Lisboa e Porto


Cristina Torrão,

2020-01-25 Portugal TV Today.jpg

Imagem TV Today 18 a 31-01-2020

Ontem, um canal regional alemão, pertencente ao 1.º canal público ARD, mostrou um pequeno programa sobre duas cidades portuguesas. A revista televisiva que costumo comprar, porém, fez uma imensa confusão entre as duas. Traduzindo o texto acima: «Lisboa conta-se entre as “boomtowns” turísticas na Europa. Mais de seis milhões de visitantes anuais – para apenas 500.000 habitantes. A reportagem guia-nos às grandes Praças do Rossio e do Comércio, ao lindíssimo bairro de Alfama e ao Mercado da Ribeira. Depois, segue para o Porto, na margem do Douro».

Presumo que os «500.000 habitantes» deviam pertencer ao Porto. E a legenda da imagem vai ainda mais longe: «Arquitectura imponente: a ponte Dom Luís I em Lisboa»!

Um texto destes é capaz de pôr os cabelos em pé de qualquer português. Para os mais radicais, aqueles que levam a um nível muito pessoal a rivalidade (que se quer saudável) entre as duas maiores cidades do nosso país, um texto destes pode ser mesmo caso para insultos aos responsáveis da revista.

Apesar de também criticar a falta de cuidado com que este pequeno texto foi escrito, aconselho um respirar fundo aos mais indignados. Afinal, se uma revista televisiva portuguesa fizesse uma confusão destas entre Berlim e Hamburgo, não nos merecia mais do que um encolher de ombros (quando muito… e só para quem estivesse em condições de detectar os erros). E eu, que vi o programa, garanto que não se misturaram as duas cidades. Foi uma pequena reportagem interessante, que é bem capaz de atrair ainda mais turistas ao nosso país. Se isso é bom, ou mau, fica ao critério de cada um.

11 comentários em “Lisboa e Porto”

  1. Provavelmente confundiram Lisboa (que tem cerca de 500.000 residentes fixos and shrinking) com a área metropolitana para onde os lisboetas são obrigados a ir viver por não conseguirem habitar no concelho de Lisboa. Na Wikipedia vem 500 e tal mil, aliás.

    O Porto tem cerca de metade. E Coimbra metade disso, cerca de 120.000.

    As pessoas esquecem-se que apesar do aparato de novo-rico do regime socialista e o embelezamento que a comunicação social faz do mundo segundo António Costa, as pessoas continuam a ser muito mal pagas e maltratadas, não há empregos a não ser uns part-times de merda onde as pessoas recebem 260 euros por mês — e só os funcionários públicos no seu mundinho fechado têm todas as regalias e vivem bem. Os outros todos vivem mal.

    1. Vivem mal, à exceção dos poucos, poucos mesmo, que se apropriam da riqueza gerada pelos outros todos que vivem mal! Mas, claro, isso não é vergonhoso, desumano, imoral, atentado à ética, porque a ética e a moral é ditada por esses tais e seus lacaios políticos, religiosos e afins! Só os funcionários públicos se safam, na análise dor de cotovelo do comentador!

      1. Em qualquer caso, você não contradita (não há como, de tão evidente e desavergonhada que é a coisa) o facto de que este governo, este regime, vive de e para a função pública. Mas não a função de bem administrar a coisa pública, antes a de manter o Partido do Estado feliz – pelo menos sossegado, entretido até com o seu calendáriozinho anual de greves regulares – pois cada um dos seus militantes vale facilmente uns quatro ou cinco votos. E quem os tiver, esses votos, tem o poder.

        Os outros, os “privados” (que, imagine você, não são todos – longe disso! – obesos capitalistas e seus lacaios de cartola, charuto, fraque e polainas brancas, esmagando, arrogantes, as massas oprimidas), estão cá é para pagar isto tudo. Pagar, calar e rezar que o seu emprego se aguente e não venham a ser bafejados pela “sorte” de um tempo onde o desemprego tem parece índices tão apregoadamente baixos, mas substituído por verdadeiro “emprego de estatística”, sub-remunerado e com a segurança de uma pena ao vento.

        Tudo placidamente patrocinado pelas esquerdas que nos “governam”.

        Costa

  2. Presumo que os «500.000 habitantes» deviam pertencer ao Porto.

    Não, pertencem a Lisboa. Lisboa tinha nos últimos censos cerca de 600 mil habitantes ou perto disso. Não chegava a 700 mil. E o Porto não atinge os 400 mil.

  3. Obrigada pelas informações sobre o número de habitantes. Estava mesmo convencida de que fossem mais, tanto numa, como na outra cidade. E, enfim, não me apeteceu ir pesquisar…

  4. Quanto à função pública, não estou muito em condições de discutir o assunto, pois há quase três décadas que deixei o país. Atrevo-me, porém, a dizer que, atentando ao que este governo tem feito a enfermeiros e professores, não parece muito amigo da função pública.

    Claro, há mais função pública além destes dois exemplos. Mas não queria deixar de os referir.

    1. Há muito mais função pública para além desses dois exemplos.
      Mesmo esses para falarmos de algo concreto passaram de um horário de 40 horas semanais com Passos Coelho para 35 horas semanais com António Costa.

    2. Os FP maltratados podem sempre tentar a vida maravilhosa do sector privado. A esta altura, quando algum se queixa da vida, é o único argumento que me resta.

  5. «não parece muito amigo da função pública» – Cristina.
    Pode crer, falando do que ‘aqui’ vemos (e até pelo meu sector).
    Este governo, numa tradição alargada a outros, é formado por muita gente amiga (19 ministérios com 50 Sombras da Grei/50 secretarias de Estado),
    Mas ‘amigos’ amigos, deles mesmos, dos mobilizados amigos do e no Partido.
    Da Função Pública, sabem que devem disfarçar estar preocupados, educação, saúde, segurança, etc…
    Todo um leque de sectores a pedir mudanças, mas sujeitos a uma quase imobilidade que não só as cristaliza como as impede de prestar melhores serviços.
    Melhores serviços, boas amizades sim, mas para os membros da tribo Partido, amigos e familiares.

  6. Esta semana apareceu lá no trabalho uma ex colega, entretanto migrada para Bragança.
    Fora fazer um exame médico, na terra dela não há local onde o fazer.
    (e assim se passa um dia de férias)
    Patati Patatá, tem de se ir embora, tem de apanhar a camioneta, 3 horas de viagem. Não tens comboio, perguntou uma jovem. Ela riu, lá agora comboio…

    É uma estória engraçada de contar naquelas festarolas de Lisboa em que malta discute os egoístas que andam a poluir o mundo com os combustíveis fósseis.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *