DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

J. M. Coutinho Ribeiro: «Tenho alguns amigos – estive a fazer as contas e acho que tenho mais amigos de esquerda do que de direita – que são, desde o princípio, admiradores de José Sócrates. Já tive com alguns deles algumas discussões homéricas sobre o assunto, pela razão simples de que não consigo descortinar – depois de uns primeiros tempos de hesitação – onde está a valia do homem enquanto primeiro-ministro.»

 

João Campos: «Em Portugal não se sabe construir. Seja o que for: pontes, estradas, casas, pavilhões, galinheiros. Não sabemos construir. Fazemos tudo mal, da forma mais ineficiente (leia-se, da forma mais cara e mais demorada), e sem considerar uma carrada de factores. Como o clima, por exemplo. Vivemos com a permanente desculpa de que “Portugal tem um clima temperado”, e por isso fazemos casas que, passe a expressão, não são nem pão nem bolo. Na prática: são fornos durante o Verão e frigoríficos (húmidos, frequentemente) durante o Inverno.»

 

João Carvalho: «Hoje, ainda há quem se sinta ofendido e manifeste de viva voz que não desiste de esperar por um pedido de desculpas de Teixeira dos Santos pelo que ele afirmou ontem. Não sei se ele o fará ou não, mas sei que, se o fizer, já virá tarde. Tê-lo feito logo a seguir no mesmo lugar e perante os mesmos ouvintes seria dar igual importância ao disparate e ao pedido de desculpa pelo disparate, o que anularia por certo o momento infeliz.»

 

Eu: «Noutros tempos, Lula diria que a insanidade não está no prisioneiro de consciência, mas no regime opressor que encarcera mulheres e homens por delito de opinião. Tempos em que o próprio Lula fez greve de fome, quando esteve detido em São Paulo. Felizmente para ele e os seus compatriotas, a ditadura brasileira terminou há muito. Infelizmente para os cubanos, a ditadura dos irmãos Castro parece interminável.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. O João Campos tem toda a razão: em Portugal não se tem em consideração o clima na construção dos edifícios. E não só na construção mas, também, na utilização.
    Os portugueses constroem e usam os edifícios de acordo com os seus preconceitos e usos culturais, e não de acordo com os constrangimentos climatéricos. Por exemplo, na minha região as casas de habitação têm sempre uma sala de estar, que raramente ou nunca é usada, virada para a estrada ou rua, enquanto que a cozinha, que é onde as pessoas passam a maior parte do tempo, está orientada sempre para as traseiras; e isto acontece seja qual fôr a orientação com que o sol bate na habitação, fazendo com que muitas vezes a cozinha receba pouco ou nenhum sol.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *