«O ensino está minado por um grande enrolo. Teoricamente, este modelo pedagógico que não penaliza com chumbos é mais saudável. Teoricamente, vai permitir que, no ano seguinte, o aluno retome do lugar onde ficou e vá evoluindo de acordo com um ritmo que é seu, individual, portanto. Teoricamente, permite que haja avanços significativos num ano ou em parte dele, que o aluno, digamos, desemburre de repente e ganhe novo ritmo sem que tenha sido penalizado com uma retenção.
Na prática, com o modelo de ensino que temos e que não foi minimamente adaptado à lei, não é possível individualizar o ensino a este ponto. São demasiados alunos para que um só docente dê conta de tanta aprendizagem individualizada. Os professores estão gastos por tanta reforma inábil, cansados de tanta burocracia inútil, fartos de tanto modelo de avaliação artilhado onde são simultaneamente avaliadores externos e avaliados, obrigados a formações em que se aprende quase nada, algumas em aparelhagens e modelos técnicos que nunca chegam às escolas. Acresce que os alunos são cada vez mais barulhentos e irresponsáveis. E os pais nem sempre se lembram serem eles os primeiros educadores dos seus filhos e que a luta pela educação dos alunos é processo conjunto, eles e os professores.
Sintetizando: prevejo esse fim dramático: a escola, que se pensou ser um meio de igualizar as diferenças, só ficticiamente o fará. No papel. O sinal menos que os mais pobres trazem de casa vai converter-se em sinal menos menos.
Sobre o mundo das explicações tenho outra opinião. Onde os pais têm um papel fulcral. Determinante. Mas não é coisa para desenvolver agora.»
Da nossa leitora Bea. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

Sem dúvida 👏👏👏👏👏
Obrigada pela atenção ao que escrevi, para mim é sempre surpresa ler-me. Tenho dificuldade em reconhecer-me. Um dia que venha a propósito ainda escrevo sobre as explicações.
Fico a aguardar Bea
Tem que vir a propósito de um post:)
Boa tarde
Desde já, sendo um professor que até podia tirar partido, dadas as disciplinas que leciono, não sou a favor na grande maioria dos casos. As Escolas devem fornecer momentos de apoio específico aos alunos com dificuldades. Pode parecer utópico, mas já trabalhei numa assim. E pública!!!
E apoio aos alunos com sobre capacidades?
lucklucky
As explicações são dois sacrifícios, um financeiro para os pais, e outro em precioso tempo para os educandos. Conheço casos em que os miúdos começam o dia escolar às 8 da manhã e só terminam às 9 da noite (quando não estendem pela noite fora). As notas aparecem, mas ambos os preços são excessivos, nem sei qual mais. E sempre, e cada vez mais, com o espectro da inutilidade do esforço a pairar.
o post que origina o comentário “passou-me”.
a ambos, Paulo Sousa e Bea, os meus cumprimentos; sabe bem começar a ler opiniões descomprometidas e certeiras sobre assunto tão importante.
Não há definição de objectivos de ensino sem que haja definição de valores morais e carácter cívico que os viabilizem.
Não há método pedagógico que resista à indisciplina e à falta de respeito; mas aqui ninguém teoriza senão a tolerância a toda a bandalheira da doutrina dos coitadinhos, onde a esquerdalhada invoca a sua sensibilidade social e sustenta a sua cobardia.
“Sintetizando: prevejo esse fim dramático: a escola, que se pensou ser um meio de igualizar as diferenças, só ficticiamente o fará.”
Aí está começa logo o erro indigno da escola. Serve para punir quem tem mais capacidade.
lucklucky