DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Tenho muita dificuldade em encontrar, pela blogosfera fora, quem faça da sua militância partidária a absoluta alienação da capacidade de pensar por si próprio. Como é possível que, legitimamente optando por escrever sobre o partido a que pertencem ou sobre o Governo que suportam, não se lhes conheça uma crítica, pequena que seja, um “algo está mal”, uma paragem pela berma, uma dúvida, um receio, uma divergência: nada que não seja a defesa cega da coisa.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Quem esteja a acompanhar os depoimentos que estão a ser prestados na Comissão de Ética não pode deixar de ficar pasmado. O tom e o estilo de algumas intervenções, de que constitui belíssimo exemplo a desta manhã da jornalista Felícia Cabrita, que se dá ao luxo de fazer comentários e questionar o poder legislativo, como se afinal fosse este que estivesse a ser escrutinado neste momento, dizem tudo sobre o interesse do que por lá se passa. Ver a miséria assim exposta não aproveita a ninguém, mas os senhores deputados devem saber alguma coisa mais que eu não sei que justifique o espectáculo.»

 

Eu: «Albert Camus, uma das maiores referências morais do mundo do pós-guerra, deixou bem claro que a questão dos meios é fundamental na definição de qualquer objectivo político. Por esse motivo, entrou em ruptura com o marxismo clássico e com os seus expoentes da época, remando contra a maré dominante que glorificava o estalinismo. Para ele, a libertação do homem jamais poderia servir de pretexto para justificar um acto criminoso. As bombas lançadas sobre Hiroxima e Nagasáqui eram tão imorais, sob este ponto de vista, como os campos de extermínio nazis.»

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