
Os que me conhecem, e os que me vão aturando no(s) blog(s), sabem que não simpatizo com o BE – ainda que me tenha ocorrido votar, e também por algumas razões até espúrias, em Marisa Matias (depois ponderei e votei bem à “direita”, em Henrique Neto). Não gosto da coligação “guevarista” (et al) acima de tudo porque abomino o “identitarismo” e os requebros que o acompanham. E mais coisas, claro. Por isso tanto gostei do “affaire Robles” a desnudar o horizonte que se vê em Telheiras e no Bairro Alto. E tanto gozei com as patacoadas do prof. Rosas (“as nossas meninas”, “a direita já tem o seu gay” – cito apenas de cor), a mostrar o quão plástico chinês é o “politicamente correcto” – já para não falar do célebre “eu tenho filhos, você não tem” (idem) de Louçã a Portas, o Paulo. Enfim, são quem são, esta minha Lisboa …
Dito tudo isto, como vera auto-justificação, aqui fica a entrevista que Louçã e Teixeira Lopes deram quando lançaram o seu livro “Os Donos Angolanos de Portugal”, há já cinco anos a mostrarem as ligações desta nossa elite político-económica com o poder económico (a “Isabel dos Santos”) de Luanda.
É bom lembrar, porque parece que agora todos se esquecem.

Bem, após uma solitária meditação transcendental em torno do caso Isabel dos Santos, venho aqui partilhar e até mesmo pedir esclarecimentos sobre o que nesta transcendente meditação não encontrei como resposta.
Será que o título deve ser “caso Isabel dos Santos” ou: os casos e acasos em que Isabel se torna caso(?).
Dito isto, e fazendo emergir o aprofundamento de tão inteligente meditação, pois sou mesmo inteligente até quando estou a dormir, e para não entrar para além do véu do templo, onde se encontrarão também, e certamente, os santos dos Santos, verifico que sua Exa. o Presidente da República Popular de Angola e as digníssimas e respeitáveis instituições angolanas têm atribuído um foco especial em torno de Isabel, que sendo dos Santos parecem querer dizer que não é santa.
Na referida meditação, pareceu-me compreender que previamente foi caucionada uma espécie de amnistia a todos quanto pretendessem repatriar e devolver à origem dinheiro que andasse ao léu.
Muito bem. É um acto de perdão e misericórdia que, manda o Verbo Divino, se deve cumprir, para que todos sejamos “misericordiosos como o Pai do Céu é misericordioso”.
Não obstante, pareceu-me também que compreendi que Isabel que é dos Santos, mas não querem que seja santa, entendeu não aderir a qualquer repatriamento monetário por entender que o mesmo foi adquirido legitimamente e sancionado ou caucionado pelo governo angolano.
É aqui que me falha a peúgada da inteligente meditação que empreendi: Se tudo foi caucionado pelo governo angolano e celebrado com este, gostaria de compreender se as digníssimas instituições jurídicas angolanas estão a ponderar uma sindicância à gestão do património angolano, nas mais diversas esferas sociais, parlamentares, jurídicas e até mesmo militares, no sentido de se perceber quem, para além do Presidente de outrora, conhecia ou participou na legitimação de tal processo(?), pois parece-me que Isabel, agora a solitária, e Sua Excelência o Presidente de outrora, não seriam capaz de per si cometer actos isolados tendo em conta a dimensão estrutural, nacional e transnacional, que seria necessário criar.
Nos livros canónicos que agora se abrem publicamente, Isabel, a “foragida”, parece-me estar aí também para fazer esquecer a atenção sobre outros que eventualmente estejam mais próximos, até mesmo e eventualmente muito próximos, dos perseguidores; e que na minha meditação deveriam constar da atenção que agora se dedica ao tema.
Concluindo a minha transcendental e inteligente meditação, parece-me que este processo jamais poderia caminhar se caminhasse contra todos, mas somente contra alguém.
Portanto, só admito que a redenção seja alcançada por uma só Pessoa, o Cordeiro imolado há mais de 2000 anos em favor de todos. Mas não concebo ver um qualquer “bode” a expiar os erros e redimir os pecados de outros eventuais “bodes”.
Será que falta iluminação a minha meditação?
Pode faltar luz a minha meditação, mas não me falta a vontade de orar por Isabel, que agora se encontra só. Deus permita que Isabel através do sofrimento possa alcançar a santidade que muitos desejam negar-lhe. Isto é ser misericordioso.
Mas também desejar que as mãos da justiça divina possam guiar todos quantos devam estar às mãos da justiça terrena.
Se não estiverem todos, Senhor, então não esteja ninguém. Que venha sobre todos a Tua amnistia, mas não lhes impeças as lágrimas que quando correm são como baptismo! Protege o povo angolano e todos os povos da terra, e constitui em todos a vontade de administrar propriamente a Tua ceara.
Eu, que não ascendo à transcendência (nem quando durmo), não o posso ajudar. Mas, aqui entre nós, nada me leva a partilhar dos seus cuidados e interrogações. Pois aos angolanos o que é dos angolanos, eles que se entendam. Interessa-me, sim, é que a gente por cá tenha andado tanto tempo a baloiçar-se com isto tudo e agora estejam a assobiar para o lado. Desde o nº 1, entenda-se mesmo.
Obrigado por sua atenção, jpt.
Pois.