DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Cláudia Vicente: «Como muitos dos nossos conterrâneos até vou sorrindo, rindo a valer é que nem tanto.  Deve ser por isso que  agora dou mais valor a cada boa gargalhada. O riso em estado puro não aliena, liberta. Pelo menos endorfinas, se quisermos ser literais. E aqui  está a razão desta série, feita de umas poucas de sugestões para o efeito.»

 

Ana Sofia Couto: «No outro dia, estava eu a explicar a uma turma de 7.º ano a importância de saber escrever – e de perceber, por exemplo, a diferença entre “vende-se” e “vendesse” -, quando um dos alunos se lembra desta: «Estás a ouvir, Zé? Quando fores trabalhar para as obras, tens de escrever bem nas tabuletas…». Teve graça e fez-me pensar nas justificações que damos para educar alguém. É por esta razão – porque também é sobre essas justificações – que gostei do filme An Education.»

 

André Couto: «Em fim de semana onde nos Estados Unidos a saúde é o tema dominante, o Diário de Notícias traz uma reportagem sobre “os imigrantes que tratam da nossa saúde“. É giro como uma simples reportagem pode questionar tantos macacos que pululam nos sótãos portugueses. Desde o pretensiosismo do Dr. que não aceita que o seu primeiro nome não seja o título, como se isso lhe conferisse competência, ao preconceito de que a imigração é prejudicial ao País e não lhe faz falta, passando pela integração de espírito aberto de quem chega a Portugal para ajudar, sem pretender com isso ter mais do que a justa recompensa.»

 

J. M. Coutinho Ribeiro: «O próximo líder do PSD – seja quem for – será sempre um líder de facção e um líder transitório. A não ser que, por uma qualquer razão do destino, Sócrates caia antes do tempo – fulminado – e o PSD chegue ao poder, momento em que, em nome do poder, todas as divergências se esquecem. Não estou sozinho nesta reflexão – há mais quem assim pense. Lendo o Expresso de hoje, creio que esta será também a perspectiva de Marcelo Rebelo de Sousa, que resiste a apoiar qualquer dos candidatos à liderança, optando pela neutralidade.»

 

João Carvalho: «Por causa da sabotagem dos autocolantes compulsivos é que vou ter de comprar um televisor igual ao daquele café que enche pelas costuras quando há jogo num canal desportivo codificado: com tantos autocolantes no ecrã, só um aparelho gigante me permitirá sentir que tenho um televisor normal. Afinal, a gente compra um televisor para ver o que estão a mostrar ou para ficar com tudo escondido atrás dos autocolantes?»

 

Paulo Gorjão: «Hoje, pelos vistos, os indignados de ontem estão de folga. Gostam de atirar lama, mas apenas selectivamente e quando lhes serve os seus interesses. Esquecem que o mesmo tratamento lhes pode ser aplicado no virar da esquina. Não seria preferível partir do pressuposto que todos somos sérios até prova em contrário, em vez de se andar a levantar suspeições sem qualquer fundamentação?»

 

Teresa Ribeiro: «Com esta alteração os deputados ficarão mais comprometidos com os círculos eleitorais que representam, o que é bom. Em contrapartida aumenta a probabilidade de se eleger para primeiro-ministro um candidato que se impõe pela sua persona e não pelo programa que representa. Um risco. Para mim inquietante. É que estou farta de políticos para quem a imagem e a propaganda é tudo.»

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