
1. Num dia indignamo-nos com as declarações de um ministro holandês sobre as finanças do Estado espanhol, em plena crise desta temível pandemia.
2. No dia seguinte, o Professor Francisco Louçã, conselheiro de Estado e vulto-mor da esquerda “urbana” diz-nos, sobre a referida temível pandemia, que “A Alemanha gosta desta situação“, pois “beneficia com estas crises“. A tal “esquerda urbana” que o subscreve, e tantos deles seus colegas, anuiu pelo silêncio e – imagino, pois sigo confinado – num “o Louçã tem razão, sim senhor …”.
3. No dia seguinte suicida-se Thomas Schafer, ministro das finanças de Hesse, um dos estados da Alemanha Federal, e seu provável futuro ministro-presidente. Pois, e para além de outros hipotéticos problemas pessoais, se encontrava avassalado com os efeitos económico-financeiros desta … temível pandemia.
Conselheiro de quê? ..

Conselheiro de Estado – indicado e reindicado pelo PS de Costa. E também membro do Conselho Consultivo do Banco de Portugal – indicado pelo ministro das Finanças e aprovado pelo Conselho de Ministros do governo de Costa.
é assim mesmo.
O que eu gostava mesmo de saber é se a Alemanha beneficia ou não. Eu não sei explicar … o que não me admira: não percebo nada de Economia nem de Finanças.
Mas que gostava de ver discutido, isso gostava. E tendo a dar valor ao que Louçã diz …. ele é Professor de Economia e sou sou totalmente ignorante na matéria (e noutras).
é possível que alguns dos nossos co-bloguistas lhe possa responder com alguma substância. Eu não posso, apenas poderia arengar sobre o assunto. O professor Louçã, que muito sabe de Economia, dir-lhe-á que sim, que a Alemanha ganha com isto. E que gosta disto, desta situação terrível. E as pessoas guincham a malvadez do holandês falador e muito aplaudem este tipo.
Maldita gente má, como me ensinou há pouco um amigo brasileiro.
Joana, nesta crise a Alemanha, ainda que o quisesse, não sairá beneficiada, isto é, não conseguirá implementar uma política que a salvaguarde sem que os demais sejam salvaguardados.
A crise que se instalou com o bicho transcende qualquer linha económica até agora pensada, testada e ou estudada. A economia e finanças nunca deram respostas a situações de emergência, complementam simplesmente medidas que têm de ser tomadas.
Em conclusão o que os economistas de plantão querem fazer crer traduz-se na seguinte metáfora:
O escorpião necessitava atravessar um lago e pediu à rã que o levasse às costas para a outra margem.
A rã, sabendo que o escorpião tinha veneno em sua cauda, disse-lhe que se aceitasse satisfazer-lhe o pedido ela morreria pela bicada do escorpião.
O escorpião, astuto, disse: não, rãzinha, como poderei eu usar o veneno durante a travessia se também eu morrerei se o fizer, pois não sei nadar.
Convencida a rã, deixou que o escorpião se acomodasse em suas costas e iniciou a travessia.
A meio do trajecto o escorpião, incapaz de contrariar sua natureza, injectou o veneno na rã e ambos morreram.
Em conclusão. Joana, os “economistas” de pacotilha que contrariam a política que irreversivelmente terá de ser tomada, agem como o escorpião: querem fazer crer sua bondade e preocupação às costas e à custa do orçamento, convencendo a “rã” que não lhe espetarão o veneno, e se isto acontecer o veneno deles arruinará todos.
Louçã tem razão na perspectiva, mas não acredito que a Alemanha goste desta pandemia.
Joana, deixo aqui um link (recomendável leitura) acerca do ministro alemão que se suicidou e o porquê. Quanto aos “iluminados” da paróquia é apenas mais do mesmo – narrativas para “boi dormir”!
https://hat4uk.wordpress.com/2020/03/30/c ovid19-crash2-suicide-in-hesse-the-insan e-farce-of-lockdown/
As declarações do ministro holandês visavam atribuir, (in) directamente, responsabilidade à Espanha por um suposto “desgoverno financeiro doloso” em consequência dos programas sanitários de combate à mortandade. A desconfiança, a acusação do ministro holandês não foi acompanhada de qualquer tipo de argumento, facto, lógica. As declarações de Louça são enquadradas, limitadas, à vertente financeiro – económico da pandemia. A maioria, na Europa, há muito que defende a emissão de títulos de dívida europeus. A maioria defende que os países mais endividados não conseguirão pagar a dívida. A maioria julga que a persistirmos no mesmo caminho a UE descarrilará. Porventura alguém estará disposto a repetir o vivido em 2008, cá, na Itália, na Grécia, em Espanha ou na França?
O que foi dito por Louça :
“Uma pequena maioria dos países não aceita a primeira alternativa – a emissão conjunta de dívida. Nestes encontra-se sobretudo a Alemanha, país que tem “muita dificuldade em aceitar esta proposta” por várias razões”.
Por “razões políticas”: “Porque é muito difícil aos alemães que disseram que os países do sul, os países com maiores dívidas, são países preguiçosos. É muito difícil dizerem aos seus eleitores que agora fazem um esforço como conjunto, que há uma união”, opina.
Por “razões legais”: “O Tribunal Constitucional alemão tem uma doutrina muito afirmada por esta direita que radicalizou uma posição de que não pode haver cooperação europeia”.
E por fim, “até por razões económicas”: “A Alemanha beneficia de uma crise na Europa, porque as suas emissões de dívida ficam muito protegidas com juros negativos”. O que é uma “vantagem para os alemães porque é um porto seguro de acolhimento dos capitais”. Em suma, “a Alemanha gosta desta situação, beneficia destas crises”.
O que foi dito pelo…. pelo outro:
“Em Itália, a capacidade dos Cuidados Intensivos é tratada de maneira muito diferente. Lá eles incluem pessoas que não incluiríamos porque são muito velhas. Os idosos têm uma posição muito diferente na cultura italiana”, destaca Rosendaal” .
“Na Holanda, os pacientes mais idosos ficarão a receber tratamentos em casa, considerando-se que, dadas as poucas hipóteses de sobrevivência, será mais “humano” deixá-los nos seus lares.”
Prefiro a abordagem portuguesa, seguida, nomeadamente, no Hospital de S. João. As medidas médicas a adoptar dependerão da condição médica – clínica e não da idade do doente.
Orgulho – me, deste lado, do Ser Português
Louçã… O resto deixo ficar
Muito bem. concordo em absoluto.
Obrigado VV pela transcrição do afirmado de Louçã. Dela retiro a expressão “A Alemanha gosta desta situação”, pois “beneficia destas crises”. É a expressão do conselheiro de Estado. É disso que falo. Sobre o que disse o holandês apenas refiro que promoveu a ira nacional, a do nosso PM, que foii basto louvado por nuestros hermanos. Eu não critico essa ira, não critico o nosso PM, não critico a Espanha. Apenas refiro que logo a seguir às declarações do ministro holandês o nosso conselheiro de Estado disse, não se V. já soube, que “A Alemanha gosta desta situação”, pois “beneficia destas crises”.
Terei que fazer um desenho? Apesar de não ter qualquer talento para a ilustração?
Não sei se tem ou não talento para o desenho, mas sei que é impossível desenhar numa caixa de comentários
Onde é que o holandês diz que não devem ser tratados? O holandês diz coisa bem distinta, diz que não são tratados. Não parece muito diferente (ou parece pior) mas é.
A Holanda é o país onde 5% de todas as mortes são por eutanásia (retirando os que morrem de acidente, qual será a percentagem dos que podem escolher?) Perto de 60% das mortes hospitalares é precedida duma declaração de não reanimação, e parece que perto de 5% da população tem essa decisão tomada antes sequer de entrar no hospital.
Nesse país, se informarem um doente de 70 anos que vai ter que passar 2 semanas entubado, deitado de barriga para baixo, e que tem 50% de hipóteses de se safar, o que acha que faz a pessoa que ainda não tomou decisão prévia?
O que o médico disse: provavelmente escolhe ir para uma enfermaria receber cuidados paleativos, ou ser mandada para casa.
Não dá para andar a defender a humanidade da Holanda na eutanásia, e depois admirar-se da abordagem que os holandeses fazem destas questões. Uma em cada 20 pessoas escolhe conscientemente antecipar a morte.
Nem para dizer que somos melhores que isso, e depois criticá-lo por dizer, sem fazer juízos de valor, que em “temos uma relação diferente com os mais velhos.”
Pois temos, e eu também acho a nossa melhor. Mas se a decisão é dos próprios, não vejo mal nenhum em que recusem tratamento. Eu se calhar também recusava. Sobretudo se não tivesse netos a visitar-me todas as semanas, que é (essencialmente) o que dá vontade aos meus pais de continuar a viver.
O holandês falou sobre os velhos italianos. Parece igual mas é pior. Quanto ao resto do seu texto acho interessante a associação que faz com a eutanásia, naquele país, e como é interpretada a doença na velhice.
Recordo que os vikings/germânicos tinham uma instituição cultural designada por Ättestupa. Sei que Esparta também a tinha. Não sei se havia algo semelhante na Civilização Romana
Um bípede repulsivo : será(?) um bom economista – na perspectiva de que essa esforçada classe profissional ter sido criada para dar credibilidade aos metereologistas.
Um senhor chamado Nassim Nicholas Taleb , muito em voga hoje em dia, ” et pour cause” , tem ideias muito firmes sobre a matéria…
JSP
O COVID-19 foi um Cisne Negro 🙂
jpt, vamos fazer a leitura por uma outra perspectiva:
A Alemanha pertence a si mesma que em regra é mestre na arte do onanismo; a Alemanha, depende da Rússia no que respeita à energia; Por sua vez a Alemanha depende do mercado europeu para escoar sua produção; e ainda a Alemanha não tem capacidade para manter sua riqueza sem os 500 milhões de cidadãos da UE. E por, último comprometidos que estão também os bancos alemães, que há muito andaram a brincar aos negócios por este mundo, sem a França não lhes restará qualquer saída para per si sobreviverem.
A França depende dos franceses, que nos têm indicado serem os precursores das mudanças na Europa (a última ocorreu com a revolução francesa); e esta mudará por vontade de seus habitantes.
A Polónia é americana e a América deixou claro à senhora Merkel que também apoiava o UK, que com sucesso descartou-se de repugnantes holandeses e dos alemães, que sobreviveram até agora à conta da posição francesa.
Em conclusão desta perspectiva, o final será este: ou acaba a UE e a Alemanha morre; ou mantém-se a UE e a Alemanha vai ter de engolir sapos para sobreviver.
Eu agradeço-lhe o comentário e respondo com o desenho com que acima ameacei o comentador VV (que julgo germanófono pelo patusco nome que inventou, talvez mesmo germanófilo). Aqui vai o croquis:
Leio a expressão de Louçã: “A Alemanha gosta desta situação”, pois “beneficia destas crises”. É a expressão do conselheiro de Estado. É disso que falo. Sobre o que disse o holandês apenas refiro que promoveu a ira nacional, a do nosso PM, que foi basto louvado por nuestros hermanos. Eu não critico essa ira, não critico o nosso PM, não critico a Espanha. Apenas refiro que logo a seguir às declarações do ministro holandês o nosso conselheiro de Estado disse, não se V. já soube, que “A Alemanha gosta desta situação”, pois “beneficia destas crises”.
A sua transcrição não é ameaça para mim, e tampouco me debrucei sobre se a Alemanha gosta ou não desta situação.
Porém tem beneficiado das crises, mas desta garanto-lhe que não conseguirá beneficiar.
Em conclusão, e sem ameaça, regresso ao meu primeiro comentário.
a minha ameaça era apenas gráfica …
eu também não elaboro sobre os hipotéticos ganhos da pérfida Alemanha, os (de)méritos do holandês, a saúde dos idosos e jovens espanhós. Nem mesmo sobre a malvada pandemia. Mais ainda, de facto utilizo o ilustre conselheiro para aludir à rapaziada confinada, nada mais.
O meu bisavô fugiu da Baviera na altura da criação da “Pequena Alemanha” . Julgo que limpou o sebo a um unionista… Não suportava os alemães do norte, os Prussianos.
ó diabo, espero que não corra no sangue …
É uma história apócrifa, jpt. Diz-se que era também judeu. Diz-se que fez vida nas Beiras, em Ródão
Para os infectados com o Trotskiov-00, a Alemanha e os EUA serão sempre os monstrengos de serviço.
não está mal
Já me cansei de ouvir o trá-lá-lá de laroca Temido e desisti de tentar abrir garrafas à moda da patética directora da saúde.
Cancelei a compra do Bê-Ême (vou ficar sem o sinal) e destruí o canteiro das tulipas – por mim esses bárbaros vão empobrecer!
Hoje estou a ouvir estes: https://www.youtube.com/watch?v=aFZLzWvO kfo e voltei ao velho púcaro de lata que já está aberto por natureza.
Smoreira
https://youtu.be/A7E6m3D-lFI
não conhecia, obrigado pela chamada de atenção
Dou desconto ao Louçã.
Deve ser angustiante para ele viver num país onde o socialismo de linha dura (tanto económico como social e estrutural) não foi implementado.
É que agora nem para a verdadeira Albânia dá para emigrar.
É deixá-lo dar a missa semanal. Com a consciência de que no seu país das maravilhas, o mais certo era já ter sido enviado para um campo de reeducação.
É um conselheiro de M — e não é o M do James Bond.