Na literatura nada de novo


cronicasnofeminino,

Regozijai, lobo-antuninos e saramaguianos. Depois de Saramago ter levado os seus seguidores ao rubro com as declarações bombásticas sobre a Bíblia e deixado os seus opositores em estado comatoso, eis que surge António Lobo Antunes de olho azul e com o mesmíssimo ar de sempre a dizer sensivelmente as mesmas coisas de sempre, exceptuado um há-dem, cruzes credo, vade retro erro demoníaco, havia necessidade? lá pelo meio da conversa. Cada um igual a si mesmo. Um Outubro em grande.

21 comentários em “Na literatura nada de novo”

  1. Registei, na entrevista de há pouco à RTP, que António Lobo Antunes continua a fazer marcação cerrada a José Saramago. Nomeadamente com estas duas frases:

    “Sou um espírito naturalmente religioso, é evidente que sim [que acredito]”

    “A Bíblia é um texto muito complexo, tem que ser lido dum ponto de vista simbólico.”

          1. E também pode ser visto que a idade nos deveria tornar mais tolerantes e com maior sentido de auto-crítica.

  2. Além de nada de novo, daquele seu ar sempre igual, achei também patéticas algumas declarações suas na entrevista à RTP, que foram só para ‘encher a almofada’. Então só depois de ter estado doente é que se apercebeu da dor, do sofrimento de quem está doente, enfim, da sua condição humana? E antes, quando era ‘apenas’ médico-escritor, julgava-se uma espécie de semi-deus? Francamente…, A L Antunes e Saramago estão mesmo bons um para o outro! Façam um frente-a-frente com ambos e no fim conte-se quem vendeu mais ‘cavalos’ e mais ‘caims’. A coisa há-de andar ela por ela…

    1. Não sei o que lá andou a fazer enquanto médico se não se tinha antes apercebido do sofrimento humano, não que seja necessário ser-se médico. Mas ele bem fala da transformação que a doença operou nele, tal como operaria ou opera em qualquer mortal, digo eu.

  3. É como o jornalismo português, mais do mesmo.
    Não há uma única alminha, que não lhe pergunte sobre o Saramago e depois admiram-se com as respostas.

      1. Aquilo foram perguntas já feitas milhentas vezes ao ALA.
        Não há-de ele, repetir-se também.
        E a dinâmica da entrevista? Ora perguntava uma coisa, ora doutra e depois saltava, para logo voltar à anterior.
        Que tristeza.

          1. Vá lá, vá lá não lhe perguntou se ele estava este ano à espera do Nobel.
            Tenho impressão que o homem se punha a mexer!

  4. Apoiado, Leonor, já não há pachorra para nenhum dos dois. Contrariamente ao que se passa com Saramago, nunca fui leitora de ALL , comprei alguns livros começava a ler e a escrita dele nunca me agarrava, ou era eu que não conseguia agarrar aquilo. Tenho aqui a primeira edição de As Naus, que tive o azar de levar comigo numa das vezes que estive hospitalizada. Resultado, interrompi a leitura há 20 anos e nunca mais lhe peguei. Vou tentar pegar de novo para poder dizer que li um livro inteiro do ALL …

    1. Às vezes é a idade ou a altura em que pegamos nos livros. As Naus é um livro fantástico, de uma extravagância raramente vista. É preciso, contudo, deixar-mo-nos levar por toda aquela fantasia, é um facto.

      A mim aconteceu-me algo parecido com os 100 Anos de solidão do GGM, mas acabei de o ler. Terei de voltar a pegar nele, mas enquanto me lembrar da sensação que fiquei quando o terminei….

    2. Eu fui leitora dos romances e ainda sou das crónicas e gosto muitíssimo da escrita de ALA, acho mesmo que ele devia ganhar o Nobel, só que estou mesmo sem paciência para a imagem de ambos, dele e de Saramago. Escrevam mais, ok, já escrevem muito e apareçam menos, pronto, devido ao adiantado da hora, estou a ser mazinha.
      E ainda: é uma leitura trabalhosa e tem de ser trabalhada e que exige muito tempo, Ariel , tente outro, talvez o Esplendor de Portugal ou Auto dos Danados mas desta vez sem hospital

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