DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Cristina Ferreira de Almeida: «Estava aqui a lembrar-me das gravações que provavam a ligação de Nixon ao assalto à sede dos Democratas, naquela investigação jornalística muito maçadora para o Presidente dos EUA a que hoje chamamos caso Watergate e que bem pode ser considerado jornalismo de buraco de fechadura.»

 

João Campos: «Quanto a nós, continuaremos a caminhar alegremente e lindamente para a bancarrota (até ao final do ano, tenho outra grade de “minis” apostada). O buraco em que Portugal se enfiou é político, é económico, é tudo e mais alguma coisa – e todos nós, todos os dias, o tapamos (e nos tapamos) um bocadinho com a nossa indiferença e encolher de ombros.»

 

João Carvalho: «A vida pública caiu tão fundo que tudo o que se ponha a circular já ninguém estranha: rapidamente se propaga e logo começa a constar como verdade. Vejam bem que várias pessoas, em poucos dias, me fizeram chegar que há uma deputada pelo PS que, por ter residência em Paris, não só recebe passagens aéreas de ida-e-volta uma vez por semana como ainda anda a receber ajudas de custo diárias da Assembleia da República. Diz-se cada coisa por aí.»

 

Marta Caires: «Quando deixei Joanesburgo, num fim de tarde de Dezembro, as conclusões da Comissão da Verdade e da Reconciliação respiravam livres, eram públicas e estavam disponíveis para quem as quisesse ler. Mandela preparava-se para deixar a presidência da África do Sul. Tinha cumprido a missão, o sonho, fechado o ciclo de luta e 27 anos de prisão. É, eu tinha corrido para Joanesburgo para tentar curar-me da vida e, nesse fim de tarde, percebi que o único remédio para a vida é vivê-la. Ao longe, na estrada para Pretória, um jacarandá lilás brindava, em apoteose, a Primavera.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Quando há dias vi o último filme de Clint Eastwood, dei comigo a pensar no quão fácil seria mudar este país. Portugal não tem um Nelson Mandela, não tem um François Pineaar, e muito embora tenhamos os Lobos e Tomás Morais, a nossa tradição na oval não nos permite sonhar que eles tenham a capacidade aglutinadora dos Springboks, por muito grande que fosse a sua vontade.»

 

Eu: «Já “nacionalizou” actividades industriais, hipermercados, hotéis. Agora manda “expropriar” pequenas lojas no centro de Caracas. Ao vivo, em directo e a cores. Confirmando assim que, para ele, a propriedade privada vale zero e que as contas públicas devem ser administradas ao sabor dos caprichos momentâneos de um programa de televisão, com a irresponsabilidade de qualquer menino-bem a delapidar a fortuna do papá. É Hugo Chávez, claro – who else? Ele diz-se inspirado por Simón Bolívar. A mim parece-me, muito mais prosaicamente, um discípulo de Vasco Gonçalves.»

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