DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «António Vitorino acha, conforme se lê no DN, que «a crise internacional de que começamos agora a sair pode (…) ser considerada como o fim deste ciclo iniciado com a queda do Muro de Berlim». Como a queda do Muro de Berlim já não era um início, mas a consequência de diversos factores concentrados, o mais certo é também não estarmos em fim de ciclo. E mais certo ainda é não estarmos a sair da crise. Pelo menos, em Portugal.»

 

Paulo Gorjão: «Não faltam exemplos de decisões mal estudadas, mal fundamentadas, ou mal implementadas. Cada ministro parece ter a sua agenda e a sua opinião. À primeira vista não existe qualquer preocupação de as articular com as dos restantes ministros. O resultado é uma cacofonia que indicia a ausência de um rumo estruturado. Navega-se ao sabor do vento. O resultado? Mais adiamentos, alterações, ou revogações. Quem vier a seguir que arrume a casa, se conseguir.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Muitos juízes de instrução não passam de chancelas do MP limitando-se a colocar um “visto” nos processos que lhes surgem. Os despachos estão pré-formatados e não raro chega-se aos debates instrutórios com os despachos já elaborados. Daí para a frente já não é com eles. Depois, é claro, sucedem-se tanto as absolvições em julgamento como as iníquas e vergonhosas condenações, apenas porque o inquérito foi mal dirigido, demorou demasiado tempo  e a prova pertinente evaporou-se ou não foi sequer recolhida devido à burocracia. Os prejuízos são evidentes para todos.»

 

Teresa Ribeiro: «A incontinência verbal é, sem dúvida, o melhor sinal de vitalidade em qualquer relação. Isto é válido tanto para casais, como para bandos de delinquentes como o nosso, sentenciou, apoiada na sua experiência de vida e na borda da banheira de onde se escapulia já a contar os minutos para sair de casa.»

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