
Ana Vidal: «Miguel Sousa Tavares, entusiasmado ao princípio por achar que lhe arrancaria uma qualquer reacção que traísse desconforto, tristeza ou hesitação, foi desistindo aos poucos até desanimar completamente, ao perceber que falava com um muro de cimento armado. Esta entrevista teve em mim um efeito revelador. Percebi finalmente, com enorme apreensão, qual é o grande trunfo de Sócrates: nada o demove porque nada o comove. E não sei o que se passa convosco, mas a mim preocupa e assusta saber que o país está entregue a uma espécie de robocop em versão Armani.»
Paulo Gorjão: «Paulo Rangel esqueceu-se — ou terá deixado para data posterior? — que cada pescador também é um soldado. Na entrevista concedida a Judite Sousa em Outubro de 2009, entre outras coisas, Paulo Rangel incluía também as pescas nas suas preocupações de segurança e defesa nacional. Na altura entendia também que havia imensas pessoas qualificadas no PSD para serem líderes do PSD. Pelos vistos candidataram-se os únicos três militantes que ele entendia que não reuniam as qualificações. É preciso ter azar. Habituem-se.»
Eu: «Há 25 anos que o PSD vive dominado pela figura tutelar de Aníbal Cavaco Silva. É um ciclo que já devia ter terminado. Se tem ambições de futuro, o partido laranja devia iniciar um novo ciclo, sem qualquer resquício de tutela cavaquista. É algo que já se percebeu que não sucederá nesta campanha interna, onde o cavaquismo surge em força. Alexandre Relvas, o director da campanha presidencial de Cavaco Silva, é um dos principais apoiantes de José Pedro Aguiar Branco. Carlos Blanco de Morais, consultor do Presidente da República para os assuntos constitucionais, contribui para a elaboração da moção de estratégia de Passos Coelho. E Eduardo Catroga, que foi o ministro das Finanças preferido de Cavaco Silva, inclui-se entre os apoiantes de primeira linha de Paulo Rangel.»
