DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «O que é que eu celebro? Celebro esse símbolo da vitória sobre um “muro da vergonha”. Afinal, a opinião não deve ser delito. É isso que eu celebro: o sinal de que os muros caem sem sujarmos as mãos de sangue. Sujas de sangue estão, não raro, as mãos que os erguem.»

 

Teresa Ribeiro: «O pé, semi-automático, encaixa no chinelo à primeira tentativa. A terra não está firme. Ao fim de cinco horas de sono, não pode estar. Mas no Verão é pior, quando a luz a entontece, esplendorosa, à segunda-feira apenas para lhe prometer a terça, a quarta, a quinta e a sexta.»

 

Eu: «O mundo ficou mais livre depois da queda do Muro – depois da queda de todos os muros do Báltico ao Adriático. E ficou também mais igualitário e justo. Porque nenhuma liberdade era realmente digna desse nome na Europa quando permitíamos, por acção ou omissão, que metade do continente ainda não tivesse perdido as grilhetas, para usar uma expressão marxista que o Avante! só emprega quando lhe convém. Como se houvesse alguma superioridade moral nas grilhetas comunistas.»

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