Regozijai, lobo-antuninos e saramaguianos. Depois de Saramago ter levado os seus seguidores ao rubro com as declarações bombásticas sobre a Bíblia e deixado os seus opositores em estado comatoso, eis que surge António Lobo Antunes de olho azul e com o mesmíssimo ar de sempre a dizer sensivelmente as mesmas coisas de sempre, exceptuado um há-dem, cruzes credo, vade retro erro demoníaco, havia necessidade? lá pelo meio da conversa. Cada um igual a si mesmo. Um Outubro em grande.
Na literatura nada de novo
cronicasnofeminino,

Registei, na entrevista de há pouco à RTP, que António Lobo Antunes continua a fazer marcação cerrada a José Saramago. Nomeadamente com estas duas frases:
“Sou um espírito naturalmente religioso, é evidente que sim [que acredito]”
“A Bíblia é um texto muito complexo, tem que ser lido dum ponto de vista simbólico.”
Também reparei, Pedro, além de ter dito que esperava chegar à idade de Saramgo com mais auto-crítica do que ele. Daí não haver nada de novo.
A Leonor é suave o que o ALA disse foi que tinha medo de chegar à idade de S e estar xexé como ele. Enfim!…
Também pode ser visto assim. Incomoda-me muito que a idade das pessoas seja usada assim em público para as diminuir.
E também pode ser visto que a idade nos deveria tornar mais tolerantes e com maior sentido de auto-crítica.
A maturidade certamente, a idade, neste contexto específico nem por isso, Patti.
É mau na língua portuguesa, mas com a outra língua soube dizer que gosta da Judite de Sousa…
E do marido.
Além de nada de novo, daquele seu ar sempre igual, achei também patéticas algumas declarações suas na entrevista à RTP, que foram só para ‘encher a almofada’. Então só depois de ter estado doente é que se apercebeu da dor, do sofrimento de quem está doente, enfim, da sua condição humana? E antes, quando era ‘apenas’ médico-escritor, julgava-se uma espécie de semi-deus? Francamente…, A L Antunes e Saramago estão mesmo bons um para o outro! Façam um frente-a-frente com ambos e no fim conte-se quem vendeu mais ‘cavalos’ e mais ‘caims’. A coisa há-de andar ela por ela…
Não sei o que lá andou a fazer enquanto médico se não se tinha antes apercebido do sofrimento humano, não que seja necessário ser-se médico. Mas ele bem fala da transformação que a doença operou nele, tal como operaria ou opera em qualquer mortal, digo eu.
É como o jornalismo português, mais do mesmo.
Não há uma única alminha, que não lhe pergunte sobre o Saramago e depois admiram-se com as respostas.
A entrevista foi paupérrima, detestei aquele ar de enlevo perante o génio e as perguntas muito pouco estimulantes.
Aquilo foram perguntas já feitas milhentas vezes ao ALA.
Não há-de ele, repetir-se também.
E a dinâmica da entrevista? Ora perguntava uma coisa, ora doutra e depois saltava, para logo voltar à anterior.
Que tristeza.
Ainda me ri quando ele disse à Juditinha que ela é que lhe perguntava sobre a doença, porque realmente não saíam dali. Concordo, Patti, que tristeza.
Vá lá, vá lá não lhe perguntou se ele estava este ano à espera do Nobel.
Tenho impressão que o homem se punha a mexer!
Apoiado, Leonor, já não há pachorra para nenhum dos dois. Contrariamente ao que se passa com Saramago, nunca fui leitora de ALL , comprei alguns livros começava a ler e a escrita dele nunca me agarrava, ou era eu que não conseguia agarrar aquilo. Tenho aqui a primeira edição de As Naus, que tive o azar de levar comigo numa das vezes que estive hospitalizada. Resultado, interrompi a leitura há 20 anos e nunca mais lhe peguei. Vou tentar pegar de novo para poder dizer que li um livro inteiro do ALL …
Às vezes é a idade ou a altura em que pegamos nos livros. As Naus é um livro fantástico, de uma extravagância raramente vista. É preciso, contudo, deixar-mo-nos levar por toda aquela fantasia, é um facto.
A mim aconteceu-me algo parecido com os 100 Anos de solidão do GGM, mas acabei de o ler. Terei de voltar a pegar nele, mas enquanto me lembrar da sensação que fiquei quando o terminei….
Eu fui leitora dos romances e ainda sou das crónicas e gosto muitíssimo da escrita de ALA, acho mesmo que ele devia ganhar o Nobel, só que estou mesmo sem paciência para a imagem de ambos, dele e de Saramago. Escrevam mais, ok, já escrevem muito e apareçam menos, pronto, devido ao adiantado da hora, estou a ser mazinha.
E ainda: é uma leitura trabalhosa e tem de ser trabalhada e que exige muito tempo, Ariel , tente outro, talvez o Esplendor de Portugal ou Auto dos Danados mas desta vez sem hospital
Volto a dizer: ambos deviam ficar-se pela expressão escrita, aquela em que são bons. Tudo o resto é para estragar o que escreveram.
Mas sem a expressão oral o ‘marketing’ não seria a mesma coisa, Ana.
Pois não, é verdade. Há que vender livros, não é?
E eles sabem muito bem disso.