A derrota e a vergonha


Pedro Correia,

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Às 8 da manhã do dia 21 de Junho de 1942, as tropas britânicas sitiadas na fortaleza de Tobruk, no norte de África, rendiam-se às divisões comandadas por Erwin Rommel, após terem sofrido baixas consideráveis. No seu quartel-general da Alemanha, Hitler rejubilou, entregando a Rommel o bastão de marechal. Ao receber a má noticia em Washington, onde conferenciava com o presidente Roosevelt, Churchill desabafou: “A derrota é uma coisa, a vergonha é outra.” Os britânicos tinham sido derrotados mas não deviam envergonhar-se. Tinham-se batido até ao limite das suas forças. Um ano mais tarde, recuperariam Tobruk.

A que propósito me lembrei deste emblemático episódio da II Guerra Mundial? É que ele constitui uma exemplar lição de vida. A desonra é perder sem sequer dar luta. Vale para todas as épocas e para as mais variadas circunstâncias – e também na política, que é a continuação da guerra por outros meios.

21 comentários em “A derrota e a vergonha”

  1. A desonra é perder sem sequer dar luta.

    Disparate. Se é para se ser trucidado, vale muito mais não dar luta.

    1. É por isso que eu adoro ver a juventude, e não só, revolucionária ocidental a honrar o Che com a boina do Che, com a t-shirt do Che, com as calças do Che, com as cuecas do Che e na hora do aperto com os cueiros do Che.

      Como diz o Jirómino quando cita o senso comum do povo: ” Mais vale um cobarde revolucionário com a boina do Che vivo, do que um heroi como o Che morto!”

      Smoreira

  2. Depende… os Britânicos, mais os soldados da Comonwealth que aliás eram uma significativa parte foram derrotados por uma força menor, e com menos equipamento. E ainda tinham vantagens logísticas como uma linha de comboio desde o Suez até quase à fronteira com a Líbia que não existia do outro lado.

    lucklucky

      1. É verdade, mas a vitoria na guerra poderia ter sido obtida com muito menos custos. Para começar humanos.
        É por exemplo significativo que não há lições na cultura sobre o que causou a degradação social/militar que permitiu a França( e o BEF mais a Bélgica e Holanda) serem derrotados em tão curto espaço de tempo.

        É bom lembrar que uma resistência maior da França teria feito a Itália não entrar na Guerra.
        A Itália não entrar na Guerra implica que a Royal Navy tem mais navios disponíveis para a Ásia o que possivelmente colocaria o Japão com menos vontade de atacar.

        lucklucky

  3. ““A derrota é uma coisa, a vergonha é outra.” ” Sim, mas acho preferível ter um comportamento vergonhoso por umas horas (ou dias) a ser defunto por toda a vida.

    1. Todos os homens morrem mas nem todos realmente Vivem !

      Não são vocês que proclamam ousar lutar, ousar vencer…

      WW

    1. “” A vaincre sans péril on triomphe sans gloire “
      Para falar verdade não sou um entusiasta do perigo. E quanto à glória … que se lixe a glória (para não utilizar outra palavra).
      Ou seja, prefiro vencer sem perigo e abdicar da tal de glória.

  4. Para Churchill, o valor supremo era o império britânico. A vida dos súbditos desse império – com exceção da própria vida dele, Churchill – era-lhe indiferente.

    É claro que a honra é muito mais importante do que a vida – a vida dos outros, entenda-se. Se fosse a vida de Churchill que tivesse estado em causa, talvez Churchill tivesse preferido perder a honra.

    Enfim, não passava de um poltrão.

      1. Churchill, aliás, lutou como militar em três continentes. No Afeganistão, na África do Sul e nas trincheiras europeias da I Guerra Mundial, para onde se ofereceu como voluntário. E foi ainda observador na guerra hispano-americana, em Cuba, como jovem oficial.

        1. Churchill também participou na Guerra contra o Mahdi no Sudão.

          Para não falar de alguns voos arriscados na Segunda Guerra Mundial, quase se pode dizer atrás das linhas inimigas.

          lucklucky

  5. Lavoura, nâo é aconselhável exibir a ignorância ( nem a roupa branca, diria o Eça ) em público…

    JSP

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