Boa noite , maior parte das aldeias do norte e interior pais , antigamente os homens entregavam às mulheres o dinheiro que ganhavam , para elas governar a casa .
«Maior parte das aldeias» – tem a certeza? E mesmo nas aldeias em que se praticava esse costume – todos os homens? Pode garantir?
Há sempre excepções. O meu avô materno fazia o mesmo e, por acaso, até nem morava numa aldeia.
Mas estas conquistas feministas, que decidi recordar neste dia, serviram para mudar um sistema, onde as mulheres eram praticamente equiparadas às crianças, sob o domínio e o controle dos homens. Era assim, não adianta negar.
P.S. Havia muitas aldeias, onde praticamente não havia dinheiro. As pessoas vivam do que produziam e ajudavam-se umas às outras. Era assim, por exemplo, em Trás-os-Montes. O meu pai é originário de uma aldeia muito isolada, no concelho de Macedo de Cavaleiros. Até aos anos 1960, nem havia estrada que lhe desse acesso, a estrada nacional Macedo-Mogadouro fica a 5 km de distância. O dinheiro não representava grande papel. Não havia lojas onde o gastar. A loja mais próxima talvez fosse na sede do concelho, a cerca de 20 km. Escusado será dizer que, até meados do século XX, não havia veículos motorizados.
Nessa aldeia, porém, não havia dúvida sobre quem mandava: os homens! As mulheres quase não tinham voz e trabalhavam tanto como eles, na agricultura, a que se juntava o trabalho de dona-de-casa. O meu pai (que , graças a Deus, ainda é vivo) assim conta: depois do trabalho na terra, o meu pai chegava a casa e descansava; a minha mãe ia fazer o jantar para catorze pessoas. Era com certeza ajudada pelas filhas, à medida que elas iam crescendo. Mas não pelos filhos.
Cuidado com o que se deseja. Pode até vir a implementar essa galanteria, o feminismo, mas – a manterem as coisas o rumo puritano, fundamentalista e vingativo que têm seguido – muito provavelmente o que se implementará, a menos que o seu desejo seja o de que a iniciativa de tais convites passe a ser prerrogativa das senhoras, será a metódica ruína moral e não só do desgraçado que ouse fazer um tal convite.
A autora deixou aqui referências a direitos conquistados e a passos dados (em tempos seguramente bem mais difíceis, para as mulheres, do que o actual) cuja bondade por estes dias se não contesta. Mas começa a sentir-se quanto a isto do feminismo o mesmo que se sente quanto ao colonialismo: eu não sou os meus antepassados, não tenho que aceitar ser equiparado às suas acções e mentalidades, nem carregar as suas culpas jamais expiadas. Acções e mentalidades que (sem contestar o mérito de quem com ousadia e sacrifício as questionou) no seu tempo até terão sido largamente aceites como normalíssimas.
Todos nós herdamos a História do país a que pertencemos. Tanto as coisas más, como as coisas boas, formam a nossa identidade.
Sim, no passado, muitas coisas, hoje inconcebíveis, foram largamente aceites. Mas “largamente” não significa “na totalidade”. E, se muita coisa mudou, foi porque houve sempre gente com vontade de mudar aquilo que não achava bem.
Não critico mentalidades próprias da época; critico apenas quem não aprende com os erros.
O que eu vejo de bandos de raparigas a vaguearem pela noite de copo ou garrafa na mão, a linguagem e o gesto grosseiros, cenas que no masculino eram de há muito justamente censuradas, são quê? Libertação, ou pura construção de um modelo de horror?
Boa noite , maior parte das aldeias do norte e interior pais , antigamente os homens entregavam às mulheres o dinheiro que ganhavam , para elas governar a casa .
Luis Almeida
«Maior parte das aldeias» – tem a certeza?
E mesmo nas aldeias em que se praticava esse costume – todos os homens?
Pode garantir?
Há sempre excepções. O meu avô materno fazia o mesmo e, por acaso, até nem morava numa aldeia.
Mas estas conquistas feministas, que decidi recordar neste dia, serviram para mudar um sistema, onde as mulheres eram praticamente equiparadas às crianças, sob o domínio e o controle dos homens. Era assim, não adianta negar.
P.S. Havia muitas aldeias, onde praticamente não havia dinheiro. As pessoas vivam do que produziam e ajudavam-se umas às outras. Era assim, por exemplo, em Trás-os-Montes. O meu pai é originário de uma aldeia muito isolada, no concelho de Macedo de Cavaleiros. Até aos anos 1960, nem havia estrada que lhe desse acesso, a estrada nacional Macedo-Mogadouro fica a 5 km de distância. O dinheiro não representava grande papel. Não havia lojas onde o gastar. A loja mais próxima talvez fosse na sede do concelho, a cerca de 20 km. Escusado será dizer que, até meados do século XX, não havia veículos motorizados.
Nessa aldeia, porém, não havia dúvida sobre quem mandava: os homens! As mulheres quase não tinham voz e trabalhavam tanto como eles, na agricultura, a que se juntava o trabalho de dona-de-casa. O meu pai (que , graças a Deus, ainda é vivo) assim conta: depois do trabalho na terra, o meu pai chegava a casa e descansava; a minha mãe ia fazer o jantar para catorze pessoas. Era com certeza ajudada pelas filhas, à medida que elas iam crescendo. Mas não pelos filhos.
Bom dia,
só sendo homem para perceber que quem manda em casa é a mulher , sempre foi assim e sempre será .
Luis Almeida
os homens entregavam às mulheres o dinheiro que ganhavam
Fora aquele que guardavam para gastar na taberna. Que, muitas vezes, não era pouco.
Para quando o feminismo decide implementar a galanteria de uns convites para jantar?
Sou a favor.
Aconteceu-me uma vez, para almoço, e por uma revolucionária de há muitas décadas atrás!
Cuidado com o que se deseja. Pode até vir a implementar essa galanteria, o feminismo, mas – a manterem as coisas o rumo puritano, fundamentalista e vingativo que têm seguido – muito provavelmente o que se implementará, a menos que o seu desejo seja o de que a iniciativa de tais convites passe a ser prerrogativa das senhoras, será a metódica ruína moral e não só do desgraçado que ouse fazer um tal convite.
A autora deixou aqui referências a direitos conquistados e a passos dados (em tempos seguramente bem mais difíceis, para as mulheres, do que o actual) cuja bondade por estes dias se não contesta. Mas começa a sentir-se quanto a isto do feminismo o mesmo que se sente quanto ao colonialismo: eu não sou os meus antepassados, não tenho que aceitar ser equiparado às suas acções e mentalidades, nem carregar as suas culpas jamais expiadas. Acções e mentalidades que (sem contestar o mérito de quem com ousadia e sacrifício as questionou) no seu tempo até terão sido largamente aceites como normalíssimas.
Costa
Todos nós herdamos a História do país a que pertencemos. Tanto as coisas más, como as coisas boas, formam a nossa identidade.
Sim, no passado, muitas coisas, hoje inconcebíveis, foram largamente aceites. Mas “largamente” não significa “na totalidade”. E, se muita coisa mudou, foi porque houve sempre gente com vontade de mudar aquilo que não achava bem.
Não critico mentalidades próprias da época; critico apenas quem não aprende com os erros.
«aprender com os erros»
Eis um bom tópico para o feminismo reflectir.
O que eu vejo de bandos de raparigas a vaguearem pela noite de copo ou garrafa na mão, a linguagem e o gesto grosseiros, cenas que no masculino eram de há muito justamente censuradas, são quê?
Libertação, ou pura construção de um modelo de horror?
Excessos juvenis que duram pouco tempo. Nalguns casos, persistem toda a vida, o que é lamentável.