O nosso colega jpt já aqui postou sobre o maravilhoso salto em frente que Lisboa está a dar.
A beleza das coisas simples, que circula nas veias da máquina do estado, merece hoje e aqui um destaque especial. Veja-se como são belas as regras de acesso à Zona de Emissões Reduzidas Avenida.
“Os residentes poderão receber visitas?
Sim, mesmo que o próprio residente não tenha automóvel e desde que esteja registados no sistema. Mas atenção que o carro tem se ser posterior a 2000. Cada residente pode receber até um máximo de dez visitantes por mês. Terão de avisar previamente, indicando a matrícula do respectivo veículo, o que poderá acontecer através de uma app criada para o efeito ou por telefone. Para estacionar, é que só poderão fazê-lo num dos parques da zona. Por outro lado, os cuidadores de residentes também podem entrar (tem de ser requerida uma autorização prévia), mas só poderão estacionar nos parques de estacionamento.”
Qualquer sílaba, ou mesmo vírgula, a mais criaria um desequilíbrio na métrica desta quase poesia.
Não fosse a app, que dá um ar modernaço e não emite carbono, podia ser uma tradução de um edital na RDA.

Há Ghettos no Beato
Só entra quem tem dístico…
Os 10 visitantes podem ser em simultâneo?
Se forem onze qual será o critério de exclusão? Cor da pele, filiação partidária ou clubistica?
So mais aviões é que se deseja nos céus de Lisboa…
Graças ao aeroporto em forma de compasso desenhado num avental, isso vai mudar.
Ora, ora, ora… Em todas as grandes cidades europeias (de países civilizados, quero eu dizer) há zonas pedonais, nas quais não podem entrar carros de todo. E, naturalmente, as pessoas que vivem nessas partes das cidades têm certas restrições. E as pessoas que as visitam, também. Ou vão a pé, ou vão de transportes coletivos. É simples.
É assim que se faz em todos os países civilizados. Lisboa não será uma exceção.
Nos países civilizados. Em Portugal, se for uma pessoa bem colocada e com amigos influentes, pode estacionar as vezes que quiser, onde quiser e aí quem se atreva a questionar a discricionariedade da excelsa pessoa, ungida e benzida por ente divino.
Nos países civilizados. Em Portugal basta ser da cor política do momento e tudo é passível de ser aceite pelo comum do cidadão.
Maria Lopes
Em Portugal, se for uma pessoa bem colocada e com amigos influentes, pode estacionar as vezes que quiser, onde quiser
Não é preciso ser uma pessoa bem colocada. Qualquer pessoa em Portugal estaciona onde quiser, as vezes que quiser.
O dono do talho aqui em frente estaciona o carro sobre o passeio, do lado oposto da rua em relação ao talho, enfiando-o com todo o cuidado por entre dois pilaretes.
O empregado do café da minha rua estaciona em segunda fila em frente ao café durante o dia todo. Quando vem o dono do carro que ele está a bloquear, desloca o carro, sempre em segunda fila, para bloquear outro carro.
No outro dia vi um carro estacionado sobre o passeio durante horas, com os quatro piscas ligados. O dono deixou-o ali, confiante de que os quatro piscas impediriam a polícia de o multar.
E assim por diante. Portugal é um país de amplas liberdades cívicas – qualquer um tem ampla liberdade de se comportar incivicamente.
Será o chicoespertismo um grito de revolta contra a Stasi?
A Stasi foi uma polícia política na antiga Alemanha Oriental.
Não se deve confundir uma polícia política, a qual persegue pessoas devido às suas opiniões e atividades políticas, com a polícia de uma país democrático, que somente persegue pessoas que desobedecem às regras criminais ou cívicas.
Que dizer da Mossad ou da CIA que organizam emboscadas com mortos, golpes de estado, assassinatos, fornecimento de armas a organizações terroristas tudo feito em defesa dos interesses de Israel e, no caso dos USA, dos interesses comerciais americanos incluindo a colocação de ‘amigos’ nas chefias de certos países.
Veja-se o que aconteceu durante décadas na América Latina, com a criação de ditaduras militares sempre para zelarem dos interesses económicos dos USA.
– Bom dia Gestrudes, onde vais?
– Olá bom dia, comi carapaus com cebolas. Até logo.
Dificilmente, pois esse tipo de comportamento é muito comum há décadas.
A Stasi que refiro é metafórica. Pode significar a ordem, e nesse caso a minha questão pode ser menos descabida.
Que o chicoespertismo é um grito de revolta contra a ordem, não duvido.
Agora, que o Paulo Sousa compare a ordem à Stasi, é que já me parece algo de muito pouco sério e muito pouco recomendável.
É claro que os chicos-espertos só são a favor da desordem quando se aproveitam dela (em geral, para lixar a vida aos outros).
Eu há bastantes anos também era a favor da desordem: esfaqueava (com uma faca de mato que trazia comigo) os pneus de automóveis que encontrava estacionados sobre o passeeio. Estou em crer que os automobilistas gostariam nessas ocasiões de poder chamar a Stasi…
Lavoura Leaks?
Este dia teria de chegar
Lavoura? Assim mesmo? Será que é de temer, enquanto bloguista do sempre-sob-mira Delito de Opinião, o ataque (“marxista-navalhista”, como bem nos avisa o Pedro Correia) lavourista, de arma branca em riste?
O Lavoura testemunha tantas infracções e mesmo assim não recorre às devidas autoridades?
Ah, já sei, Lavoura não defende a cultura do bufo.
O comentador Lavoura prefere a acção directa, de arma branca em riste.
É um marxista-navalhista.
Eu atualmente não testemunho muitas infrações. Desde que foram instalados lugares de estacionamento pagos em Lisboa (e noutras cidades), o estacionamento ilegal foi, em geral, eliminado.
Mas há 25 anos, que é o período a que me referi, as infrações às leis do estacionamento eram contínuas, e as autoridades fechavam os olhos. Um peão, como eu (e muitas vezes carregando um carrinho com bebé), era deixado à nora, tendo que fazer gincanas para contornar automóveis indevidamente estacionados.
Adivinho estar, nos transportes públicos, um problema.
Os transportes públicos abrangem, para além dos transportes coletivos, uma panóplia de outros transportes, que são privados mas estão à disposição de todo o público: táxis, Ubers, e bicicletas, trotinetas e motorizadas disponibilizadas por diversas apps.
Um Mercedes Benz Classe A também está à disposição de todo o público.
(se um “transportes públicos que são privados” não direito a post próprio…)
Já agora, em nome do Ambiente porque é que os “fachos”, indignados de esquerda, não diminuem os impostos relativos a serviços /consumos “amigos” do ambiente? Ex: vegetais com IVA no valor mínimo ou sem IVA, peixe de mar idem aspas, IVA de produtos desportivos /serviços de educação ambiental, o mesmo – ex: montanhismo, ciclismo, etc. Diminuição do IVA, IUC, etc, de carros “eléctricos”, ausência de imposto sobre casas auto sustentáveis/fabricadas com matérias recicláveis (adobe, etc)…. As taxas e impostos “verdes” têm como único objectivo colmatarem o aumento da despesa, em favor de quem trabalha no Estado, garantir um déficit abaixo dos 3%,e a injecção de capital no sistema bancário.
Pudor, por favor, com isso de diminuição do IVA, IUC, etc, de carros “eléctricos”. Pode parecer muito justo, muito moderno, muito inclusivo e isso tudo. Mas a mim que fui, por anos e anos deformação da oferta – entre orientações do poder, ofertas do mercado e até (até ao escândalo da VW) das pessoas alegadamente sabedoras das questões ambientais (afinal “o diesel” tinha, parece, atingido nas mais recentes gerações, um patamar evolutivo em que pedia meças à gasolina em matéria de poluição) – levado finalmente a comprar, com esforço, um carro a gasóleo, e que não troco de carro como de camisa; a mim, dizia, custar-me-ia muito andar a financiar com o agravamento dos abjectos impostos que já pago (porque era – é – isso o que ia acontecer), a opção por um “eléctrico” de quem os possa pagar ao preço a que são vendidos, que tem uma moradia com garagem onde o pode pôr a carregar quando quiser, que não tem a elevada probabilidade de, a qualquer hora do dia ou noite, ter que sair de casa e fazer uns trezentos quilómetros, esteja ou não o carro carregado, ou atestado, sabendo que atestá-lo demora uns cinco minutos, e não falta onde, e carregá-lo demora sabe Deus quanto e sabe Deus onde.
É muito fácil ser-se amigo do ambiente “e tal”, quando é o poder que coloca uma legião de escravos a satisfazer essa nossa vaidade.
Demagogia à solta, enfim.
Costa
Não ponha “demagogia à solta” por baixo de um comentário, meu. Ouviu?
Demagogia à solta, é o actual endeusamento público do automóvel eléctrico como espécie de panaceia instantânea para os males da poluição, desconsiderando tantas outras fontes de poluição, a impreparação estrutural – que demorará muito tempo a ultrapassar – para acolher essa motorização automóvel, se generalizada, os custos económicos brutais se a mesma não for uma opção bem gradual, a poluição associada à produção e desmantelamento desses automóveis. Aquilo será o futuro, admita-se, mas não é o milagre que dizem.
É isto o que classifiquei como demagogia à solta. Isto e a demonização muito conveniente e apriorística dos automobilistas que não conduzam automóveis eléctricos. É necessário arranjar culpados e já estivemos mais longe disso.
É isto o que classifiquei como demagogia à solta. Como você, que não andará alheado do mundo, facilmente terá percebido da leitura do que escrevi. Mas achou preferível enfiar o barrete (lá saberá porquê) e adoptar um tom que me deixa na dúvida quanto ao que me destina: uma paternal e leve palmada, como a um miúdo repetidamente mal-comportado, ou uma mafiosa carga de pancada, às mãos de uns brutamontes contratados para me acertar o passo?
Costa
Não me chateie e sobretudo não perca o seu tempo em delongadas respostas (lê-lo é-me supinamente penoso). Escreva uns comentários ou crie um blogue onde lhe seja possível explanar essa plana sabedoria.
Beba gasóleo, ande a pé ou montado, a mim tantum me faz.
E veja se põe a fronha de fora
Sossegue, homem, tenha calma. Afinal é simples, não leia o que eu escrevo (a menos que as experiências supinamente penosas, afinal, lhe agradem; creio que há um nome para isso, no campo da saúde mental). E em qualquer caso, não será isso de agradar-lhe ou desagradar-lhe que condicionará o que escrevo ou deixo de escrever; não sei que ilusões de grandeza povoam o seu espírito, mas V. deve achar-se muito perto da divindade (também deve haver um nome para isso no campo da saúde mental).
Na verdade, suponho que este blogue não é seu (não é de alterne…) e nele você é tão comentador como eu. Um módico de decência mandaria assim que evitasse esses tiques de dono e senhor, por aqui. É pelo menos usurpação, concordará.
Mas – já que me aconselha bebidas (e com óbvio interesse em me causar sério dano) – talvez tenha você escrito o que regorgitou acima depois de algum entusiasmo exuberante nos tintos que tanto faz questão de por aqui louvar. É uma maçada, mas isso usualmente afecta o raciocínio (explicaria talvez o “tantum”, por exemplo) e faz estalar o verniz da educação.
Que já não deverá ser grande coisa, de origem.
Costa
Sempre que recalcitra recebo um aviso no email. É chato. Sinceramente só lhe li as duas primeiras palavras… “sossegue homem, etc. .. depois deitei-o ao lixo, indiferenciado. Faça-me um favor, desopile-me o fígado
O mais fantástico é que, se disseres que és “socialista” podes adoptar as medidas mais hostis para quem trabalha, e mais favoráveis ao grande capital, que ninguém nos “media” te chateia; não há cá “manifs” nem vigílias, e ninguém quer saber se comprares ou arrendares uma casa a um construtor civil por um preço de favor (como foi o caso dos dois últimos edis de Lisboa). As pessoas que vivem e trabalham em Lisboa (como eu), e que têm um automóvel (que só uso ao fim-de-semana ou em férias e em deslocações para fora de Lisboa, quando não há alternativa de transporte público), já foram privadas do estacionamento gratuito (o alargamento dos passeios em Campolide custou-me €100/mês), do acesso a várias ruas (v.g. metade da Rua do Salitre, para descanso do “amigo” francês que lá investiu, e o quarteirão entre a Castilho e a Artilharia Um, para os clientes da prostitutas não estragarem as críticas dos “amigos” dos hotéis), e do próprio usufruto do espaço público: por exemplo, todos os edifícios da Praça da Figueira já estão licenciadas para hotel, e, em Lisboa, parece não haver limite para o licenciamento de camas, nem para o número de voos e de cruzeiros, nem para TVDEs e autocarros de turismo, que, aparentemente, e a acreditar nos media, não entopem nem poluem as mesmas ruas das quais se pretende expulsar os lisboetas.
Um visitante de Sintra, que tenha de pegar no carro porque o comboio foi suprimido, também conta ou tem direito a borla?
Pode vir de carro e estacioná-lo no parque do Martim Moniz, ou no do Cais do Sodré, à entrada da zona proibida. A partir daí vai a butes. Fazer um pouco de exercício faz sempre bem.
Este gajo é sempre tão estúpido.
Credo!
Os borregos no redil…
JSP
Que chatice deve ser viver na Dinamarca, além de pagarem resmas de impostos nem se quer podem andar de popó.
O regresso aos clássicos é sempre uma hipótese para explicar isso:
“Há algo de podre no reino da Dinamarca”
Que V. Exa não é burro, prova a inteligência de não ter assinado a burrice que escreveu: A montanha mais alta da Dinamarca tem 170 metros, e as suas cidades não têm relevo (entre o sítio onde moro e o sítio onde trabalho, são quase 120 metros de diferença de altitude), e os transportes públicos da Dinamarca são algo melhores que os nossos, e eu bem sei que os uso todos os dias (aliás, como tudo o que é público na Dinamarca, pois as resmas de impostos deles não são para distribuir tachos e favores pelos amigos).
Já vejo o Lavoura a orientar o tráfego à entrada da zona interdita. Meio polícia sinaleiro (como aquele de Coimbra), meio porteiro de discoteca.
Candidato a cabeça-de-giz.
Fujam de Lisboa. Fujam.
É em Lisboa que os totalitarismos aparecem e a Liberdade desaparece.
lucklucky
Ainda bem que o postal avançou. Vinha aqui resmungar e já estava feito. Boa!
(Quando eu era novo, até aos 20 anos [1984] a gente lia aquelas distopias, entre o Tintin e o País do Sovietes, e o Celine na URSS, o vero 1984, o Admirável Mundo Novo, mais aquelas antigas que começam no próprio do More, mais as da ficção científica, etc e tal – e depois discutia-se o perigo do controlo sobre os cidadãos, o policiamento, etc. e tal. Grosso modo, cada um como cada qual, mas era assim que se era de “esquerda”, ainda que vs. o comunismo soviético de Brejnev ou lá como se escreve. E agora são os herdeiros desses tempos, os “sobrinhos” que me dizem que preciso de avisar (por telefone) quem são as 10 pessoas que este ano me virão visitar, para poderem entrar. E não há um único “intelectual” mais ou menos libertário, um “sindicalista”, um “político”, um tipo do “sindicato dos jornalistas” que berre, urre, ou meramente resmungue. Isto em nome de valores mais altos (antes foi a revolução, a igualdade, todo o poder aos sovietes, hoje é o ar puro, a ecologia, o descanso turístico, etc.). Um gajo tem que avisar por telefone quem é o visitante? Isto é surreal. E aceitam
Justificam-se com o ambiente mas o rio Tejo deixou de ser ambiente e passou a ser um objecto de troca, ou de submissão. Não se pode renegociar os caudais porque podemos ficar prejudicados. Ui, quer dizer que melhor que agora já não podemos ficar.
Vivam os miaus e ou béubuéus das marquises. Lixem-se os peixes e os pescadores.
As pernas do carbono até tremem quando reparar que o governo anda todo em carros eléctricos.