DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Depois do enorme sucesso na criação de 150.000 postos de trabalho, que afinal não era uma promessa mas apenas uma estimativa, e que afinal não era uma estimativa mas um objectivo, e que afinal não era de criação de empregos novos mas não sei o quê de não sei que mais, o Governo apresenta a nova estratégia nacional para a energia e, vejam lá, e sem moderações na linguagem, que essas ficam para mais tarde, quando chegar a altura do ah e tal afinal não era a novos postos que nos referíamos nem à criação nem coisa nenhuma mas apenas um número que atirámos para o ar: 130 mil a 140 mil novos postos de trabalho.»

 

João Carvalho: «Um deputado socialista tem uma proposta de lei que só peca por tardia: visa tornar “proibida a atribuição de nome de pessoa viva a qualquer bem público, de qualquer natureza, pertencente ao Estado ou a pessoa colectiva de direito público”, e “a bens ou actividades privadas que, a qualquer título, hajam recebido apoio financeiro de entidade pública”. Por incrível que pareça, a prática está de tal modo vulgarizada – grande parte das vezes, por auto-decisão para auto-atribuição ao auto-glorificado, o que ainda é pior – que agora só por diploma legal se conseguirá repor um comportamente decente e ético, impedindo que se continue a endeusar por este país fora quem ainda não chegou à História e, em tantos casos, quem nada fez de relevante.»

 

Paulo Gorjão: «Estive para vos perguntar o que acharam da entrevista de Pedro Passos Coelho, mas já percebi que estamos todos de acordo que foi uma boa entrevista. Assim sendo, não vos pergunto nada…»

 

Eu: «Confesso que começo a ficar cansado da palavra “populismo”. Não há hoje análise política em Portugal sem que este famigerado termo se multiplique à velocidade dos pães bíblicos, servindo para nomear tudo e o seu contrário. “Populismo” passou a abarcar quase tudo quanto mexe. E quando se pretende criticar alguém sem saber muito bem justificar tal crítica, logo irrompe o nefando vocábulo, tão previsível como as ondas do mar a bater na praia. Rapidamente a fórmula, de tão generalizada, ficou esvaziada de conteúdo.»

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