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«A viagem resgata a memória do que se lê e vê. Não só memória dos lugares e das personagens dos livros, filmes (e música e pintura) que lemos ou vimos como a da imaginação, às vezes, mesmo da imaginação herdada.
Se ao Pedro Correia pareceu ver o fantasma da Sissi em Viena, eu ia jurar que a vi, ao lado da minha mãe, na Praça de São Marcos. E a pequena filhota a correr para os seus braços. Com todos a entoar um Viva la mamma! Tal como na última ou penúltima página do livro que aos onze anos comecei a ler pelo fim, sugerido pela minha mãe, fã absoluta na meninice dos filmes da Romy Schneider.
Mas a verdade é que as imperatrizes, príncipes e princesas me diziam pouco. O meu imaginário era outro. Por mais que soubesse que foi filmado em Itália, quando me vi a vaguear entre o Nevada, Utah e Arizona, com destino a Las Vegas e ao Grand Canyon, e consegui o silêncio solitário do deserto, não pude deixar de imaginar que aparecessem os fora-da-lei, o insolente Trinità refastelado na padiola ao som do batuque da sertã, sob o olhar do possante Bud Spencer. Ou, então, que me cruzasse com um corredor de diligências em busca do ouro perdido, de onde saíssem mulheres de empolados vestidos compridos cheios de atilhos e crianças de toucas, e de cowboys sempre atentos aos ataques.
Depois há memórias do futuro sempre adiado. Está por fazer a viagem à América do Sul, para encontrar a cadeira do Rubicundo dentista, a cabana e a fotografia da mulher desaparecida e o medo da fera, do Velho que lia romances de amor do Sepúlveda, ou Nívea a Clara e a Blanca, a mesa da cozinha onde ainda deve jazer um corpo e todo o esoterismo cru da Isabel Allende, se bem que saiba que posso sempre encontrar o Jeremy Irons no Alentejo.»
Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

Que bom vê-la aqui, Isabel, na companhia do cowboy insolente… e do Jeremy Irons
Parabéns! 🥇
Bom domingo.
⚘
Maria
Muito obrigada pelo destaque, Pedro. Foi muito gentil.
E Maria e Vorp.
Este fim-de-semana o imaginário foi outro, vi o Ensaio sobre a Cegueira, sem ter lido o livro. Gostei, apesar de muito perturbador.
O livro é muito, muito bom, li-o muito antes e prefiro-o ao filme.

Contudo, reconheço que o filme conseguiu captar quase (quase) tudo do livro e os actores são bons.
Boa semana, Isabel.
Maria
Um comentário que é literatura em estado (quase?) puro.
Transmutar sentimentos em palavras – em paralelo com os ungidos que o fazem com Música.
JSP
Muito obrigada pelas suas palavras.
(não sei se passou o primeiro comentário, por isso repito.)
Muito obrigada pelo destaque, Pedro.
Com a imagem e tudo. Foi muito gentil.
E Maria e Vorph.
Este fim-de-semana mudei de registo. Vi o Ensaio sobre a Cegueira, sem ter lido o livro. Gostei, apesar de ser muito perturbador.
Bom resto de Domingo para todos.
Por incrível que seja, a Romy Schneider tinha um sorriso mais belo que a Sissi, incrível por a Sissi ser imperatriz mas não poder sorrir por ter os dentes da frente estragados
Bem recordado.