ser pirateado?
O único perigo iminente que adivinho no armagedão aqui anunciado, é ver – por exemplo – o João Vieira Pereira ou o Manuel Carvalho, reduzidos TAMBÉM a “recibos verdes”, já que só falsos ingénuos acreditam que a Impresa ou a Sonae podem abandonar esses seus instrumentos de propagandear a tal “qualidade” hoje reduzida ao “Não Há Alternativa”. E não se deixem enganar: um mundo com aqueles dois, entre todos os outros, reduzidos a “recibos verdes” não só continuaria a girar sobre si próprio como tem feito até agora, como provavelmente até seria mais coerente com o que eles próprios defendem nas suas lengalengas e directorias. Se eles aguentam? Parafraseando o outro, ai aguentam, aguentam!
Se eu concordo com a pirataria em geral? Quem, como eu, que devo ter visto o Apocalipse Now em cinemas, para aí uma dezena de vezes e, depois até o comprou em VHS, laserdisc, VCD e DVD, só seria parvo se não o sacasse e armazenasse num HD portátil em vez de o comprar em Bluray. Coitado do Coppola? Não, coitado é de mim!
Você deve ser um perigoso neoliberal !
WW
Hmmm, acho que sim, que eu não só devo «ser um perigoso neoliberal» como V. deve ser um ingénuo membro de uma qualquer confraria anarquista!
Evidentemente, assim, até apenas estamos a trocar rótulos… e não ideias.