Eanes exemplar


Pedro Correia,

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Como o Sérgio já assinalou, Ramalho Eanes concedeu ontem uma notável entrevista à RTP. Entrevista presencial, desde logo: o general deslocou-se pessoalmente ao estúdio da televisão pública apesar de pertencer a um grupo de risco nesta fase mais assanhada do coronavírus: tem 85 anos, embora pareça mais jovem – tanto pelo físico como pelo intelecto. «Nos tempos incertos vai-se ao local», declarou sem mais rodeios.

Com esta decisão – assumida sem a menor hesitação, como a jornalista Fátima Campos Ferreira assinalou – o antigo Presidente da República deu desde logo uma lição aos heróis de sofá que pululam por aí, muitos deles com idade para serem seus filhos e até seus netos. “Heróis” da treta, que exercem a função comentadeira no conforto doméstico, devidamente calafetados, e aí dão livre curso às suas bravatas verbais.

Deu igualmente uma lição àquele jovem deputado que há dias compareceu de máscara no plenário da Assembleia da República – hoje seguramente um dos lugares mais “higienizados” do País – esquecendo que àquela mesma hora faltavam máscaras em todos os hospitais portugueses. Imagem lamentável: só admito ver um político de máscara em local de grave risco sanitário, nunca na sala de sessões do Parlamento.

O general, em palavras lúcidas e inspiradoras, apontou a estes apavoradinhos o rumo a seguir: «Nós, os velhos, quando chegarmos ao hospital, se for necessário, oferecemos o nosso ventilador a um homem que tenha mulher e filhos.»

 

Eanes foi exemplar por tudo quanto afirmou. 

Anotei outras das suas reflexões e transcrevo-as aqui. Para mais tarde recordar.

 

«A primeira coisa que esta batalha nos exige é que sejamos virtuosos – isto é, que sejamos humildes. Que percebamos que somos falíveis e muito frágeis. Uma fragilidade que só se compensa através de uma comunicação autêntica com os outros.»

«O medo é razoável, mas é nossa obrigação ultrapassá-lo. Nesta altura temos que pensar que estamos com os outros. Temos que pensar menos no eu e mais no nós. De maneira que todos quantos carecem de apoio tenham a nossa solidariedade.»

«Esta crise demonstra que nenhum país, por si, consegue resolver os problemas. A própria China, poderosa, no início da crise recebeu o apoio da França e até da Itália.»

«Isto levar-nos-á, necessariamente, a uma nova reflexão. Primeiro, a uma nova reflexão sobre os nossos sistemas políticos. E sobre o homem: porque é que o homem se tornou tão egoísta, tão individualista, que até se esqueceu que o mundo é de interligação permanente? Como é que vamos gerir a globalização? A globalização é interdependência, mas deixou de ser solidariedade.»

«O homem, com os avanços da ciência e da tecnologia, julgou ser capaz de tudo. E esta situação pandémica demonstrou que afinal continua o tal ser frágil, falível, que está em permanente ligação com os outros.»

«Isto vai levar-nos a repensar as próprias funções do Estado. O Estado não pode ser o Estado mínimo, como se diz: tem que ser o Estado necessário. Que não olha apenas para a situação presente e para as eleições: olha para o futuro da sua comunidade.»

«Esta crise é um momento de silêncio, de reflexão, de comunhão. Se não for assim, estamos a perder uma oportunidade única que nos é oferecida – com dramatismo, com dor, com desgosto.»

157 comentários em “Eanes exemplar”

  1. Admira-me que a RTP tenha permitido que a entrevista fosse presencial. Porque, independentemente da vontade de Ramalho Eanes, creio que é política da RTP fazer sempre as entrevistas à distância, quanto mais não seja por motivos pedagógicos, isto é, para ilustrar a necessidade de distanciamento social.

    1. Não sei o que significa “distanciamento social”. É um oxímoro, traduzido à pressa do “amaricano”, como agora é moda.

      Sei o que é “distância higiénica” – avaliada em metro e meio pela DGS. Posso avalizar que Eanes se encontrava a mais de metro e meio de distância da jornalista. Cumprindo as regras, portanto. E sendo pedagógico também nisso.

      1. Independentemente de os entrevistados, os entrevistadores, e todo o restante pessoal da RTP, incluindo quiçá as maquilhadoras, manterem todos entre si distâncias de metro e meio, o facto é que a política atual da RTP é fazer todas as entrevistas à distância, isto é, através de meios eletrónicos, pelo que muito me espanta que tenham feito uma exceção para o caso da entrevista a Ramalho Eanes. Eu suporia que, se qualquer pessoa ou colaborador ou opinador tivesse exigido uma entrevista presencial, a RTP teria recusado por uma questão de princípio. Pelos vistos abriram uma exceção para Ramalho Eanes, e isso surpreende-me.

          1. Ninguém mo disse, mas tenho fortes dúvidas de que todos os comentadores e opinadores da RTP estejam a dar entrevistas à distância somente por vontade própria, quiçá por serem todos uns fracos, uns cobardes, uns medrosos que não querem expôr-se ao vírus saindo à rua e entrando nos estúdios da RTP. Ao contrário, segundo a sua perspetiva, de Ramalho Eanes, que é um homem corajoso, bravo, destemido, que não teme dar o corpo ao manifesto, enfrentar o vírus cara-a-cara, sem medo, ali no centro do estúdio e no trajeto para lá.

          2. Bem observado. Eu não sabia (vejo pouquíssima televisão e nunca a RTP1).

          3. Mas que importância tem se é à distancia ou presencial? Isso é completa mesquinhes… o que importa, e convém realçar e dar enfase, é o conteúdo. E esse está à altura do grande senhor que é, e sempres foi e será, o senhor general.

      2. Não creio que o confinamento se reduza ao cumprimento das regras da “distância higiénica” – 1 a 2 metros de distância. Isto aplica-se a interacções breves, vou comprar o pão e mantenho a distância higiénica com os outros clientes.

        Com este vírus, duas ou mais pessoas num local confinado por um período superior a uns 10 minutos misturarão o vírus entre elas, a única justificação aceitável para tal reunião seria terem sido todas testadas com resultado negativo.

        O “distanciamento social” é mais restritivo: requer o confinamento em casa limitando as saídas ao mínimo indispensável (incluindo o passeio higiénico se não for em grupo) e pelo menor período de tempo possível.

        Do ponto de vista do controlo da propagação do vírus a distância higiénica não chega.

        1. o confinamento em casa limitando as saídas ao mínimo indispensável (incluindo o passeio higiénico se não for em grupo) e pelo menor período de tempo possível

          Isso não faz sentido nenhum.

          Se eu fôr dar um passeio de uma hora no parque, por exemplo, basicamente não me cruzo com ninguém, ou então cruzo-me mas só por breves instantes e a uma distância de 1 ou 2 metros, ainda por cima ao ar livre: a possibilidade de contagiar alguém é, basicamente, zero. Posso estar na rua uma hora, ou duas, ou três, e não contamino absolutamente ninguém, porque não interajo de perto com ninguém (nem toco em superfície nenhuma).

          Ou seja, o que interessa não é estar em casa, o que interessa é não respirar perto de alguém e não tocar em superfícies (com as mãos).

          Não tem qualquer racionalidade mandar as pessoas estar em casa. Isso só as põe malucas. O que é preciso é explicar-lhes: saia à rua, mas não se aproxime de ninguém (mantenha distâncias de pelo menos um metro), não permaneça perto de ninguém por mais que breves segundos, e evite tocar em quaisquer superfícies que possam ser tocadas por outras.

          A lógica do confinamento parte do princípio estúpido de que, quando as pessoas saem à rua, é para irem ter com outras, conviver, conversar, etc. Mas as pessoas podem sair à rua por outros motivos, como passear, fazer exercício, apanhar sol, etc, sem que interajam com ninguém.

          1. Sim, estritamente falando, você pode passar as tais horas no parque sem cruzar ninguém, mas isso é porque os outros estão fechados em casa; estatisticamente, se todos passassem todas essas horas no parque, passavam também o tempo a roçar-se uns pelos outros. Não é preciso ser o Einstein para o entender. Foi aliás mais ou menos isso que aconteceu no primeiro fim de semana em França, entre as decisões de fechar a maior parte dos locais públicos e do confinamento generalizado, e a razão pela qual as autoridades se decidiram pelo último. Todos os chico-espertos pensaram o mesmo: se eu for passear sozinho pelo parque não há crise. Foi casa cheia. Na praia de Carcavelos, casa cheia também. Um gajo tem todo o direito a ser solipsista e auto-centrado; mas será por essa razão que temos de gramar cientistas aparentemente incapazes de elaborar um raciocínio elementar que involva conceitos básicos como população, distribuições, cinética, probabilidade,…?

          2. Tem que se confiar na população. Não se pode reduzir tudo a proibições.
            Quando se diz que as pessoas podem sair de casa para ir fazer compras, também está implícita a recomendação “não se aproximem demasiado do vendedor”.
            Quando se diz que as pessoas podem sair à rua, deve estar explícita a recomendação “mas não se aproxime de ninguém”.
            Além disso, estamos ainda na primavera, pouca gente quer ir ao parque ou à praia. Ou então, os dias em que isso acontecerá são previsíveis – os dias em que fará muito sol e a temperatura subirá. As autoridades podem e devem avisar a população “amanhã vai estar bom para praia, mas na praia mantenha-se afastado das outras pessoas, ou então prescinda de ir”.
            Não pode ser tudo proibições cegas e generalizadas. Estamos a cair numa ditadura.

        1. O sítio do Le Monde parte do princípio irracional de que, se uma pessoa sair à rua 18 vezes encontrará 100 pessoas, mas se sair somente 6 vezes só encontrará 33 pessoas.
          Ora, uma pessoa real, quando sai à rua, não é necessariamente para encontrar pessoas. Eu todos os dias saio à rua duas vezes por dia (de manhã e de tarde) para ir trabalhar, e não encontro ninguém pelo caminho (cruzo-me com pessoas, claro, mas não me aproximo delas nem lhes falo).
          Ademais, mesmo quando uma pessoa sai à rua e se encontra com outros, quase sempre se encontra com os mesmos. Ou seja, o número de pessoas que contaminará não aumentará proporcionalmente ao número de encontros. Por exemplo, eu todos os dias vou a um restaurante buscar o meu almoço, e encontro sempre os trabalhadores desse restaurante – não é pelo facto de eu ir lá mais vezes que encontro mais pessoas, encontro sempre as mesmas duas pessoas. Da mesma forma, nas lojas encontro quase sempre as mesmas pessoas, no trabalho idem, etc.
          Portanto, de facto, mesmo que eu saia à rua 100 ou 200 vezes, na minha vida normal, dificilmente poderei contaminar mais que umas seis pessoas, na pior das hipóteses – as pessoas de quem estou mais perto, por exemplo no balcão da loja, no restaurante, etc. E não é por sair à rua mais outras 100 ou 200 vezes que poderei contaminar mais pessoas.

          1. “mesmo que eu saia à rua 100 ou 200 vezes, na minha vida normal, dificilmente poderei contaminar mais que umas seis pessoas, na pior das hipóteses”

            Dos textos mais pungentes que alguma vez li. Um abraço, caro Luís. Olhe um Beijo, que se lixe.

          2. o nosso amigo é físico mas ainda não percebeu o que é uma função exponencial: essa de que não pode contaminar mais do que seis pessoas é uma delícia. alguma alma caridosa se prestará a ensinar-lhe aquela do rei, do tabuleiro de xadrez, dos grãos ….

            2x2x2x2x2x2x2x…=6x6x6x6x6x6x….=um poucochinho sem importância de maior

          3. Você, ou é muito reinadio, ou nunca ouviu falar em transportes público. Hora de ponta, então… Quanto ao raciocínio científico, pode começar ler por dois autores que lhe abrirāo horizontes até hoje desconhecidos: Isaac Asimov e Hari Seldon.

          4. você está completamente errado.
            Certo que só se cruza com 2 pessoas, mas no seu exemplo essas 2 pessoas cruzam-se diariamente com dezenas ou quiçá centenas (restaurante). Se você tiver o azar de estar contagiado e infectar uma dessas duas pessoas, antes delas terem sintomas ou saberem que estão infectadas quantos dias continuarão a trabalhas??? para quantas pessoas não trabalharão nesses poucos dias? quantas pessoas não infectarão nesses dias.

          5. Não. As pessoas na maior parte funcionam em grupos restritos, que interagem somente marginalmente uns com os outros. Por exemplo, o grupo das pessoas que comem no mesmo restaurante, ou que fazem compras na mesma loja.
            (O principal grupo é a família, claro.)
            Se eu contaminar o empregado do restaurante em que como (o que é improvável que aconteça), ele, quando muito contaminará os outros clientes do restaurante.
            É claro que cada pessoas faz parte de múltiplos grupos, mas também é claro que a contaminação não é um processo inevitável.

          6. É impressão minha ou o Luis Lavoura pretende num simples comentário afundar todos os modelos epidemiológicos markovianos? É obra…

            E ficámos a saber que não frequenta transportes públicos, não apanha táxis, nem o restaurante dele é frequentado por gente dessa.

          7. Não é impressão sua.
            Os modelos epidemiológicos falham redondamente. Falharam na epidemia de SARS (a qual não se materializou). Agora, perante os nossos olhos, estão a falhar nesta.
            Sim, os transportes públicos podem ser um grande problema. Tal como, em geral, todas as situações nas quais muitas pessoas não relacionadas umas com as outras se encontram temporariamente próximas: manifestações políticas, eventos religiosos (missas, etc), eventos desportivos, etc. Todas essas coisas devem ser severamente limitadas. E estão-no a ser, e devem continuar a sê-lo no futuro.
            Quanto à vida que faço, você tem razão: eu desloco-me quase sempre a pé e sem utilizar qualquer meio motorizado. E vou dessa forma a todos os sítios onde preciso de ir.

          8. O que mais pena me dá é que por cada português íntegro, esclarecido, humilde, inteligente, existem 100 Lavouras para fazer deste país, uma cambada de mesquinhos, idiotas, tagarelas, invejosos e vagarosos mentais…só um idiota como tu é que se dá ao trabalho para vir comentar o que menos importava comentar e esquecer o conteúdo…vai ver um concerto do carreira a comer uma alheira e acabar a ver o B.I.G. brother c o gajo a morder-lhe a ceira!!! Que pena haver tantos idiotas per capita

    2. Homens como Ramalho Eanes ja a poucos e acredito que se tenha providenciado todas as precauções para a devida entrevista, mas como sempre e so criticos que não fazem nada.

    3. O Sr Luís Lavoura não sabe o que diz neste caso presente. É a história do copo meio cheio ou meio vazio.
      Melhor fora que não gastasse espaço para que outros pudessem exprimir melhores ideias.

    1. Fica-me a lição das pesquisas diárias que vou fazendo para a rubrica ‘DELITO há dez anos’, Sérgio.
      90% das fontes a que fazemos referência nesses textos desapareceram. Sempre dos jornais portugueses, quase nunca dos estrangeiros. Dos portugueses, praticamente apenas se salva o ‘Expresso’. O ‘Público’ tem tudo apagado, o ‘DN’ quase tudo. Idem para o JN, o ‘Negócios’ e o ‘CM’. O ‘Sol’ e o ‘i’, é como se nunca tivessem existido na esfera digital. Do já extinto ‘Diário Económico’, nem o mais remoto rasto.

      Alguns textos, sem esta referência de origem, tornam-se incompreensíveis. E só passou uma década.

      É algo que me preocupa muito. Como é que os historiadores do futuro farão História se os próprios jornais se encarregam de apagar os seus arquivos digitais?

      1. Afasto-me do tema, mas não poderia deixar de, invocando o último parágrafo deste seu comentário, levar mais longe essa futura dificuldade de fazer História. Aquela História que usualmente não consta dos manuais escolares. Não de forma directa, pelo menos, não o relato e interpretação dos grandes momentos, das convulsões nacionais, crises, guerras, das opções que a cada momento as nações pelos seus líderes, ou pela falta destes, tomaram. Não o que a literatura, mesmo que coisa crescentemente bizarra, por si só assegurará. Mas a pequena História, a do cidadão comum, a das famílias de existência banal, substancialmente anónimo, mas cujos fundos de gaveta, aqueles que se salvam, acabam por contribuir para o conhecimento de uma época, de uma cultura. Nem que seja limitado ao universo e benefício de uma família e da sua robustez.

        Registar o que se faz há-de ser cada vez mais raro. Escrever – mesmo mal, mesmo de forma primária – custa, toma tempo e não faltam por aí, além do telefone de sempre, “aplicações” de voz e imagem de uso, imagino, quase intuitivo. E sem registo perene do que nelas se transmitiu. Mesmo, salvo disciplinada vocação diarística e sob forma clássica, aquilo que se escreve acaba por sê-lo em suportes imateriais, ou quase. E imprimir (somos bombardeados com isso todos os dias), faz mal ao ambiente.

        E fica em “contas” o que se escreve. Contas que se perdem com a morte de quem lhes conhece a palavra-passe. Um dia perceber-se-á a falta das cartas amarelecidas encontradas nesses fundos de gaveta.

        Ou talvez já nem se ligue a isso e eu seja mesmo um tipo serôdio.

        Costa

        1. Irei regressar a esse tema, fatalmente. Até porque sou confrontado com ele todos os dias, ao verificar como os arquivos digitais da imprensa portuguesa desapareceram em apenas dez anos.
          É um acto de lesa-jornalismo, de lesa-cultura, de lesa-informação, de lesa-História.
          Uma vergonha. E ninguém fala disto.

          1. Os arquivos electrónicos da imprensa. Os arquivos do bloguismo (e, posteriores, das redes sociais) são já uma matéria fundamental para a História. Bloguei sobre isso, e conversei com historiador bloguista, há para aí 12 anos. Julgo que não estará muito feito para a preservação desse manancial.

          2. E deves. Devemos. Honestamente não sei o que andam a fazer as instituições públicas relacionadas com esta matéria. Se é que andam a fazer algo.

  2. Não me parece adequado que se deva recriminar quem decide ficar em casa a comentar. Há pessoas que se impuseram um retiro social, não por estarem doentes ou pertencerem a grupos de risco mas, essencialmente, para não constituírem, para outros, mais fragilizados, incluindo familiares, um factor de risco acrescido. Não são, assim e para mim, heróis de sofá e pelo modo como corre o texto parecem-se com homens de pacotilha, lendo – se, nas suas entrelinhas, breve, indelével mas indelicada censura. Aliás, poderia entender a relatada atitude de Eanes como rasto, não de humildade ou coragem (abdicar da nossa vontade em nome dos outros), mas do cultuar egotista e bravateador da “marca”, por si criada, aquando das primeiras eleições presidenciais pós PREC. O General Sem Medo.

    Dito isto, admiro o General Ramalho Eanes (o maior político português do século XX??) , não esquecendo as virtuosas razões que o levaram a recusar o Bastão de Marechal e uma subvenção estatal que, com retroactivos, somava 1 milhão de euros.

        1. Você mudou de avatar e de nome outra vez? O problema é que, a cada mudança, tudo para trás muda também. E torna incompreensíveis diálogos vários, as alusões a Vorph, à Transilvânia, etc.
          Para a ditadura digital não existe passado: só há presente. E tudo se reescreve à luz desta lógica.

  3. Adenda :

    Não haverá nenhuma reforma do “Sistema”, seja lá o que isso for. Em descobrindo-se a cura, a bala de prata, contra o “bicho”, correremos, no primeiro dia do pós há de vir, desenfreadamente, para o Centro Comercial, atulhando-nos em nome do jejum forçado (Thanathos e Eros) . E tudo o vento levará. Sempre assim foi, umas vezes mais demoradamente do que outras. A seguir às grandes guerras também se vaticinou muita coisa. Veja-se a Europa de hoje.

    Temos uma Natureza e a única forma de derrotá-la é obedecendo-lhe.

    1. A natureza escarnece de quem a idolatra.
      Escarnece nas mais diversas formas. Dilúvios, sismos, tufões, maremotos, ciclones, pragas, magma vulcânica, fogo incontrolado, surtos epidémicos, vírus e bactérias.

  4. Nota-se aqui bem o que eu escrevi há dias num comentário: as pessoas fazem as suas avaliações à balda de acordo com as suas opções ideológicas. Elogiam ou criticam consoante o outro é do mesmo quadrante ou não sem grandes preocupações pelo rigor. Não assisti à entrevista mas o que transcreve aqui são lugares comuns que já ouvi até á exaustão. Por exemplo “Que percebamos que somos falíveis e muito frágeis. ” Não há padre nenhum que não diga isto. O General Eanes não disse nada de interessante para reproduzir aqui? Se calhar até disse.
    “demonstra que nenhum país, por si, consegue resolver os problemas” Quantas vezes isto foi dito por António Costa (sobretudo nos últimos dias a propósito do holandês)?

  5. Um verdadeiro Estadista, essa figura em vias de extinção a nível global. Grande homem! E não apenas pelo que disse nesta entrevista.

      1. Eu diria que, no momento atual, não é grande exemplo uma pessoa de 85 anos sair de casa e andar por perto de outras.
        Note-se que eu estou muito longe de ser adepto desta política do “não sair de casa” para a população em geral. Mas acho que é uma recomendação que faz todo o sentido para, especificamente, as pessoas idosas. Mesmo que se trate de generais galardoados e muito corajosos.

          1. Sou como os judeus. “Onde há dois judeus, há três opiniões.”
            Ter diversas opiniões ajuda a sopesar os prós e os contras. A tentar ver as diversas faces da moeda.

    1. Nós condenamos os gerontes à morte em massa por coronavírus por falta de condições mínimas de assistência na velhice, quando se trata de uma velhice sem recursos financeiros.
      É a face mais triste e mais condenável e mais repugnante (usando um termo caro ao PM Costa) destes dias que temos vivido.

  6. Tenho procurado perceber como será a definição de “grande estadista”. Há muito a dizer que não cabe aqui. Mas vejamos o caso de Eanes. Em primeiro lugar reconheço que o senhor tem méritos. Depois sei que participou, ou mesmo liderou, o 25 de Novembro. Isso não foi coisa pouca. Em virtude disso foi empurrado para Presidente da República. Fez algo de excepcional? Não sei, talvez. Terminou o mandato e apesar de ainda muito novo nunca mais fez mais nada de politicamente relevante, exceptuando asneiras. De facto fundou um partido, tentou governar o país mas falhou redondamente. Depois desistiu e apagou-se. Nunca governou, nunca liderou o país, nunca foi primeiro-ministro nem sequer ministro. É um notável, concordo. Mas que fez para lhe chamarmos um grande estadista? Ou podemos dar esse título a todos que estejam ideologicamente próximos de nós? Cada um dá o título que quiser e a quem quiser. Certo! Ou estou a ver tudo erradamente?

    1. Não, cara Joana: não está a ver erradamente.
      Está a ver tudo acertadamente.
      Nada tenho contra Ramalho Eanes e considero-o uma pessoa de bem, mas daí a elevá-lo a um patamar nunca inferior ao de um salvador nacional, vai uma grande distância.
      Dizer que dava o ventilador a um pai com filhos que precisasse dele, não fazia mais do que o seu dever humanitário. Eu dava-o a qualquer pessoa, quer fosse pai ou não. Tenho 78 anos e já vivi o que tinha a viver. Até já vivi de mais.
      Talvez ele pense assim. Como disse, tenho-o como uma pessoa de bem
      Viu e disse tudo muito acertadamente, cara Joana.

        1. Acredite se quiser, mas olhando em retrospectiva parece-me que já vivi séculos e séculos. A última das minhas preocupações é a morte.
          Só não queria morrer em sofrimento. Não porque não possa ou a dor me assuste, mas honestamente analisando a minha vida, o que fui e o que fiz, acho que merecia morrer em tranquilidade.
          Pois aos vinte anos o que menos queria era morrer. Aliás e com uma arma na mão, a minha preocupação era se dava bem conta do recado, não fosse o Diabo tecê-las.
          A melhor saúde para si, e para todos que lhe sejam queridos.

      1. Tenho 78 anos e já vivi o que tinha a viver. Até já vivi de mais.

        Muito bem dito.

        É normal que qualquer animal, racional ou irracional, tenha horror à perspetiva de morrer e rejeite a morte.

        Mas uma pessoa racional deve saber reconhecer quando já viveu a vida útil que lhe foi dada, e quando já é tempo de morrer.

        1. É isso, Luís Lavoura: Uma vida útil. E essa tive-a.
          Honrada e digna, e nunca vencido.
          À vontade de Deus, humildemente baixo a cabeça, à dos homens, nunca!

          Sou um pássaro viageiro,
          pelo mundo caminheiro.
          Verdadeiro e sincero,
          morrerei com o orgulho por inteiro.

          Muitos céus eu cruzei,
          muitos mares naveguei.
          Muitas estradas calcorreei,
          íngremes montanhas alcancei

          Ao Céu já subi,
          e ao Inferno desci.
          Já amei e já ri,
          já chorei e padeci.

          Já matei e vidas salvei,
          o ódio nunca acoitei.
          Fui criança e desobedeci,
          fui homem e protegi

          Por isso quando Ela chegar,
          a rir me vai encontrar.
          Não me assustas Ceifeira,
          de há muito és companheira.
          De bom grado te acompanharei,
          porque por tudo quanto passei,
          pelo mundo que conheci,
          pela vida que já vivi,
          estúpida que tanto tardou.
          Levas-me sim,
          mas fui eu quem sempre ganhou.

          1. Vida completa . Quando for , vai subir de nível de certeza.
            Também não tenho medo nenhum da morte.. Tenho mais medo dos homens , muito mais.

  7. …mas essa de dizer que os velhos têm de dar o ventilador aos novos, ele estava era bem calado. Sabe perfeitamente que não lhe vai acontecer isso a ele.
    E os velhos que têm reforma boa e mantêm a família????Esses têm direito a ventilador?Julgo que não era intenção dele, mas meteu-se em caminhos desnecessários…que alimentam muita burrice.

    1. Ele limitou-se a enunciar a ética militar. Uma ética de serviço público.
      Confrontado com uma situação dessas, numa unidade de cuidados intensivos, antes de endossar essa responsabilidade ao corpo clínico, oferecia-se ele próprio para prescindir do ventilador. A um civil, a um pai de filhos, a alguém com metade da idade dele.
      E tu? Estarias disposto a fazer o quê?

  8. Desculpe não estar de acordo consigo. Do que escreveu – não vi a entrevista – acho que se trata de uma serie de lugares comuns que se podem dizer a propósito da vida, da guerra, dos comportamentos em geral. Eanes nunca foi um presidente de discursos de grande fundo filosófico ou, até mesmo, cultural. Foi um presidente, chefe de conselho da revolução, que tentou ignorar os partidos nomeando três governos de sua iniciativa, boicotando a acção dos governos democráticos da AD através do então designado veto de bolso e, constatando que não conseguia fazer passar governos da sua exclusiva confiança ( depois de acabado o conselho da revolução e alterada a constituição dificultando a capacidade do PR dissolver a AR ) usou a sua posição de PR para criar um partido, aparentemente liderado pela sua mulher e por um desconhecido cujo nome já esqueci. Os problemas institucionais que criou foram tais que, a certa altura, as reuniões com o PM passaram a ser gravadas.
    Não gosto de avaliar as pessoas pelo bla-bla-bla.

    1. É espantosa a quantidade de pessoas que vem aqui comentar sem ter ouvido Eanes. Apesar de eu ter disponibilizado ligação para a entrevista…
      Você é só mais uma.
      Bla-bla-blá, portanto. Antes de acusar os outros, veja-se ao espelho.

      1. Acho que fui bem explícita: não ouvi a entrevista e limitei-me a dizer o que entendi a propósito das frases que transcreveu. Não pode, por isso, afirmar que me pronunciei sobre matéria que não conhecia. Pronunciei-me sobre a matéria que o Pedro me deu a conhecer.
        Acompanhei de perto a acção do personagem quando foi presidente. E, para mim, acções têm mais significado do que biliões de palavras. Sobretudo de politicos.
        Os factos que referi são do conhecimento de todos os que acompanharam a situação política na altura e, não tenho dúvidas, estarão referidos em documentos da época ou sobre a época. Não sei qual a sua opinião sobre os mesmos. Mas seria interessante saber.

      2. O sua resposta foi feia ( que frase mais feia essa de “veja-se ao espelho” ) e sem fundamento. Perante a minha resposta que demonstrava isso mesmo, retirou tudo dos comentários. NO COMMENTS

        1. Por vezes falta-me a paciência para aturar as pessoas que, mal lêem o mínimo elogio a alguém, sacam da pistola e começam a disparar. Escrevendo coisas que nunca diriam na cara dos visados, tenho a certeza.

          Se há défice em Portugal é o défice da nossa capacidade de admirar os outros. Isto indicia uma clara degradação da nossa vida colectiva.

          Se nem perante o monstro da pandemia à solta isto se altera, mais necessário ainda é haver quem, como Ramalho Eanes (e o Papa, há poucos dias), venha sublinhar esta necessidade que temos de perceber que ninguém soluciona problema algum ignorando e desprezando os outros.

          1. É a sua opinião, como todas as opiniões, subjectiva. O que não impede que tenha todo o direito a ter a opinião que quiser. Mas não acuse nem chame nomes a quem tem opiniões diferentes da sua. Ainda por cima quando não conhece as pessoas. Julgar os outros é faculdade de Deus.

            Quanto às considerações que faz, não me dizem respeito nem têm nada a ver com o que escrevi. Se calhar estava azedo e desabafou.

            Desejo-lhe uma Páscoa tranquila cheia de tolerância.

          2. Terei sido azedo, sim, admito. E penitencio-me pelas palavras que lhe dirigi, aliás tão fora do meu estilo e do meu hábito.

            Desejo-lhe uma Páscoa tão boa quanto for possível nas actuais circunstâncias – e sobretudo uma Páscoa com saúde. Nada importa tanto como isto nos dias que vão correndo.

          3. Obrigada. Precisamos todos desses bons votos e desejo-os a todos os que aqui vêm trocar ideias e, quem sabe, preencher um pouco de solidão.
            Ps: o estar confinada fez-me pensar que a Páscoa seria neste fim de semana. Parece que me enganei. O curioso é que duas pessoas a quem falei para me esclarecerem também não estão bem certas.

          4. Tem razão, Isabel. Todos precisamos, mais que nunca, desses votos. E todos vamos perdendo um pouco também a noção do calendário nestes dias que nos parecem todos iguais ao dia que passou e ao dia que há-de vir.

    2. “Eanes nunca foi um presidente de discursos de grande fundo filosófico ou, até mesmo, cultural.”
      “usou a sua posição de PR para criar um partido, aparentemente liderado pela sua mulher e por um desconhecido cujo nome já esqueci. Os problemas institucionais que criou foram tais que, a certa altura, as reuniões com o PM passaram a ser gravadas. “
      É verdade, quem quer elogiar alguém procura esquecer o que é negativo. Já vi isso em quem quis elogiar Hermano Saraiva e Adriano Moreira. Esquece-se prudentemente o que não interessa para só engrandecer o correligionário (frequentemente é isto, o correligionário). Não há rigor. Até se compreende, não é possível avaliar a acção de alguém ainda vivo e próximo de nós e dos nossos interesses. É como os políticos que são comentadores na TV. Em geral aquilo parece-me mais tempo de antena disfarçado concedido a uma cor política do que comentário. E é como mandar alguém para o Panteão sem um distanciamento no tempo (que deveria ser de décadas).

      1. Ficar no panteão é uma maldade para toda a Eternidade.

        Quem é que quer ir malhar com os ossos a um templo republicano? Fdx, preferia ficar encostado a um tronco de uma árvore.

      2. É óbvio que os ditos debates televisivos são tempos de antena dados aos partidos escolhidos. E penso que, ainda por cima, pagando aos seus militantes que lá vão debitar discursos pré-preparados sobre temas combinados. Aliás, os temas são sempre os mesmos em todos os canais. Dir-se-ia que há um acordo tácito no sentido de nenhum canal ser original quanto aos assuntos a servirem de pretexto para os monólogos apresentados nos pretensos debates.
        Felizmente há a possibilidade de assistir, no YouTube, a verdadeiros debates que têm lugar nas televisões de outros países. Eu vejo diariamente programas de alguns países europeus e nunca vi um político participar num debate sem ser como representando a posição do seu partido ou a sua posição pessoal, sempre como membro que é ou que foi desse partido.
        O debate de ideias que, há dois ou três anos para cá, é acérrimo nos países do centro da Europa e na Itália, ainda não chegou aos meios de comunicação portugueses. Aqui só é permitido o pensamento único dominante do politicamente correcto. Claro que nos outros países da Europa também há a tentativa de impor esse discurso mas as vozes dissonantes de intelectuais com prestígio também se fazem ouvir.
        Aqui, todas as pessoas que têm opinião própria desapareceram dos canais de televisão. Estou-me a lembrar de António Barreto, Victor Bento e outros que, por exemplo, eram convidados frequentes da sic notícias, no tempo de Mário Crespo. Sem falar do saudoso Medina Carreira que tanta falta cá faz, mesmo tendo seu programa passado para a uma ou duas da madrugada.
        Sem ter presentes estes factos do passado é difícil interpretar o presente.

          1. Para alem dos livros de que vou tendo nota ( agora estou a acabar de ler um de Douglas Murray ) e de ver os noticiários francês, suíço e, por vezes, belga na TV5Monde, vejo também neste canal documentários suíços e franceses quando me interessam. O meu canal preferido é o Arte, com os seus documentários e investigações magníficos. Diariamente, tento ver neste canal o programa de debate “28 minutes”. No YouTube: debates franceses: Face à l’info, Zemmour et Naulleau e outros que aparecem com jornalistas ou intelectuais que considero interessantes.; Programas italianos: non è l’arena e dimartedi e outros do canal La7. Vejo também na TV a Rainews, a Bbc e recebo, no mail, uma pagina do Economist. Depois há os canais da informação não institucional que são sérios e que nos dão outras versões da realidade. Como é jornalista, imagina o tempo que gasto a confirmar informação.
            Como vê, tenho muito que fazer. É a beleza de estar reformada.

      1. Se quisesse nomear todos os políticos que fizeram, digamos, igual nunca mais acabava a lista. E se não tivessem feito igual, talvez hoje não fossemos o antepenúltimo (+ ou – ) país mais pobre da ue.

        Hoje estou realista.

        Tudo bom também para si.

  9. Quem me dera que o que Eanes disse se realize: a crise sirva para repensar o Estado e a vida em geral. As ilacções tiram-se sempre. Praticá-las é outra coisa. Como escreveu Kant, cada um sabe o que é o bem, mas não é por sabê-lo que o pratica. O conhecimento não é condição necessária da moralidade. Mas Platão acreditava que sim:). Veremos o que fazem os portugueses depois de.

    1. Kant e Platão… o DO melhora com a idade. Qualquer dia temos vinho, Delito de Opinião, Reserva 2020 – vinho com notas de chocolate e compota de frutos vermelhos, com final aveludado e taninos suaves. Estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês conferindo – lhe complexidade. Acompanha bem carnes vermelhas e queijos.

      Bea, agora digo eu : Wittgenstein.

      PS: Bea, nunca cite, aqui, no DO, Foucault (aviso de amigo)

          1. então, pronto, admito que possa ter errado. Faça-me o favor, corrija. Estamos sempre a tempo de emendar os saberes.

  10. ” O Homem, com os avanços da ciência e da tecnologia, julgou ser capaz de tudo.
    E esta situação pandémica demonstrou que afinal continua o tal ser frágil, que está em permanente ligação aos outros”
    Notável entrevista do Gen. Ramalho Eanes, a voz necessária neste tempo de medo e de indecisão.

    Nos Estados Unidos faleceu um enfermeiro que trabalhava num hospital onde punham sacos de plástico na cabeça por não terem mascaras.
    Estados Unidos da América, a maior economia e potencia mundial.
    Os açambarcadores de mascaras deviam ter vergonha em roubar algo de que não precisam e que pode salvar vidas de quem esta a salvar os outros.
    Solidariedade?
    Não acredito.

  11. Os militares têm uma forma de actuação por vezes incompreendida.

    Talvez por ter na família militares de elevada patente, sempre tive a ideia que existem aqueles que estão ao serviço da Nação, e aqueles que estão como estariam se fossem gerentes de uma xafarica.

    O General Ramalho Eanes, foi o melhor Presidente que já tivemos.
    Não pelo aqui criticado bla bla, mas porque é um homem que se conhece pelo que pensa, pelo que diz, e pelo que faz (fez).

    1. Sim, a instituição militar nacional tem sido um oásis no meio desta sociedade civil decadente. (aliás para os militares civil e decadente é quase a mesma coisa). Na faculdade ainda conheci alguns. Não se misturavam.

      Os militares :

      https://www.google.com/amp/s/www.dn.pt/poder/amp/capitao-fala-em-polvo-sobre-esquema-de-corrupcao-nas-messes-da-forca-aerea-10438161.html

      Quanto ao caso dos Comandos é melhor nem comentar (não me venham com a dureza do treino – confiram o treino das SAS, SEAL, KSK ou mesmo os GOE portugueses – zero de mortes na recruta).

      Uma vergonha. Sim, estou palavroso porque não tenho nada para fazer. Vou ver Netflix, um programa qualquer sobre sexo (científico, nada de badalhoquice)

  12. Há um gigantesco mérito que tem que ser atribuído a alguns políticos nos tempos do PREC e, em digna primazia, ao militar, Gen. Ramalho Eanes.

    As grande potências que tanto afligem os idealistas, por ex.: os Estados Unidos da América e a Rep. Popular da China têm regimes políticos ditos “civis” nascidos de guerras civis e/ou externas.
    Em tempo de guerra, obviamente, os militares vão adquirir poder político e, se vencedores, passado o conflito armado, tendem a não largar esse poder político.
    Exemplos não faltam. Aqui ao lado Franco, De Gaule, em África, na Ásia.
    Quando muito fingem. Promovem, controlam, encapotadamente, Repúblicas mais ou menos democráticas, ou Monarquias mais ou menos constitucionais.

    Por outro lado SÓ esses “generais”, os recém vencedores das guerras, têm o poder de “reconduzindo os militares aos quarteis” permitir o retoma de sociedades civis.

    Para bom entendedor meia-palavra basta.

  13. Depois da poeira acalmar , creio que deste período pós 25A , dois nomes vão ficar pelas melhores das razões : General Ramalho Eanes e Prof.Ernâni Lopes.
    Papaguear-se-ão outros , mas menores, rasteiros até.

    JSP

    1. JSP, acrescentaria o Maj. Melo Antunes, o militar com maior e melhor visão civil do processo revolucionário em curso.

  14. (Recomenda-se a leitura ao som desta interpretação da Avé Maria de Shubert na viola clássica
    https://www.youtube.com/watch?v=LNUJA9N14eM&list=RDiw-ryfNcXZc&index=2 ).

    «Nós, os velhos, quando chegarmos ao hospital, se for necessário, oferecemos o nosso ventilador a um homem que tenha mulher e filhos.»

    O militar igual a si próprio. O militar que oferece o corpo às balas, desarmado, de pé em cima do tejadilho de um carro, durante um tiroteio ocorrido na sequência de um comício da campanha eleitoral que lhe garantiu a primeira presidência.

    O militar na sua condição de potencial herói. Que é coerente até ao limite – a morte, a sua – em defesa de um possível futuro melhor para os outros, pese embora o sacrifício que se impõe a si próprio no presente.

    O militar que destila ética por todos os poros. Que continua, pelo exemplo, algo por vezes a anos-luz das palavras, a dar lições de hombridade, de humildade e de coragem a todos nós.

    Desta feita, foram as palavras que me tocaram. E tocaram-me de um modo muito especial, que reflecte a essência da condição humana.

    Teria sido para mim uma honra e um privilégio ter servido sob o comando deste grande homem.

  15. O problema é que para uma pessoa que é virtuoso e pratica, existem outros que o não são. Foi publicado hoje no Diário da República a concessão de suplementos remuneratórios (subsidio renda de casa) a três secretários de estado. Na semana passada foi ao ministro da educação. Independentemente de ser um direito para os senhores, o que observamos é que nesta fase pandémica, as empresas e os trabalhadores/população em geral estão a fazer esforços financeiros para minimizar o prejuízo, enquanto estes senhores políticos continuam com todos os seus benefícios e mordomias, não sendo exemplo para ninguém. É uma VERGONHA NACIONAL.

  16. Penso que o objectivo deste artigo se reflete na prestação do General Ramalho Eanes na entrevista á RTP.
    Como tal é curioso que andem por aqui pessoas cuja preocupação não é comentar uma entrevista a todos os níveis notável, e venham para aqui debitar os seus conhecimentos científicos sobre isolamento, distanciamento, que provavelmente terão.
    Como será de calcular, os riscos da presença do general terão sido avaliados, até pelo próprio. Mas como HOMEM de coragem foi á frente de combate. Não fugiu como nunca o fez.
    Já referi que a entrevista foi excelente, o que seria de esperar de alguém que pautou a sua vida pública pelos mais elevados parâmetros da seriedade, honestidade e da ética.
    Mas para alguns o importante foi encontrar uma forma estéril de abrir uma discussão lhes permita uns em bicos de pés que os eleve. Tudo bem.
    Somos um país onde sobejam cientistas e profundos conhecedores de tudo e mais alguma coisa.
    Termino afirmando. Importante foi a entrevista e o seu conteúdo. Parabéns ao Sr. General e parabéns ao Pedro Correia por este texto.

    1. Senhor Anómnimo das 11:16
      “Já referi que a entrevista foi excelente”
      Mas não o irritou verificar que o General debitou tanta frase que estamos fartíssimos e cansados de ouvir?
      “Somos um país onde sobejam cientistas e profundos conhecedores de tudo e mais alguma coisa.” Aqui engana-se redondamente. Ou está afalar em sentido irónico? É que em comparação com a Europa temos muita falta de cientistas.
      “Mas como HOMEM de coragem foi á frente de combate. Não fugiu como nunca o fez.”
      Neste contexto até parece um elogio ao suicídio ou, pelo menos, à imprudência. Não aprecio nem uma coisa nem outra.

  17. O que Ramalho Eanes fez foi mostrar que os políticos, ou quem exerceu funções políticas, mais ou menos relevantes, devem dar o exemplo, sobretudo nestes dias em que todos estamos a viver da incerteza, da contenção, de, enfim, alguma solidão pelas saudades de alguns dos mais próximos e que por um qualquer motivo não podemos estar na presença deles, e até da esperança que, cada dia que passa, se vai debilitando!
    Pergunto, onde estão aquelas pessoas que exerceram altas funções de Estado? Por onde andam? Será que o seu “sentido de Estado” só se revelou quando estava em causa o recebimento de reformas vitalícias e que só se preocupam quando vêm o “querido partido” a andar em convulsão ou numa espécie de guerra civil e aí falam, pronunciam-se, mas quando assistem a este definhar permanente e diário, que é feito deles?
    Churchill, que é tão citado nalguns dos discursos de políticos em tempo de paz, deve estar a dar voltas à tumba, pela forma como alguns políticos se têm posicionado nesta crise e de como se posicionariam se vivessem nos anos trinta e quarenta do século vinte! E Portugal não foge à regra, se bem que de uma forma geral os nossos governantes atuais e a generalidade dirigentes dos partidos políticos atuais têm-se revelado à altura. Porém, gostaria de chamar a atenção de outros políticos, neste período de verdadeira guerra, como esta que vivemos, que resguardados nas paredes das suas casas, e não, não dispensam a sua segurança de maneira nenhuma, que se apascentam nos resguardos dos sofás, dos chãs quentes, dos belos pijamas de cetim, ou nos dias mais quentes, de flanela, além do seu inesquecível roupão e que estão confinados aos seus búnqueres que a sua vida próspera conseguida justamente à custa do povo e que agora o abandonem de forma tão ignóbil, e nem ao menos uma palavra dizem sobre o assunto!
    Há muito que tinha opinião formada sobre Ramalho Eanes, militar, político, filósofo, homem reto de elevada probidade, difícil de encontrar nos dias de hoje, acho que deu a todos um exemplo de como se deve atuar numa “guerra”, como esta que vivemos contra inimigo tão poderoso como este. Espero que logo que a pandemia passe não volte a ficar esquecido no baú das recordações das imagens televisivas a preto e branco e voltem outra vez as palavras dos que, na hora em que o país mais precisava deles, não se mostraram à altura das circunstâncias. Não é preciso nomear os políticos a quem refiro, basta ver quem nos governou até hoje, excluindo obviamente quem, entretanto, já faleceu.

  18. Talvez o único politico genuinamente honesto que passou pelo cá pelo burgo. E não será por causa da origem militar, pois aí serão bem piores que os políticos.

  19. Sim e não, porque de boas intenções está o inferno cheio. Na nossa sociedade continua-se a admirar o “com papas e bolos…” É fácil dizer que os mais velhos darão os ventiladores aos mais novos em caso de necessidade, quando se tem um estatuto especial na sociedade (quem se atreveria a tirar o ventilador ao ex-presidente para o dar a um pai “pé-rapado”, por exemplo, do bairro da Boavista?). E, se o deputado, que eu nem sei quem é, tinha uma máscara, porque não pode usá-la onde e quando quiser? O facto de ele não usar aproveita a quem?

  20. Então andamos a dizer que as pessoas de grupos de risco, no qual se insere Ramalho Eanes, fiquem em casa e o senhor vem elogiar a atitude dele e critica quem concede entrevistas a partir de casa, ou tece considerações?

    Pode elogiar o conteúdo da entrevista e a atitude de Eanes, mas não faça figuras tristes com considerações proto-populistas.

  21. A entrevista é muito interessante. Eanes é um homem íntegro, com bons princípios e solidário. Sou insuspeito porque discordei politicamente dela muitas vezes, sem que isso alguma vez me tenha impedido de lhe reconhecer valores que vão rareando, Mas não esteve bem em ir presencialmente, até pelo mau exemplo que deu aos mais velhos.

  22. Ramalho Eanes foi o melhor Presidente da República que Portugal já teve.
    Deslocou-se à TV não foi para casa.

    Mais, O Procurador que alguma vez o quisesse interrogar, no outro dia já não exercia funções…Presidente da República é só o mais alto magistrado da nação.

  23. Está claro que todos temos uma opinião sobre as declarações de Ramalho Eanes: então vamos todos ser altruístas e magnânimos como o general e vamos oferecer se necessário o nosso ventilador ao homem que tem mulher e filhos; como a falta de ventiladores é uma evidência, haverá uma altura em que estes também não chegarão, nem haverá camas nos hospitais para as necessidades de cura: então os pais oferecerão as camas e os seus ventiladores aos filhos mais velhos porque são magnânimos. A realidade é que, à velocidade que esta pandemia avança, chegará o dia em que os filhos mais velhos por uma questão de consciência vão ter de ceder os cuidados médicos que deveriam ter aos irmãos mais novos, mas, por esta altura já os hospitais não terão nem capacidade nem máscaras nem ventiladores para os mais novos. Como estes sem a ajuda dos falecidos irmão, pais e avós não consegue fazer frente à pandemia poderão achar que chegou a vez deles morrerem.

  24. Do “Rolha”, retive, e retenho, que foi Presidente do Conselho Mundial para a Paz.

    Disclaimer : Sou um velho se mantém fiel aos seus , também velhos, rancores…

    JSP

  25. Boa noite, pelos vistos a grande maioria apenas se preocupou com o acessório, o que até respeito mas ou é efeito da quarentena ou apenas mesquinhez gratuita……

  26. Ramalho Eanes um Homem Notável de seriedade
    ( Infelizmente cada vez mais raros em Portugal)
    E os novos sem querer generalizar cada vez mais agarrados ao individualismo selvagem do vale tudo.

    Carlota Costa

  27. Estão para ai comentar distancias sociais e outras que não nos ajudam em nada, pensem e refletem bem na mensagem daquele senhor:< Se for necessário damos o nosso ventilador a um que tenha mulher e filhos >. Mas parem uns segundos e põem esses miolos a funcionar ok?

  28. Ramalho Eanes é um homem de honra e de sentido de missão. Este tipo de pessoas é uma verdadeira raridade nos dias que correm de individualismo puro e duro incutido pelo neoliberalismo selvagem. Filhos que matam pais e mães por causa do dinheiro é coisa corrente nos dias que correm. Mas Ramalho é de outra cepa. Da cepa que ramifica nos grandes homens.

  29. Ramalho Eanes teve uma atitude nobre. Sim. O que mais desejamos, por ele e pelos demais, é que o seu voto se revele inútil.

    Se não for assim, a nós, mais jovens, com mulheres e filhos, cabe-nos fazer o quê? Fazer um levantamento de todas as pessoas de idade de índole nobre e altruistas como o antigo presidente para, chegada a hora, os empurrarmos para o lado e passar-lhes à frente tomando lugar num dos poucos respiradores que restarem livres? Porque eles já viveram e nós é que asseguraremos o futuro da espécie, da raça (o kitsch é inesgotável), ou o que raio for? Mas isto é algum filme de catástrofes e fins do mundo hollywoodescos?

    Ou será que devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para minorar a propagação da doença, apoiar o tratamento dos doentes e assegurar o trabalho escolar dos nossos filhos? Para cumprir o nosso papel precisamos de frases grandiloquentes?

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