Nobel da Paz


Diogo Novo,

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O prémio Nobel da Paz foi atribuído a Abiy Ahmed Ali, Primeiro-Ministro etíope, um homem que está a tentar abrir a arena política do país que lidera – creio que liderança é, de facto, o termo correcto. Legalizou partidos políticos, libertou jornalistas detidos, deu à Justiça condições para acusar funcionários do Estado envolvidos em práticas de tortura, mitigou as tensões étnicas latentes. Abriu o espaço necessário para que a Etiópia elegesse de forma livre e plural Sahle-Work Zewde, actualmente a única mulher a ocupar uma Chefia de Estado em África. Mais importante, conseguiu um acordo de paz com a Eritreia, algo praticamente impensável até então. 

Está por ver se estas mudanças são estruturais, ou se dependem de Abiy Ahmed Ali. Está também por ver o grau de compromisso do Primeiro-Ministro com as medidas que tem implementado. São, contudo, suficientemente importantes para merecer o reconhecimento dado pelo Nobel. Este ano, o Comité não se deslumbrou com intenções nem com mediatismos. Que para o ano seja igual.

 

ADENDA: Quem tenha interesse em conhecer um pouco da História contemporânea da Etiópia e perceber os problemas que Abiy Ahmed Ali encontrou quando assumiu funções pode encontrar aqui uma espécie de diário de viagem político que fiz há dois anos após percorrer o país.

 

7 comentários em “Nobel da Paz”

  1. Mais importante, conseguiu um acordo de paz com a Eritreia

    Não sei qual foi a justificação apresentada pelo Comité Nobel para este prémio. Mas, se essa justificação foi a paz com a Eritreia, pergunto porque é que o prémio foi atribuído somente à parte etíope e não também à parte eritreia. Que diabo, o acordo de paz teve duas partes, não é? Deveriam então receber o prémio ambas…

  2. Uma escolha que se aplaude (Ana Gomes deve estar particularmente contente, ela que tantas vezes erra o alvo mas que aqui acertou).
    Já tive oportunidade de ver todos os posts sobre o teu périplo na Etiópia. Apesar das dificuldades lá descritas (entretanto até houve uma tentativa sangrenta de golpe de estado), continua a ser um dos países que mais tenho curiosidade em visitar.

    1. Quando visitar, tenha cuidado com o tráfego. É que, já me disse quem já lá esteve que por lá há montes de desastres rodoviários e montes de correspondentes vítimas.
      Países subdesenvolvidos têm muito que se lhes diga…

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